Oxford e AstraZeneca: tudo que você precisa saber sobre a vacina da Fiocruz

Redação Notícias
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A vial of AstraZeneca Covid-19 vaccine is pictured at a vaccination centre in Pristina on April 13, 2021 as the government begins the country's vaccination rollout for people aged over 85 with the AstraZeneca vaccine. - Kosovo received 24,000 doses of the AstraZeneca vaccine at the end of March, its first batch of COVID-19 vaccines received through the UN-backed COVAX scheme. (Photo by Armend NIMANI / AFP) (Photo by ARMEND NIMANI/AFP via Getty Images)
Um frasco da vacina AstraZeneca Covid-19 é retratado em um centro de vacinação em 13 de abril de 2021. (Foto de ARMEND NIMANI / AFP via Getty Images)

Testada e fabricada em solo brasileiro, a vacina criada por cientistas do Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, e produzida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca é uma das apostas mundiais para enfrentar a pandemia de Covid-19

A gigante sueco-britânica firmou acordo com a Fundação Oswaldo Cruz para a produção nacional do imunizante, que é utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Também conhecido como AZD1222, a vacina da Oxford já garantiu o registro definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O que é a vacina de Oxford/AstraZeneca?

A AZD1222, como é chamada a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, é um dos imunizantes criados para combater a pandemia de Covid-19. 

Em 30 de dezembro de 2020, exatamente um ano depois que o surto do novo coronavírus foi reconhecido na China, o Reino Unido se tornou a primeira nação a aprovar o uso emergencial da Oxford/AstraZeneca.

O processo de desenvolvimento da Oxford/AstraZeneca contou com estruturas e expertise de laboratórios brasileiros. Testes da vacina foram realizados em: 

  • São Paulo, por clínicas sob coordenação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e

  • Rio de Janeiro, conduzidos pela Rede D'Or;

Em outra frente, da parceria entre a AstraZeneca e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi acordada a transferência de tecnologia para a produção nacional do imunizante.

Segundo a Vaccine Tracker, iniciativa de infectologistas da Universidade de McGill, do Canadá, que tem acompanhado o desenvolvimento dos imunizantes contra a Covid-19, a Oxford/AstraZeneca é atualmente a vacina que obteve o maior número de aprovações no mundo, com o aval de uso (emergencial ou definitivo) em 83 países, além da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Força-tarefa para Regulação de Vacinas da África (ART).

As primeiras etapas do plano de contenção da pandemia no Brasil, encabeçado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e promovido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), começou no final de janeiro de 2021 e aposta quase que exclusivamente no uso da Oxford/AstraZeneca e da CoronaVac, vacina criada pela farmacêutica chinesa Sinovac.

Tecnologia do vetor adenoviral

As vacinas produzidas pela Oxford e AstraZeneca usam em sua fórmula o vetor adenoviral de chimpanzé (ChAdOx1), tecnologia que os cientistas do Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, já estudavam em imunizantes para doenças como chikungunya e ebola. 

Nessa técnica, o adenovírus causador de gripe em primatas é modificado geneticamente e perde a capacidade de infectar organismos.

Sua função dentro de uma vacina se resume a transportar a informação que irá provocar a resposta imunológica que o organismo humano precisa para se proteger de determinada doença. Essa resposta vem na forma de imunidade humoral (por anticorpos) e imunidade celular.

Essa informação transportada pelo adenovírus nada mais é do que a sequência genética das proteínas spike, estrutura que se acopla às células humanas, permitindo a proliferação do vírus no organismo infectado. 

Incapaz de causar a Covid-19 por não carregar o vírus em sua forma completa, essa informação é suficiente para ensinar o corpo humano como se defender de um futuro ataque do Sars-Cov-2 em sua integridade, imunizando assim o indivíduo para a Covid-19.

AZD1222

A vacina é o produto final de um longo e intrincado processo de pesquisa, que envolve muito estudo teórico, análises laboratoriais e testagens. No caso da AZD1222, o início de seu desenvolvimento se deu antes mesmo do surto de Covid-19 surgir na China, em dezembro de 2019.

Um estudo de 2012 atestava a eficiência do ChAdOx1 (que significa Chimpanzee Adenovirus Oxford One) como vetor e destacava a flexibilidade que esse modelo tinha para a produção ágil de novas vacinas na iminência do surgimento de uma doença desconhecida.

“Há uma necessidade que sejam desenvolvidos novos vetores para aplicação clínica, tanto para a avaliação da utilidade de diferentes modelos de serotipos, quanto na possibilidade de implementação de várias vacinas em uma única população”, argumentavam os cientistas do Instituto Jenner, que assinaram o artigo.

