Países dos Bálcãs indignados com bloqueio às suas aspirações de aderir à UE

Líderes dos países dos Bálcãs Ocidentais criticaram duramente a União Europeia (UE) nesta quinta-feira (23) pelo interminável processo de adesão ao bloco, em uma situação agravada pela intenção dos 27 de dar à Ucrânia o status de candidata.

Macedônia do Norte, Albânia, Montenegro e Sérvia esperam há vários anos, sem grandes avanços na adesão à UE, o mesmo bloco que não esconde sua pressa em conceder o status de país candidato à Ucrânia e à Moldávia.

A Macedônia do Norte é candidata formal à adesão desde 2005, Montenegro desde 2010, Sérvia desde 2012 e Albânia desde 2014. Líderes da UE e dos Balcãs Ocidentais realizaram uma reunião em Bruxelas nesta quinta-feira, que terminou sem que seja possível verificar qualquer progresso.

"Não obtivemos nada", resumiu Alexandar Vucic, presidente da Sérvia, após a reunião. Enquanto isso, o primeiro-ministro albanês Edi Rama disse que a situação atual é "verdadeiramente muito, muito preocupante".

"Sinto muito pela UE", acrescentou. Dimitar Kocavski, primeiro-ministro da Macedônia do Norte, por sua vez, disse que o quadro atual "é um golpe muito forte na credibilidade da UE".

Chegando à reunião, o líder albanês saudou a UE concedendo à Ucrânia o status de país candidato à adesão, mas alertou Kiev para não pensar que seria um processo rápido.

"Bem-vinda, Ucrânia. É bom que a Ucrânia tenha o status [de país candidato]. Mas espero que os ucranianos não tenham ilusões", disse ele.

- "Levará tempo" -

Essas candidaturas colidem com o veto da Bulgária, que mantém uma disputa acirrada com a Macedônia do Norte.

Na opinião de Rama, o veto da Bulgária é "uma vergonha", lamentando que o resto dos países da UE "permaneçam sentados impotentes".

O primeiro-ministro da Bélgica, Alexander de Croo, salientou que a adesão dos novos parceiros "vai demorar".

Enquanto isso, o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, disse que "os Estados e os cidadãos dos Balcãs Ocidentais esperam há 20 anos pela possibilidade de se tornarem membros da UE. É importante que esta promessa seja credível".

Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que a UE enfrenta um "momento decisivo" ao discutir a candidatura de adesão da Ucrânia e da Moldávia, embora tenha acrescentado que o bloco quer "reenergizar" suas relações com os Balcãs.

O presidente do Kosovo, Vjosa Osmani-Sadriu, alertou a UE sobre a influência de "outros atores" na região dos Balcãs (referindo-se à Rússia, China e Turquia) caso a adesão não se torne efetiva.

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