Público anima o Bloco da Favorita com fantasias inusitadas e criativas

Arthur Leal
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Fantasia e lucro: Eron Neves Rodrigues vende papel higiênico próximo aos banheiros químicos

RIO — O Bloco da Favorita abriu oficialmente os "50 dias de carnaval" carioca com show na Praia de Copacabana, Zona Sul do Rio, neste domingo. Enquanto passam pelo palco nomes como Sandra de Sá, Preta Gil, Tony Garrido e MC Marcinho, na plateia tem um espetáculo a parte com fantasias inusitadas e criativas.

No meio da multidão, em frente ao palco, um objeto enorme ainda mais brilhante que as fantasias coloridas chamava atenção: uma Taça Libertadores. Após o ano pra torcedor nenhum esquecer do Flamengo, a camisa do rubro-negro tem dividido lugar e batido de frente com as fantasias. A cada passo, Pedro Fonseca, de 24 anos, morador de Niterói, é parado para emprestar o troféu para alguém registrar uma foto.

— Essa é a fantasia do carnaval esse ano! Foi um ano magico de sucesso e conquistas para o Flamengo, então é inevitável. Isso aqui é inspiração para o carnaval também! No mínimo umas vinte pessoas já me pararam pra tirar foto com a taça (risos). Serão 50 dias sem largar a taça.

Não muito longe dali, dois amigos tentam juntar uma graninha vendendo sacolé. A ideia para chamar atenção da clientela? Vestir-se de dinossauro.

— A gente estava afim de juntar uma grana, o carnaval estava chegando, a gente estava com a ideia de vender sacolé e tínhamos essa fantasia engraçada de dinossauro, então unimos o útil ao agradável e criamos o sacolé do dino. Um é 4, 3 é 10 e o dinossauro chamando o pessoal. O diferencial é o dinossauro, claro, todo mundo para tirar foto, fica boquiaberto — conta o estudante Marcio Filho, de 18 anos, pousando ao lado do amigo. Os dois vieram de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade.

O Bloco da Favorita também foi uma boa — e criativa — oportunidade de negócio para Eron Neves Rodrigues, de 22 anos, morador de São Gonçalo, região metropolitana da cidade. O rapaz vestiu uniforme, placa e luvas e resolveu vender papel higiênico por R$ 1 em frente aos banheiros químicos colocados pela prefeitura. A ideia virou um sucesso.

— Ano passado eu vi um empreendedor postando e pensei: que massa! Vi as pessoas comentando... 'mas ele estava sem luva, sujo, não tava bem arrumado' e eu transformei a ideia nisso que vocês podem ver. Tá fluindo! A galera está comprando! — conta o estudante da UFF, sorrindo atoa.

Numa esquina próxima, um outro homem, mais velho, estava com a mesma placa. O rapaz explica: convenceu seu pai a embarcar na ideia. Que, ele conta, está dando muito certo.

— Hoje foi uns R$ 70 ou R$ 80. Mas fiquei só neste ponto, o outro estava mais muvucado.

Acho que a prefeitura errou nesse ponto de botar um do lado do outro no meio da calçada, mas tá tudo bacana! — conclui.

Nem todo mundo, claro, foi ao bloco com o intuito de ir à caça de beijos. Dois casais em meio à folia já encontraram seu par. Não que isso não seja um problema. Ou dois.

— Eu vi nas redes sociais, gostei e aderi. Eu sou o problema e ele tem que aceitar! (risos) — conta Rafaela Camargo de 26 anos, par do André Luiz. Ela também conseguiu convencer os amigos Camila Ferreira e Gladson Leandro. O grupo veio de Bangu, na Zona Oeste do Rio, carregando este problemão.