Nos últimos anos, os cientistas da Oxford continuaram a incluir o ChAdOx1 em seus projetos. O vetor foi utilizado em versões de vacinas contra a gripe, zica e até câncer de próstata. Estima-se que, somando todas as experiências pré-Covid, mais de 300 pessoas já haviam recebido uma vacina construída em torno do ChAdOx1.

Laboratory technicians handle capped vials as part of filling and packaging tests for the large-scale production and supply of the University of Oxfords COVID-19 vaccine candidate, AZD1222, conducted on a high-performance aseptic vial filling line on September 11, 2020 at the Italian biologics manufacturing facility of multinational corporation Catalent in Anagni, southeast of Rome, during the COVID-19 infection, caused by the novel coronavirus. - Catalent Biologics manufacturing facility in Anagni, Italy will serve as the launch facility for the large-scale production and supply of the University of Oxfords Covid-19 vaccine candidate, AZD1222, providing large-scale vial filling and packaging to British-Swedish multinational pharmaceutical and biopharmaceutical company AstraZeneca. (Photo by Vincenzo PINTO / AFP) (Photo by VINCENZO PINTO/AFP via Getty Images)
Técnicos de laboratório manipulam frascos tampados como parte dos testes de enchimento e embalagem para a produção em grande escala e fornecimento da vacina candidata COVID-19 da Universidade de Oxfords, AZD1222. (Foto de VINCENZO PINTO / AFP via Getty Images)

A equipe que comandava os estudos sobre o ChAdOx1 havia testado imunizantes contra outras duas doenças também provocadas por um tipo de coronavírus: 

  • Sars, que surgiu em 2003; e 

  • Mers, que se espalhou em 2012; 

Com o surgimento do Sars-Cov-2, os cientistas tinham alguma noção de como desenhar um imunizante seguro e eficaz para combater esse tipo de vírus.

Menos de duas semanas depois da China comunicar a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a nova doença, em 31 de dezembro de 2019, os laboratórios do Instituto Jenner avançavam nos estudos para produzir a vacina que hoje é aplicada em massa ao redor do mundo.

Com uma candidata à vacina definida e a urgência de atravessar todos os meticulosos processos de testagem de eficácia e segurança que imunizantes naturalmente devem se submeter, o Instituto Jenner não hesitou em avançar. 

Em fevereiro de 2020, um acordo com a farmacêutica italiana Avent Srl estava firmado, garantindo a produção de lotes iniciais voltados para as primeiras fases de ensaios. Em abril de 2020, o primeiro estudo clínico da vacina em seres humanos, a fase 1, se iniciava.

Acordo entre Universidade de Oxford e AstraZeneca

Foi também em abril de 2020 que a Oxford, prevendo a escala de produção sem precedentes que seria necessária uma vez que a vacina estivesse pronta, anunciou a parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca

Sobre o acordo, o CEO da empresa, Pascal Soriot, afirmou que “nossa esperança é que, ao unir forças, nós consigamos acelerar a globalização da vacina para combater o vírus e proteger as pessoas da pandemia mais mortal que essa geração já enfrentou”.

Ao todo, novamente segundo o Vaccine Tracker da Universidade McGill, a Oxford/AstraZeneca passou por 11 etapas de análises preliminares de dados em humanos: 

  • Seis estudos de fase conjuntas 1 e 2; 

  • Três estudos somente fase 2; e

  • Dois estudos fase conjuntas 2 e 3;

A fase 3, que envolve a observação do comportamento da vacina em uma população que ultrapassa as dezenas de milhares de pessoas, começou a ser realizada em maio de 2020, em um primeiro estudo no Reino Unido.

A AZD1222 começou a gerar expectativas assim que os primeiros resultados de sua performance foram divulgados, em artigo da revista científica The Lancet. Com taxas superiores a 70% de eficácia, as autoridades sanitárias do Reino Unido aprovaram, em 30 de dezembro de 2020, o uso emergencial da vacina Oxford/AstraZeneca.

As aplicações com o imunizante na população britânica começaram no dia 4 de janeiro de 2021. Em pouco mais de 4 meses, a vacina recebeu o sinal verde de quase uma centena de países, dentre eles o Brasil.

Calcula-se que, até abril de 2021, mais de 30 milhões de pessoas já tenham recebido doses da AZD1222 no mundo todo.

Qual a eficácia dessa vacina?

O caminho natural de uma vacina é longo e requer anos de trabalho. Do desenvolvimento em laboratórios ao aval da autoridade de saúde de um país, um imunizante demora até 10 anos para chegar ao público final. Tempo que o mundo não tinha para enfrentar a pandemia de Covid-19.

Mesmo que com processos acelerados, foi imprescindível que todas as vacinas candidatas passassem pelas mesmas etapas e protocolos que as farmacêuticas já estão habituadas em períodos não-pandêmicos.

