Países da UE buscam evitar nova crise migratória, agora com origem no Afeganistão

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O comissário para a proteção do modo de vida europeu, Margaritis Schinas, fala à imprensa ao chegar na reunião de ministros do Interior da UE sobre o Afeganistão, em 31 de agosto de 2021, em Bruxelas (AFP/François Walschaerts)

Os ministros do Interior dos países da União Europeia (UE) debateram nesta terça-feira (31) em Bruxelas como prevenir uma onda migratória de afegãos que fogem dos talibãs. Assim, adotaram uma declaração em que defendem a ajuda aos países vizinhos do Afeganistão.

O retorno do Talibã ao controle do Afeganistão levantou temores generalizados de um êxodo em massa descontrolado e os países europeus procuram evitar uma nova onda de migração como a que viveram em 2015.

Ao chegar à reunião em Bruxelas, o ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, deu o tom geral do encontro ao dizer que a política do bloco é fazer com que essas "pessoas permaneçam perto de casa", ou seja, nos países vizinhos.

Em 2015, a Alemanha recebeu um milhão de migrantes fugindo do sangrento conflito na Síria, em uma decisão que pegou de surpresa os países do bloco, que agora buscam evitar que esse quadro se repita.

Por isso, Seehofer pressionou a Comissão Europeia para que elabore "rapidamente" um plano de apoio aos países vizinhos do Afeganistão, de acordo com sua disponibilidade para aceitar e cuidar dos refugiados afegãos.

A UE já adotou um plano semelhante com a Turquia em 2015, de forma que esse país funcionasse como uma barreira e recebesse em seu território migrantes - especialmente os que fugiam do conflito sírio - em troca de uma substancial ajuda financeira.

O ministro do Interior francês, Gerald Darmain, disse nesta terça que "o modelo turco-sírio é bom para os refugiados", portanto, a "França vai sugerir que esse modelo seja estendido" ao caso afegão.

No entanto, a comissária europeia de Assuntos Internos, Ylva Johansson, alertou nesta terça que não seria apropriado simplesmente "copiar e colar" os mecanismos do acordo com a Turquia.

"Precisamos apoiar os países vizinhos [do Afeganistão], mas tem que ser com ajudas projetadas de modo específico", afirmou.

- Segurança -

Por sua vez, o chanceler de Luxemburgo, Jean Asselborn, não poupou críticas a alguns países da UE, em especial à Áustria e à Eslovênia, pois, em sua opinião, "fazem tudo o que podem para impedir que os refugiados cheguem à Europa".

"É verdade que não podemos aceitar todos eles, mas pelo menos um certo número", argumentou.

Na declaração emitida ao final da reunião de ministros, os países destacaram que estão “determinados a atuar de forma conjunta para prevenir um novo movimento migratório descontrolado, ilegal e em larga escala”.

Nesse sentido, Johansson disse ao fim do encontro que “se os talibãs vierem a ser o mesmo tipo de Talibã que já vimos no passado, há um enorme risco de crise”.

Representantes de vários países também expressaram suas preocupações em termos de segurança e na declaração prometem "fazer todo o possível para garantir que a situação no Afeganistão não gere novos riscos de segurança para os cidadãos da UE".

Por essa razão, no esboço enfatizam "a execução oportuna de controles de segurança sobre os evacuados do Afeganistão".

Como ministros do Interior, "nossa principal responsabilidade é proteger os cidadãos da UE de ataques terroristas", afirmou o ministro esloveno Ales Hojs, cujo país detém a presidência rotativa da UE.

Enquanto isso, organizações de direitos humanos criticaram a abordagem do bloco. A Oxfam, por exemplo, acusou os governos europeus de "lavar as mãos de sua obrigação internacional de fornecer refúgio para aqueles que buscam segurança e descarregá-la em outros países".

A Anistia Internacional também instou os países da UE a não "transferirem a responsabilidade pela proteção dos refugiados para países terceiros".

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