Países ricos têm maior acesso às vacinas contra a Covid-19, e os mais pobres ficam para trás

Rafael Garcia
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SÃO PAULO — Com 7,7 bilhões de doses de vacinas para Covid-19 já tendo sido encomendadas mundo afora, a quantidade de ampolas prometidas já é praticamente igual ao número de habitantes do planeta. Isso não significa, porém, que em 2021 haverá imunizantes suficientes para proteger toda a população global, principalmente por causa da desigualdade.

Em primeiro lugar, a maioria das vacinas à beira de ganhar aprovação para uso requer duas doses para imunização efetiva, então é preciso dobrar a quantidade. Em segundo, os países mais ricos estão abocanhando um quinhão maior da produção de vacinas prevista para o primeiro semestre. Além disso, muitos dos contratos assinados por governos com os desenvolvedores das vacinas reservam produtos que ainda não foram fabricados e nem sequer aprovados para comercialização.

Esse é o cenário revelado pelo projeto Launch & Scale Speedometer, da Universidade Duke, da Carolina do Norte (EUA), que mapeou todas as negociações para pré-aquisição de vacinas de Covid-19 no mundo divulgadas até a semana passada.

Parte do problema da desigualdade se reflete no fato de a Covax, consórcio ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS) para distribuição equânime de imunizantes da Covid-19, estar ainda muito aquém da meta. Nesse vácuo de oferta, Rússia e China estão se valendo de seu papel de desenvolvedores para expandir sua influência geopolítica em contratos com países em desenvolvimento.