Países avaliam ‘recado conjunto’ para acalmar mercados, diz secretário do Tesouro

Manoel Ventura

BRASÍLIA — O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse nesta segunda-feira que a equipe econômica está conversando com outros países, e que esses governos podem dar uma resposta conjunta à crise, em meio a um dia de caos no mercado financeiro global. Mansueto não informou quais países estão conversando, e nem disse o que esses governos podem apresentar em conjunto.

— Tem vários países com a intenção de dar um recado conjunto, de acalmar em conjunto os mercados — afirmou, acrescentando: — O que a gente tem escutado de alguns outros países é um desejo de todos os países de alguma forma darem um recado conjunto. Não sei quem vai organizar isso.

Mansueto afirmou que há uma percepção entre os governos de que a reação das bolsas foi exagerada. Ele ressaltou que ainda é cedo para avaliar a duração da crise e é preciso esperar.

— A gente está falando com o restante do mundo para ver como eles estão reagindo. A gente está se telefonando para ver o que está acontecendo lá e ver como eles estão reagindo. Todo mundo acha que é exagerado, mas é um movimento de mercado. Esses movimentos de mercado, quando começam, eles têm correção automática — disse o secretário.

O secretário do Tesouro afirmou ainda que a principal preocupação da equipe econômica é com a arrecadação. Além da União, estados e municípios devem sofrer os impactos de uma receita menor com royalties de petróleo, diante do queda nos preços da commodity.

— O efeito maior, que traz risco, é a arrecadação. Se isso for um choque permanente, com efeito duradouro muito forte, poderia ter impacto de arrecadação. E também efeito no crescimento. Uma situação como essa, o mercado financeiro pode começar a contaminar a economia real — disse o secretário.

O governo esperava para esse ano uma receita de R$ 68 bilhões com royalties de petróleo. A conta foi feita tendo como base uma barril de petróleo valendo US$ 59 na média do ano. Nesta segunda-feira, o barril fechou cotado a US$ 34.

Mansueto descartou qualquer alteração no teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas da União.

— Algumas pessoas estão colocando que tem que flexibilizar o teto. Não, o problema agora é garantir que vai ter arrecadação — reforçou, acrescentando: — As medidas que o Brasil vem implementando, estão na direção correta. Investimento público não é apertar um botão e começar investir na próxima semana.

A equipe econômica terá ainda que lidar com o corte nas estimativas de crescimento da economia. Uma das consequências naturais desses movimentos é o bloqueio de recursos dentro do Orçamento para compensar a frustração de receitas.

Os técnicos estão concluindo as estimativas de quanto pode perder de arrecadação. Os técnicos do Ministério da Economia aguardam movimentos mais claros de como a disputa entre Estados Unidos e Arábia Saudita vai se desenrolar e o impacto que isso terá nos valores do barril de petróleo nas próximas semanas.

Também há uma avaliação de que os preços do petróleo continuarão sendo impactados pelo novo coronavírus. O entendimento dos técnicos é que a demanda global pelo produto tende a continuar em baixa e pode fechar o ano em retração, na comparação com 2019. Isso porque haveria uma redução nas viagens internacionais, além de mais pessoas no mundo decidirem por ficar em casa, reduzindo a demanda de combustíveis.