Países da Otan concordam que Washington pague menos no orçamento da Aliança

O presidente francês Emmanuel Macron (1º-D) e o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Jean-Yves Le Drian (2º-D), se encontram com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, no palácio do Eliseu, em Paris

Os países-membros da Otan chegaram a um acordo que permite aos Estados Unidos reduzir sua contribuição ao orçamento de funcionamento da Aliança, mas a França se nega a participar no esforço solicitado, anunciaram nesta quinta-feira responsáveis da Aliança.

Os Estados Unidos pagam atualmente 22,1% do orçamento da Otan - que ultrapassa 2,5 bilhões de dólares (2,37 bilhões de euros) em 2019 - e a Alemanha 14,7%, segundo uma fórmula baseada no produto nacional bruto de cada país. A França aporta 10,5% do orçamento.

O acordo permite aos Estados Unidos reduzir sua contribuição em 16,35% do total. A Alemanha elevará a sua para o mesmo nível, e os demais aliados, com exceção da França, estão dispostos a pagar mais.

A recusa da França em aderir a este acordo obrigou os demais aliados a revisar a repartição do esforço, explicaram os responsáveis.

A repartição dos gastos militares será um tema controverso na cúpula, prevista para 3 e 4 de dezembro em Londres, já que os Estados Unidos consideram insuficientes os esforços realizados pelos demais aliados, afirmam as delegações europeias.

Os 29 países da OTAN se comprometeram em 2014 a aumentar seu gasto em defensa para 2% de seu PIB para 2024.

Oito países alcançaram essa meta em 2019: Estados Unidos, Grécia, Estônia, Lituânia, Letônia, Reino Unido, Romênia e Polônia. A França garante que a atingirá em 2025.

Já a Alemanha se compromete a alcançar "no início da década de 2030". Seu orçamento de defesa aumentou e espera-se que ascenda a 50,3 bilhões de euros em 2020, o que representa 1,42% de seu PIB.

Neste contexto, o presidente francês Emmanuel Macron assumiu nesta quinta suas controversas declarações sobre a Otan, que ele descreveu recentemente em "estado de morte cerebral", e pediu à aliança militar que se concentre em questões estratégicas, particularmente na luta contra o terrorismo.

"Assumo totalmente", afirmou o chefe de Estado francês após uma reunião de uma hora com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, no palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

Os dois homens disseram estar determinados a "garantir o sucesso" da cúpula dos líderes dos 29 países membros da Otan, que será realizada na próxima semana em Londres, por ocasião do 70º aniversário da Aliança Atlântica.

A preparação desta reunião, na qual o americano Donald Trump participará, enfrenta turbulência desde que Macron disse em 7 de novembro em uma entrevista ao The Economist que a Otan está em "morte cerebral".

Essa crítica foi denunciada em Washington, Berlim, Londres, Varsóvia e Ancara.

Quando perguntado sobre seus comentários, Macron explicou que os havia feito depois de constatar "uma desconexão flagrante e inaceitável" nas duas últimas cúpulas da Otan, que "apenas se dedicaram a encontrar maneiras de reduzir o custo financeiro para os Estados Unidos".

Enquanto isso, questões estratégicas sobre "a paz na Europa, a relação com a Rússia, a questão da Turquia", bem como a luta contra o terrorismo, não foram "resolvidas", acrescentou.

Em resposta, Jens Stoltenberg assegurou que a Otan modernizou sua doutrina e modus operandi, ao mesmo tempo em que reforça seus meios de ação, especialmente no leste europeu.

Mas, insistiu, em seu estado atual, a União Europeia sozinha "não está em condições de defender a Europa e não pode substituir a Aliança Atlântica".