TURIN, ITALY - MARCH 24: COVID 19 vaccine by AstraZeneca box at the Covid-19 vaccine hub of Esercito Italiano at Juventus Allianz Stadium on March 24, 2021 in Turin, Italy. The test swab area at the drive in Covid-19 PCR Test Facility of the Italian Army at the Juventus FC Allianz Stadium has been converted into a Covid-19 vaccine hub as part of the COVID-19 vaccination plan. (Photo by Stefano Guidi/Getty Images)
Vacina COVID 19 da AstraZeneca no centro de vacinas no Estádio Juventus Allianz em 24 de março de 2021 em Torino, Itália. (Foto de Stefano Guidi / Getty Images)

Para certificar sua eficácia e segurança, uma vacina precisa passar por 3 estágios de testes clínicos em humanos. Antes disso, na fase pré-clínica, o imunizante passa por avaliações in vitro (em células) e in vivo (em cobaias animais como hamsters, coelhos e macacos).

Em seres humanos, o processo divide-se em fase 1, fase 2 e fase 3: 

  • Na fase 1, pequenos grupos de adultos, entre 20 e 80 pessoas, recebem o imunizante para testar sua segurança e resposta imunológica;

  • A fase 2 é feita para determinar a dosagem mais efetiva e para melhor analisar a segurança da vacina. Normalmente, essas etapas duram entre alguns meses e um ano;

  • A partir da fase 3, o desenvolvimento de uma vacina começa a ganhar escala. A pergunta a ser respondida nessa etapa é: “o quão efetiva é essa vacina?”; 

O grupo de voluntários é bem maior, na casa dos milhares ou dezenas de milhares, e divide-se em 2. Metade receberá a vacina, a outra metade receberá um placebo (substância sem efeito ativo e não relacionada ao estudo). Essa é a etapa que determinará a eficácia da vacina e, em geral, pode durar vários anos.

Depois de compilados os dados que atestam a eficácia e a segurança da vacina, cabe às autoridades sanitárias de um país dar o aval para o uso do imunizante. 

A aprovação buscada é a definitiva, mas em momentos de crise, como uma pandemia, é possível que uma vacina seja primeiro aprovada para uso emergencial. Mandatoriamente a aprovação definitiva deverá ser expedida em algum momento futuro.

Metodologia de testagem

A noção de que o surto do novo coronavírus tinha potencial para se tornar uma pandemia não estava exatamente no radar da população mundial no início de 2020. Aos olhos de infectologistas que trabalham uma vida inteira estudando este assunto, estava claro desde o início que a trajetória do vírus causava preocupação.

Assim que cientistas chineses, os primeiros a lidar com o novo coronavírus, disponibilizaram o sequenciamento genético do Sars-Cov-2, laboratórios do mundo todo começaram a investigar o vírus que estava causando essa estranha forma de síndrome respiratória. 

Era um sábado, 11 de janeiro de 2020, quando os pesquisadores do Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, começaram a trabalhar em uma vacina.

“Novos patógenos como a Covid-19 exigem o desenvolvimento rápido de vacinas”, afirmou a professora de vacinologia Sarah Gilbert, do Instituto Jenner. Uma das responsáveis pelo programa que iria desenvolver o novo imunizante, Gilbert defendia que, “ao usar uma tecnologia que sabidamente funciona em vacinas para outro coronavírus, somos capazes de reduzir o período necessário para preparar testes clínicos”.

Fases 1 e 2

A autorização para os primeiros testes em humanos saiu no final de março de 2020. Abrangendo simultaneamente as fases 1 e 2, o estudo promovido e patrocinado pela Universidade de Oxford reuniu 1.077 voluntários (de 18 a 55 anos) e utilizou as dependências de hospitais em Bristol, Londres, Oxford e Southampton.

A segurança da vacina foi confirmada, com voluntários reportando somente reações como: 

  • Dor no local da injeção;

  • Dor de cabeça; e

  • Febre leve; 

Outro dado observado, a imunogenicidade mostrou que o nível de anticorpos neutralizantes após a primeira aplicação era suficiente para a proteção do organismo. Os resultados não só deram mais clareza sobre a eficácia do imunizante como também foram primordiais para a definição do regime de 2 doses para a Oxford/AstraZeneca.

“Os resultados preliminares da Fase 1/2 são encorajadores, mostrando que a AZD1222 é capaz de gerar rápida resposta de anticorpos e células T contra o Sars-Cov-2”, comemorou o vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento biofarmacêutico da AstraZeneca, Mene Pangalos. 

“Apesar de ainda ter muito trabalho pela frente, os dados de hoje aumentam nossa confiança de que a vacina funcionará e nos permite seguir com os planos de produção em escala suficiente para atender a demanda global.”

