Países ocidentais alertam para risco de atentado no aeroporto de Cabul

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Passageiros embarcam em avião militar americano no aeroporto de Cabul em 24 de agosto de 2021
Passageiros embarcam em avião militar americano no aeroporto de Cabul em 24 de agosto de 2021
  • Fuga de afegãos após volta dos Talibãs ao poder continua no país

  • No total, quase 90 mil deixaram o país desde que os extremistas islâmicos assumiram o controle do país

  • Prazo dado pelos EUA para conclusão da operação de retirada de soldados, que têm feito a segurança do aeroporto, é de 31 de agosto

Estados Unidos, Austrália e Reino Unido pediram a seus cidadãos que abandonem imediatamente a área do aeroporto de Cabul devido à ameaça terrorista contra o local, a única porta de saída do país para milhares de afegãos que tentam, desesperados, embarcar nos voos de retirada organizados pelos países ocidentais.

Quase 90.000 afegãos e estrangeiros foram retirados do país desde que o movimento fundamentalista Talibã retomou o poder em 15 de agosto, mas ainda há uma multidão reunida dentro e ao redor do aeroporto.

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O desespero aumenta com a redução dos voos disponíveis para a saída do país e a aproximação do prazo de 31 de agosto estabelecido pelo presidente americano Unidos, Joe Biden, para a conclusão das operações e a retirada dos soldados que são responsáveis pela segurança no aeroporto.

Para aumentar o desespero, os governos dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália divulgaram alertas simultâneos sobre o risco de ataques terroristas na área do aeroporto e pediram a seus cidadãos que não se aproximem do local.

O Departamento de Estado americano citou "ameaças de segurança", mas não revelou sua origem nem a natureza.

O ministro da Defesa da Austrália, Andrew Hastie, declarou que o "risco de um ataque suicida com explosivos é muito elevado".

Nesta quinta-feira, o governo britânico afirmou que a ameaça é "grave e iminente", ao mesmo tempo que pediu a seus cidadãos que evitem a área do aeroporto. Londres indicou que as operações de retirada não foram suspensas e que voos serão organizados durante a jornada.

Corrida contra o tempo

Passageiros em fila para embarcar em avião militar americano no aerporto de Cabul, Afganistán, em 24 de agosto de 2021
Passageiros em fila para embarcar em avião militar americano no aerporto de Cabul, Afganistán, em 24 de agosto de 2021

"Há milhares de pessoas que ignoram a advertência de manter distância do aeroporto", disse o secretário de Estado britânico das Forças Armadas, James Heappey.

"Estamos fazendo o que podemos para garantir a segurança daqueles que não saíram do país", completou, antes de destacar que o Reino Unido não tem tropas suficientes para seguir até a cidade e tentar abortar a ameaça de atentados.

A multidão reunida no aeroporto provocou cenas de caos e pelo menos oito pessoas faleceram no tumulto. Alguns afegãos que aguardam no local têm passaportes, vistos estrangeiros ou reúnem condições para viajar, mas a maioria não.

Vários países aceleram os planos de retirada com a atenção voltada para o dia 31 de agosto. Os governos da Holanda e da Bélgica anunciaram que suspenderão as retiradas de Cabul e a França confirmou que seu voos serão concluídos na sexta-feira à noite.

A Turquia anunciou na quarta-feira que começou a retirar seus mais de 500 soldados não combatentes do país, o que parece descartar a possibilidade de que o país assuma a segurança do aeroporto de Cabul após a saída das tropas dos Estados Unidos.

A ameaça do Estado Islâmico

Vários países solicitaram aos Estados Unidos o adiamento da retirada do Afeganistão para permitir a saída de todos os estrangeiros e afegãos sob sua proteção, mas Washington negou a solicitação.

Entre os motivos, Biden apontou a "aguda" ameaça terrorista do braço regional do grupo extremista Estado Islâmico (EI), responsável por alguns dos ataques mais violentos no Afeganistão e Paquistão nos últimos anos.

O EI massacrou civis nos dois países em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ter executado ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges, incluindo os xiitas.

Embora o EI e o Talibã sejam sunitas de linha radical, os dois grupos são rivais.

O EI criticou o acordo entre EUA e Talibã que em 2020 estabeleceu as diretrizes para a retirada das tropas estrangeiras e acusou os talibãs de abandonar a causa jihadista.

Desde que o movimento assumiu o poder em Cabul, vários grupos jihadistas felicitaram o Talibã, mas não o EI.

Em seu retorno ao poder, os talibãs prometeram uma mudança em comparação com o regime imposto entre 1996 e 2001, quando aplicaram uma interpretação muito rigorosa e radical da lei islâmica.

Apesar da oposição radical à extensão do prazo para a retirada das tropas estrangeiras do aeroporto, o Talibã se comprometeu a permitir a saída dos estrangeiros e afegãos em situação de risco após 31 de agosto.

"Os talibãs se comprometeram, em público e em privado, a administrar e permitir uma passagem segura a americanos, outros estrangeiros e afegãos em risco no futuro, depois de 31 de agosto", disse o secretário de Estado americano, Antony Blinken.

Um diplomata alemão responsável por negociar com os talibãs, Markus Potzel, afirmou que recebeu garantias similares de um dos líderes do movimento islamista.

Muitos afegãos, no entanto, temem o retorno ao regime anterior, com represálias violentas contra os que trabalharam para militares estrangeiros, missões ocidentais ou o governo anterior.

A preocupação é ainda maior entre as mulheres, que foram proibidas de estudar e trabalhar entre 1996 e 2001. Durante o governo anterior dos talibãs, elas só eram autorizadas a sair da casa com um acompanhante masculino.

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