Péricles transforma poema de Carlos de Assumpção em música em homenagem ao Dia da Consciência Negra; ouça

Especialmente para o Dia da Consciência Negra, celebrado neste domingo, 20 de novembro, Péricles fez um lançamento especial. Ele pegou um poema de Carlos de Assumpção, considerado um dos decanos da literatura afro-brasileira, e o transformou em música.

"Eclipse" diz assim: "Olho no espelho / E não me vejo / Não sou eu / Quem lá está". Ouça abaixo.

O paulista Carlos de Assumpção, de 95 anos, neto de escravizados, é comparado a grandes nomes da poesia, como Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade, mas é chamado de "poeta invisível", por não ter seu trabalho reconhecido como deveria.

— A história de um homem extraordinário como a do Carlos de Assumpção era para ser conhecida por todos nós brasileiros. Era para ser ensinada nas escolas, assim como é feito com outros autores igualmente importantes para a história do nosso país. Espero que através dessa homenagem, seus poemas ecoem pelos quatro cantos do Brasil e as pessoas descubram essa joia, essa raridade chamada Carlos de Assumpção. Foi emocionante ter a oportunidade de musicar um dos seus poemas — afirma Péricles, que, no início de novembro, foi até a cidade paulista de Franca conhecer Carlos de Assumpção pessoalmente.

O escritor paulista é ícone da representatividade da cultura e da luta da população negra brasileira contra o racismo. É poeta, professor do ensino fundamental, advogado e doutor honoris causa pela UFRJ. Ele cresceu ouvindo histórias da escravidão contadas pelo avô, que foi beneficiado pela Lei do Ventre Livre.

Carlos de Assumpção segue escrevendo. Atualmente, ele usa meios digitais para espalhar sua obra. Incluindo um número de WhatsApp, pelo qual compartilha seus poemas para listas de transmissão e contatos.

O encontro de Péricles e Carlos de Assumpção, que aconeceu na Casa de Cultura de Franca, virou um minidocumentário. Assista abaixo.