A vacina da Oxford/AstraZeneca também foi analisada em outros três estudos de fase conjuntas 1 e 2: 

  • 256 voluntários no Japão, patrocinados pela AstraZeneca e em colaboração com a IQVIA; 

  • 400 voluntários no Quênia, custeados pela Universidade de Oxford; e

  • 2.130 voluntários em testes na África do Sul; 

Fases 2 e 3

Para dar sequência à série de estudos sobre a eficácia e a segurança de seu imunizante, a Universidade de Oxford espalhou testes ao redor do mundo. Ao longo de 2020, 10 países colaboraram (e ainda colaboram) com o desenvolvimento dessa vacina - a América do Sul e, especificamente o Brasil, incluídos.

O primeiro estudo nessa fase, aglutinando as etapas 2 e 3 para agilizar processos, foi realizado no Reino Unido. Mais de 12 mil voluntários foram divididos em grupos, que receberam regimes de aplicação diferentes, alternando entre 1 ou 2 doses e variando o tempo entre a primeira e a segunda dose.

No Brasil

Ao mesmo tempo, o Brasil firmava acordo com a Universidade de Oxford e com a AstraZeneca para a realização de uma rodada de testes em clínicas nacionais. Anunciado no final de abril de 2020, o estudo com 5 mil voluntários foi iniciado no dia 20 de junho de 2020. Ele foi expandido, em um segundo momento, totalizando 10 mil voluntários.

People stand in front of the Reference Center for Special Immunobiologicals (CRIE) of the Federal University of Sao Paulo (Unifesp) where the trials of the Oxford/AstraZeneca coronavirus vaccine are conducted, in Sao Paulo, Brazil, June 24, 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Pessoas ficam em frente ao Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) onde são realizados os ensaios da vacina contra coronavírus Oxford / AstraZeneca, em São Paulo, Brasil, 24 de junho de 2020. REUTERS / Amanda Perobelli

Duas entidades brasileiras dividiram a coordenação do estudo: 

  • O Crie/Unifesp (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Universidade Federal de São Paulo); e 

  • O IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino); 

Foram utilizadas clínicas e laboratórios nos estados de: 

  • Rio Grande do Norte, na capital Natal; 

  • Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto Alegre e Santa Maria; 

  • Rio de Janeiro, na capital fluminense; 

  • Bahia, na capital Salvador; e 

  • São Paulo, também na capital paulista;

O professor Andrew Pollard, investigador-chefe da Universidade de Oxford nos estudos sobre a vacina, afirmou estar “muito satisfeito por trabalhar com a talentosa equipe de investigadores do Brasil nos testes da vacina para a Covid-19”. 

“Pesquisadores e cientistas do mundo todo têm trabalhado com urgência sem precedente para combater a ameaça global à saúde humana que é este coronavírus”, salientou.

O estudo foi custeado pela Rede D’Or e pela Fundação Lemann que, por meio de seu diretor-executivo, Denis Mizne, comemorou a inserção do Brasil “no panorama de vacinas contra a Covid-19”. 

“Acredito que poderemos acelerar soluções que tragam bons resultados e rápidos. Para a Fundação Lemann esta é mais uma importante oportunidade de contribuir em iniciativas de grande impacto para o nosso país e sua gente”, completou.

Os resultados sobre a eficácia da Oxford/AstraZeneca nos voluntários brasileiros até hoje não foram divulgados isoladamente. No anúncio de sua eficácia global, Universidade de Oxford e AstraZeneca optaram por unificar o estudo do Brasil com os programas realizados no Reino Unido e na África do Sul.

Interrupção nos testes

Em setembro de 2020, quando simultaneamente cerca de 20 mil voluntários dos Estados Unidos, Brasil, África do Sul, Japão e Reino Unido participavam de testes clínicos com a Oxford/AstraZeneca, foi divulgado na imprensa que os estudos haviam sido suspensos temporariamente

O motivo era a constatação de uma lesão de medula espinhal em um dos voluntários britânicos.

“Esta é uma medida de rotina que é colocada em prática toda vez que, em meio aos testes, é reportada uma doença potencialmente inexplicável. A pausa ocorre enquanto investiga-se o evento, garantindo assim a integridade dos testes clínicos”, afirmou a farmacêutica AstraZeneca em comunicado, reforçando que essa foi uma medida voluntária.

Os Estados Unidos foram o último país a retomar os testes clínicos da Oxford/AstraZeneca, em 23 de outubro de 2020. 

“Estamos muito contentes que a Food and Drug Administration (FDA) chegou à mesma conclusão que as outras agências reguladoras de testes clínicos ao redor do mundo”, comemorou Andrew Pollard, professor da Universidade de Oxford que chefia o programa. “Nós continuaremos a seguir processos de segurança rigorosos enquanto avançamos rápido para conseguir começar a proteger as pessoas ao redor do mundo contra este terrível vírus”, completou.

