Pabllo Vittar comanda festival online para arrecadar doações para ONGs LGBTI+

Raphaela Ramos

Durante o isolamento domiciliar necessário para conter o avanço da Covid-19, as lives se tornaram uma nova tendência. Nesta quinta-feira (30), a representatividade LGBTI+ será reverenciada em uma delas. O Festival do Orgulho Live acontece às 21 horas, no canal do Youtube da Pabllo Vittar. Além da cantora, também participam do show Aretuza Lovi, Pepita, Urias, Matheus Carrilho e a drag queen TchaKa, que apresenta a live.

O festival, promovido pela agência Mynd com patrocínio da cerveja Amstel e do aplicativo Ame Digital, também é uma ação solidária. Durante as apresentações, o público poderá fazer doações que serão revertidas para ONGs que auxiliam a população LGBTI+ em situação de vulnerabilidade, escolhidas por meio de curadoria da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

— O meu principal objetivo, além de poder ajudar a arrecadar doações para as instituições, é levar alegria e entretenimento para quem está em casa nesta quarentena. Fico feliz em usar a minha música para ajudar as pessoas — afirma Pabllo Vittar.

A cantora também conta estar orgulhosa em ver que a sociedade está se mobilizando para auxiliar os grupos que precisam de mais ajuda nesse momento de crise:

— Espero que esse engajamento aumente e o sentimento de solidariedade continue mesmo após o fim da quarentena — diz.

A apresentadora TchaKa conta estar animada com o festival. Ela defende que as lives são muito importantes nesse período, e as define como "pílulas de felicidade durante a pandemia".

— O festival é a união de várias cabeças pensantes para o bem comum de pessoas em vulnerabilidade. Vamos usar de muita música, arte e emoção. O que a gente espera é poder tocar o coração das pessoas e fazer com que elas entendam que nesse momento é importante ficar em casa, mas que a gente também pode se divertir. A arte constrói pontes para que possamos despressurizar, viajar e esquecer os momentos ruins — afirma.

A artista, que este ano completa 20 anos de carreira e é conhecida como "rainha das festas", também defende que o orgulho LGBTI+ precisa ser mais mostrado e explorado no Brasil.

— A gente fala com uma galerinha muito jovem, às vezes lá no interior de Minas, do Piauí, que às vezes nunca ouviu falar sobre LGBT mas se identifica com a música, com o visagismo e com a imagem do artista e fala: "nossa, eu sou assim, eu tenho orgulho de ser assim, através do que estou vendo" — diz.

Para Aretuza Lovi, que também se apresenta do evento, a representatividade no universo artístico também é uma questão importante.

— Se você ver as grandes lives que estão sendo feitas, a grande maioria é muito heteronormativa. Por mais que música não tenha gênero, acaba atraindo muito esse público e os nossos fãs sentem falta da representatividade. O festival é um ato de militância no meio disso tudo. Além da pandemia estamos em um governo super bagunçado, e somos muitas vezes considerados uma minoria, mas essa live vai mostrar que somos grandes. A nossa música vem para quebrar barreiras, ela é feita para todos e todo mundo é muito bem-vindo — afirma.

A cantora também destaca a importância das doações que serão arrecadadas durante as apresentações:

— A gente sempre tem que ajudar, independente do momento, mas nesse período atual muitas pessoas estão sem trabalhar e temos muitos LGBTQIA+ em situações precárias. Já é tão difícil ser LGBTQIA+ na sociedade em que a gente vive. Temos que nos unir, agora com um olhar e uma empatia ainda maior — defende.

Aretuza Lovi conta estar sentindo muita falta de estar nos palcos e ter contato com o público. Ela também promete novidades em sua apresentação, e revela que repertório foi definido com a ajuda dos fãs.

— Foi muito legal a escolha desse repertório porque eu interagi com meus fãs, postei nas redes sociais perguntando o que queriam que eu tocasse e a gente fez uma curadoria e preparou com muito carinho. Vão ser só músicas minhas, algumas do meu álbum Mercadinho e outras, que nunca toquei em shows, e vão ser cantadas pela primeira vez. Estou com frio na barriga — ela conta, e deixa um recado final: — Quero deixar a mensagem de que as pessoas fiquem em casa nesse momento e tenham consciência de que cuidar de sua vida é também cuidar dos outros.