PMs que mataram jovens com 50 tiros são absolvidos em São Paulo

Momento que PMs mataram jovens com 50 tiros foi gravado por testemunha e compartilhado nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Momento que PMs mataram jovens com 50 tiros foi gravado por testemunha e compartilhado nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
  • PMs alegavam legítima defesa, mas vítimas nunca dispararam

  • Réus afirma que jovens estavam em carro roubado

  • Grupo Tortura Nunca Mais critica decisão da Justiça

Dois policiais militares envolvidos na morte de dois suspeito de roubo foram absolvidos pela Justiça nesta segunda-feira (1º), em São Paulo. O caso ocorreu em 9 de junho de 2021, na Zona Sul da capital e a ação dos agentes foi filmada por uma testemunha, que compartilhou o vídeo nas redes sociais.

Os PMs foram julgados no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital. O sargento André Chaves da Silva e o soldado Danilton Silveira da Silva foram inocentados do crime de duplo homicídio qualificado, por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Felipe Barbosa da Silva, de 23 anos, e o estudante Vinicius Alves Procópio, de 19, estavam dentro de um carro estacionado quando foram atingidos com cerca de 50 tiros pelos policiais. Os agentes alegaram legítima defesa, mas Felipe e Vinícius não realizaram disparos. Ainda de acordo com os réus, as vítimas estavam em um veículo roubado, mas isso não foi comprovado.

O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 3ª Vara do Júri, determinou que os réus fossem liberados. Eles estavam no presídio militar Romão Gomes.

André e Danilton também foram denunciados pelo Ministério Público por fraude processual, por terem ‘plantado’ armas no carro das vítimas. A acusação não foi aceita à época por falta de provas.

As famílias dos jovens lamentaram a situação. "Ele nunca foi de fazer esse tipo de coisa. Para mim foi assim uma surpresa muito, muito grande", disse a mãe de Vinícius.

"Meu marido me ligou falando que os policiais iriam matar ele e desligou o telefone desesperado. Eu só ouvi os tiros", contou a viúva de Felipe.

O caso foi acompanhado pelo Grupo Tortura Nunca Mais. O presidente, o advogado Ariel de Castro Alves, argumenta que a versão dos policiais não se sustenta.

"Essa absolvição é vergonhosa. Foi um verdadeiro fuzilamento realizado pelos PMs. A competência do Júri popular pra julgar esses casos precisa ser revista urgentemente. Os jurados, que em geral são comerciantes, profissionais liberais e funcionários públicos, temem retaliações dos policiais no caso de condená- los", disse ao portal G1. "Ou atuam e julgam conforme o 'senso comum' de que 'bandido bom é bandido morto'. E isso vira uma licença pra polícia matar. Que pode atingir suspeitos de crimes, mas também atinge inocentes. O papel dos policiais é de cumprirem as leis vigentes e não saírem matando como sádicos assassinos, fuzilando suspeitos de crime, como aparentemente ocorreu nesse caso."

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