Eficácia global

Pouco mais de 10 meses após os primeiros protótipos de uma vacina serem desenhados nos laboratórios do Instituto Jenner, na Universidade de Oxford, os resultados dos testes clínicos da AZD1222 em seres humanos foram divulgados à população. 

Em 23 de novembro de 2020, por meio de resultados preliminares, estava comprovado que a Oxford/AstraZeneca é uma vacina segura e eficaz no combate à Covid-19.

A eficácia da Oxford/AstraZeneca foi calculada com base na experiência de 11.636 voluntários reunidos nos testes do Reino Unido e do Brasil. Para grupos que receberam o regime de 2 doses, o imunizante se mostrou eficaz 14 dias após a segunda aplicação em 70,4% dos casos.

Um grupo auxiliar, de menor número e só analisado no Reino Unido, recebeu uma primeira meia-dose e, depois, uma dose completa. Surpreendentemente, a vacina nesses voluntários apresentou eficácia de 90% - os pesquisadores não souberam explicar o motivo e mais estudos estão sendo feitos para confirmar tais dados.

Pascal Soriot, Executive Director and Chief Executive Officer AstraZeneca, prepares to testify before the Senate Finance Committee hearing on drug prices, Tuesday, Feb. 26, 2019 on Capitol Hill in Washington. (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)
Pascal Soriot, Diretor Executivo e CEO da AstraZeneca, prepara-se para testemunhar perante a audiência do Comitê de Finanças do Senado sobre os preços dos medicamentos, terça-feira, 26 de fevereiro de 2019, no Capitólio, em Washington. (AP Photo / Pablo Martinez Monsivais)

A professora de vacinologia da Universidade de Oxford, Sarah Gilbert, comemorou o anúncio que “nos aproxima do momento em que seremos capazes de utilizar vacinas para dar fim a toda a devastação causada pelo Sars-Cov-2”. 

O CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, completou: “nosso compromisso de garantir acesso ágil, amplo e justo significa que a vacina estará disponível no mundo todo e com custo acessível.”

A segurança da Oxford/AstraZeneca também foi avaliada, dessa vez somando dados de 23.848 voluntários do Reino Unido, Brasil e África do Sul. O imunizante se comportou bem ao longo dos meses de testes, tendo sido registrados: 

  • 175 eventos adversos sérios; 

  • 2 somente sendo casos relacionados à aplicação da vacina; 

Variantes

Um dos maiores receios dos infectologistas assim que o surto de Covid-19 começou a se espalhar com velocidade era a possibilidade do surgimento de mutações que tornassem o vírus mais perigoso. 

Passado um ano desde o início da pandemia, essa realidade se concretizou e o mundo agora lida com três novas variantes: a britânica, a sul-africana e a brasileira.

Com vacinas prontas e imunizações em massa iniciadas, a opinião pública começou a questionar a efetividade das vacinas perante as formas modificadas do vírus. Estudos têm sido promovidos neste sentido e, pouco a pouco, os resultados começam a surgir.

Pesquisas publicadas no final de março de 2021 dão conta de que a Oxford/AstraZeneca é efetiva contra as variantes

  • B.1.1.7 (Reino Unido); 

  • P.1 (Brasil); 

O estudo promovido por Gavin Screaton, cientista da Universidade de Oxford, mostrou que a AZD1222 pode “neutralizar - ou interromper as infecções das - novas variantes que estão circulando”. O adendo é que essa resposta imunológica ocorre em menor quantidade.

Com a variante B.1.351 (África do Sul), no entanto, os resultados parecem não ser promissores. Um estudo da Universidade de Witwatersrand com um pequeno grupo apontou que a Oxford/AstraZeneca teria eficácia de apenas 10% contra essa mutação. 

O professor Shabir Madhi, que conduziu a pesquisa, afirmou à Rádio BBC que, “mesmo que houvesse um estudo mais amplo, dificilmente teríamos uma eficácia de 40% ou 50%”.

Suspensão de uso

Diante de pesquisas como a realizada pela Universidade de Witwatersrand, o governo da África do Sul decidiu tomar providências. 

Com a Oxford/Astrazeneca pronta para ser utilizada em seu programa de imunização e lidando com o aumento no número de infecções da variante B.1.351, em fevereiro de 2021 as autoridades sul-africanas decidiram deixar a AZD1222 de fora do plano de vacinação.

“Nós decidimos colocar em suspensão o uso da vacina Oxford/AstraZeneca”, anunciou o ministro da Saúde da África do Sul, Zweli Mkhize, no dia 8 de fevereiro de 2021. Posteriormente, o país optou por vender para outros países africanos os lotes que possuía da AZD1222.

Outra onda de questionamentos que a Oxford/AstraZeneca tem enfrentado acontece na Europa. Após relatos de casos de trombose em pessoas que haviam sido vacinadas, autoridades sanitárias de países da União Europeia ameaçaram suspender o uso da AZD1222 até que a relação da doença com a imunização fosse esclarecida.

Identificado como trombocitopenia trombótica imune induzida por vacina (VITT), o surgimento de coágulos sanguíneos é um evento extremamente raro. 

Dados do início de abril de 2021 mostram que, dentre a população de 34 milhões de pessoas imunizadas com a Oxford/AstraZeneca, foram diagnosticados 222 casos de VITT - alguns deles fatais. O cálculo é de que a VITT aparece em 1 em cada 100 mil vacinados.

Ainda assim, autoridades europeias ajustaram seus programas de imunização. Em geral, a AZD1222 tem sido direcionada para a população mais velha, pelo menos acima dos 50 anos. Alguns países, como a Dinamarca e a Noruega, interromperam o uso dessa vacina. 

Os especialistas criticam o alarmismo sobre o VITT e defendem o uso da Oxford/AstraZeneca, afirmando que o risco de pegar a Covid-19 é muito maior do que o de desenvolver trombose.

Quantas doses são necessárias?

A intensa corrida para a produção de uma vacina capaz de frear o surto de Covid-19 deu resultado. Ao entrar em 2021, o mundo já tinha à disposição quase uma dezena de imunizantes seguros e eficazes. 

Muito se falou sobre as candidatas que surgiam, com intenso debate sobre as tecnologias utilizadas em cada uma delas. Um ponto em específico ainda gera dúvidas: o número de doses necessárias para que uma vacina surta efeito.

A Oxford/AstraZeneca é utilizada em regime de 2 doses iguais - a segunda dose seria um “boost”, visando melhorar a eficácia e gerar uma resposta imunológica mais robusta e longeva. 

Durante a fase de estudos, os pesquisadores testaram diversos intervalos entre doses, de 4 a 12 semanas entre aplicações, e o regime que aparenta ter mais sucesso é o de 12 semanas.

Diante da escassez de doses, o governo brasileiro projetou regimes alternativos no uso da Oxford/AstraZeneca. 

Por conta dos resultados apresentados em estudos clínicos, que atestam uma eficácia de 76% logo depois da aplicação da primeira dose da AZD1222, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a sugerir, em janeiro de 2021, aplicações únicas do imunizante - hipótese rechaçada por especialistas e a Fiocruz.

Quem é responsável por desenvolver essa vacina?

Instituto Jenner da Universidade de Oxford

Os primeiros rascunhos da AZD1222 saíram dos laboratórios do Instituto Jenner, centro de pesquisa e desenvolvimento de vacinas da Universidade de Oxford. 

Fundado em 2005, o instituto leva o nome e tem em seu logo o busto de Edward Jenner, médico britânico que estudou a varíola no século 18 e, após experimentos com uma forma de varíola bovina, desenvolveu um método de imunização eficaz nos seres humanos. Considera-se esse feito o nascimento da vacinologia.

Britain's Prime Minister Boris Johnson is shown samples stored in liquid nitrogen by Professor Kate Ewer during a visit to the Jenner Institute in Oxford, England, Friday, Sept. 18, 2020. The Prime Minister toured the laboratory and met scientists who are leading the Covid vaccine research. (AP Photo/Kirsty Wigglesworth, pool)
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Boris Johnson, vê amostras armazenadas em nitrogênio líquido pela Professora Kate Ewer durante uma visita ao Instituto Jenner em Oxford, Inglaterra, sexta-feira, 18 de setembro de 2020. (AP Photo / Kirsty Wigglesworth)

Uma das coisas que fazem do Instituto Jenner uma instituição única é a capacidade de produzir suas próprias vacinas para testes clínicos. O instituto tem 3 grandes braços de pesquisa: 

  • Doenças Infecciosas; 

  • Patógenos Emergentes; e 

  • Doenças Não Transmissíveis; 

Dentro deles, seus pesquisadores atualmente trabalham em quase uma dúzia de programas que estudam, por exemplo, vacinas para a Aids e o Mal de Parkinson.

Nesses pouco mais de 15 anos de existência, o Instituto Jenner se embrenhou na formulação de uma nova geração de vacinas utilizando um adenovírus modificado. A tecnologia foi implementada em um imunizante contra a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), experiência que auxiliou os pesquisadores na formulação da AZD1222, contra a Covid-19.

Instituições financiadoras e parceiras

A página que elenca as instituições que bancam as operações e pesquisas do Instituto Jenner apresenta 19 financiadores, dentre autoridades governamentais e centros de pesquisa. Além da Universidade de Oxford, fazem parte desse grupo:  

  • Fundação Bill & Melinda Gates; 

  • Comissão Europeia; e 

  • Departamento de Saúde do Reino Unido;

AstraZeneca

A gigante farmacêutica AstraZeneca nasceu em 1999 da união entre a sueca Astra AB com o grupo britânico Zeneca PLC. 

Com sede principal na cidade de Cambridge, na Inglaterra, a AstraZeneca possui centros de pesquisa e desenvolvimento em Gaithersburg (Estados Unidos), Gotemburgo (Suécia), Varsóvia (Polônia) e também em Cambridge. O grupo emprega atualmente cerca de 76 mil pessoas e seu valor de mercado é estimado em US$ 66,7 bilhões.

Toda essa estrutura monumental foi o motivo pelo qual a Universidade de Oxford firmou acordo com a AstraZeneca para dividir responsabilidades no projeto da vacina contra o Covid-19. 

Ciente de que precisaria ter a cooperação de uma gigante farmacêutica no processo de produção em massa do futuro imunizante, a Oxford anunciou a parceria com a AstraZeneca após sondar a norte-americana Merck - e ser recomendada por autoridades do Reino Unido de que seria melhor fechar com o conglomerado sueco-britânico.

Uma rede de parcerias liderada pela AstraZeneca garantirá a produção da AZD1222 em fábricas na Europa, América do Norte, América Central, América do Sul, Ásia e Austrália. Ao todo, fazem parte desse esforço 25 estruturas fabris espalhadas por 15 países. A expectativa é que a AstraZeneca seja capaz de produzir e entregar 3 bilhões de doses da vacina até o final de 2021.

Em que países a Oxford/AstraZeneca é desenvolvida?

A Oxford/AstraZeneca começou a ser desenvolvida dentro do campus da Universidade de Oxford, partiu para testes clínicos em mais de uma dezena de nações e será produzida em 15 países diferentes. Estão aptos a produzir em massa a AZD1222 fábricas em nações como: 

  • Reino Unido (Oxford BioMedica e Cobra Biologics); 

  • Estados Unidos (Catalent e Emergent); 

  • Alemanha (IDT Biologika);

  • Rússia (R-Pharm);

  • China (Wuxi Biologics);

  • Itália (Catalent);  

  • Espanha (Insud Pharma);

  • Holanda (Halix); 

  • Bélgica (Thermo Fischer Scientific); 

  • México (Liomont);

  • Argentina (mAbxience);

Dentre todos os parceiros dessa empreitada, no entanto, dois laboratórios têm maior destaque: o Instituto Serum, da Índia, por conta de sua capacidade de produção, e a Fiocruz, por ser a representante brasileira nessa seleta lista de fabricantes.

Instituto Serum

Serum Institute of India é uma farmacêutica com mais de 50 anos de história e está localizada na cidade de Pune, no estado indiano de Maharashtra. É considerada a maior fabricante de vacinas do mundo, capaz de produzir cerca de 1,5 bilhões de doses de imunizantes a cada ano.

Quando anunciou o acordo com a AstraZeneca para a produção da AZD1222, o Instituto Serum calculou que seria possível fabricar, até julho de 2021, 400 milhões de doses em suas dependências. Com a mesma tecnologia, formulação e desempenho, a AZD1222 produzida na Índia ganhou o nome de Covishield.

Recentemente, executivos da farmacêutica solicitaram ao governo indiano um aporte de US$ 400 milhões para incrementar a capacidade de produção da Covishield e acelerar entregas. A expectativa é que, até o final de maio de 2021, o Instituto Serum esteja produzindo 100 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca por mês.

Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) existe desde 1900, quando nasceu com o nome de Instituto Soroterápico Federal. 

Sua sede em Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi criada para a produção dos soros que iriam combater o surto de peste bubônica que o Brasil enfrentava na ocasião. A homenagem ao epidemiologista Oswaldo Cruz, que dirigiu o instituto em seus primeiros anos, foi oficializada em 1908.

O acordo entre Fiocruz e AstraZeneca para a produção da AZD1222 foi anunciado em junho de 2020

A instituição brasileira ficaria responsável por produzir 30,4 milhões de doses da vacina até o início de 2021, suprindo a demanda dos testes clínicos promovidos no Brasil e reservando lotes para o início da imunização em massa no país. 

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - FEBRUARY 12: A laboratory technician prepares vials of the first experimental batch of the AstraZeneca/Oxford vaccines against Covid-19 at the Institute of Technology in Immunobiology (Bio-Manguinhos) on February 12, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. The Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz) started to bottle vaccines manufactured in partnership with AstraZeneca and finished in Brazil with raw materials (active pharmaceutical ingredients) imported from China. The first million doses are due by March 19. (Photo by Wagner Meier/Getty Images)
Técnico de laboratório prepara frascos do primeiro lote experimental de vacinas AstraZeneca / Oxford contra Covid-19 no Instituto de Tecnologia em Imunobiologia (Bio-Manguinhos) em 12 de fevereiro de 2021 no Rio de Janeiro, Brasil. (Foto de Wagner Meier / Getty Images)

Em uma segunda etapa, a Fiocruz irá produzir mais 70 milhões de doses (ao custo de US$ 2,30 por dose). O acordo prevê a transferência de tecnologia para a produção 100% nacional da AZD1222.

Atualmente, a Fiocruz fabrica, em duas linhas de produção, cerca de 900 mil doses da Oxford/AstraZeneca por dia. Até o início de abril de 2021, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) havia recebido somente 4,1 milhões de doses produzidas pela Bio-Manguinhos, braço fabril da Fiocruz

A instituição afirma que os atrasos na entrega ocorrem por conta de um rigoroso processo de controle de qualidade.

“O cronograma de entregas pactuado com o Ministério da Saúde está seguindo um esquema semanal e está sujeito à logística de distribuição definida pela pasta, além dos protocolos de controle de qualidade. Bio-Manguinhos/Fiocruz não está enfrentando qualquer problema técnico ou operacional na fábrica”, anunciou em comunicado.

Quais países compraram a Vacina de Oxford?

Orgulho nacional, a vacina criada em tempo recorde pelos cientistas da Universidade de Oxford não ficaria de fora dos planos de imunização dos britânicos. 

O combate ao Covid-19 na terra da rainha conta, não exclusivamente, com a eficácia da AZD1222. Além do Reino Unido, quase uma centena de outros países também apostam na Oxford/AstraZeneca.

Reino Unido

Um dos financiadores do desenvolvimento da AZD1222, o governo britânico reservou desde cedo uma fatia dos primeiros lotes que seriam produzidos. Investindo ao mesmo tempo nas pesquisas iniciais e na capacitação das fábricas locais, o Reino Unido colocou £65,5 milhões no desenvolvimento do imunizante - garantindo também 100 milhões de doses para a sua população.

Primeiro da Europa, o programa britânico de imunização em massa contra a Covid-19 foi iniciado em 8 de dezembro de 2020. 

Liberada para uso emergencial ainda em 2020, a Oxford/AstraZeneca foi aplicada pela primeira vez em 4 de janeiro de 2021.

União Europeia

O Comitê para Medicamentos de Uso Humano (CHMP), órgão atrelado à Agência Europeia de Medicamentos, autorizou o uso emergencial da Oxford/AstraZeneca no dia 29 de janeiro de 2021

A União Europeia negociou em bloco a aquisição de lotes da AZD1222, reservando 400 milhões de doses ao preço de US$ 2,15 por dose - valor abaixo do que foi pago por outros países.

Estados Unidos

Apesar de ter investido desde cedo no desenvolvimento da Oxford/AstraZeneca, alocando US$ 1,2 bilhão para auxiliar a produção e garantir acesso a 300 milhões de doses, os Estados Unidos ainda não aplicaram a AZD1222 em nenhum de seus cidadãos

Os estudos clínicos realizados no país não tiveram resultados publicados e, por conta disso, a AstraZeneca ainda não enviou ao US Food and Drug Administration (FDA) o pedido de uso emergencial de sua vacina.

Brasil

Um dos países que promoveu testes em fase 3 da Oxford/AstraZeneca, o Brasil autorizou em 17 de janeiro de 2021 o uso emergencial dessa vacina, que imediatamente começou a ser utilizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). 

Em 12 de março de 2021, a AZD1222 recebeu o registro definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para suprir a demanda no início do plano de vacinação, o governo federal importou da Índia, por R$ 60 milhões, 2 milhões de doses prontas da Oxford/AstraZeneca. Ao todo, o Brasil contratou 112,4 milhões de doses da AZD1222 - que serão produzidas nacionalmente pela Fiocruz.

Estima-se que, pelo menos nos primeiros 4 meses de vacinação em massa, o uso da Oxford/AstraZeneca se restringiu a 20% das aplicações totais nos brasileiros.

Com oferta em maior número e entregas mais constantes, o programa de combate à Covid-19 no Brasil utiliza, em 80% dos casos, a vacina CoronaVac, criada pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida em parceria com o Instituto Butantan.

Mundo

A Oxford/AstraZeneca recebeu o aval de uso emergencial da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso coloca o imunizante dentro do Covax Facility, consórcio criado para garantir que países pobres tenham acesso a vacinas contra a Covid-19. 

O Acesso Global a Vacinas contra a Covid-19, como é chamado formalmente o Covax, é uma iniciativa que une a OMS e a Unicef ao Banco Mundial e a coalizões filantrópicas como Gavi e CEPI. 

O projeto prevê que entidades e 98 países financiem a compra e distribuição de imunizantes para 92 nações com baixas receitas.