O gaúcho que foi à Espanha com 5 euros e hoje vive do padel, o esporte que virou mania entre atletas

Pablo Lima durante torneio de Padel. Foto: Carlos Palma/NurPhoto via Getty Images


Por Fernando Del Carlo

O gaúcho Pablo Lima, que vive em Bilbao, Espanha, será um dos protagonistas da etapa do mundial/tour de Padel, a ser disputada pela primeira vez no final do ano no Brasil. Líder, senão um dos top 10 do ranking mundial, ao lado do ex-parceiro, o argentino Fernando Belasteguin, espera contagiar o público e expandir os horizontes de conhecimento da modalidade. O padel se joga em duplas, com raquetes, bolinha e entre paredes (de blindex ou vidro). É esporte que a bola não para, segundo o ex-tenista Fernando Meligeni, um praticante do esporte. A competição, que se estaca pelo efeito-interação das paredes, tem no canhoto Pablo um colecionador de títulos como o mais recente em Valencia com o novo parceiro.

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Já sobre as apresentações por aqui, prometem grandes exibições no ginásio do São Paulo Futebol Clube, no Morumbi (zona sul) da capital paulista. Será um convívio muito próximo do público com atletas do background de Pablo - que aprendeu a jogar com o pai na infância no sul do País. Do esporte local, Lima decidiu rumar à Espanha com apenas 18 anos e grana curta. Mas veio a provação. Deu aulas, se profissionalizou até manter-se do padel. Ano passado, especulava-se ter faturado seu milhão incluso alguns patrocínios.

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Pablo carrega o status de representar o segundo esporte mais querido na terra do rei Juan Carlos e também dos argentinos, os Hermanos exímios ‘padelistas’. Até o craque da seleção canarinho, Neymar, quando defendeu o Barça, se aventurou no esporte ao brincar com o filho David Luca. Além dele, o ex-jogador do time catalão Puyol e o boleiro francês Pogba também deram suas “raquetadas”.

É esclarecedor diferenciar que o padel não é tênis, nem segue o squash, mas a galera se empolgará com os rallys disputados com raquetes e bolas próprias das duplas. Os matches acontecem em campo retangular de 20 metros de comprimento por dez de largura. O diferencial é a interação das paredes, uma vez que recolocam a bola em jogo, o que dá mais emoção e dinamismo à disputa do ponto. Atraindo amadores, o esporte tem se tornado também opção de lazer. Graças ao fácil aprendizado. Além de não haver rigor na condição física, ou necessidade do alto desempenho técnico.

A quadra fechada permite que as paredes de trás, ou a dos lados, sejam utilizadas durante os jogos de forma a impulsionar a bola parecida com a do tênis.

Segundo a organização, o campeonato tem alto nível de atletas e possui a pontuação igual ao tênis. O piso nos jogos alterna-se em grama sintética ou carpete específico. O evento em São Paulo prevê 27 jogos e maratona de 60 horas de competições, com 28 duplas masculinas duelando entre 19 e 24 de novembro. São aguardadas 1500 pessoas por dia.

Curiosidades

Pelos idos de 1890, passageiros ingleses aventuraram-se em navios ao adaptar o jogo de tênis nas dependências de bordo. O esporte em alto mar era disputado em quadra de dimensões menores e protegido por telas. Mas apenas em 1924, o padel aportou em terra com partidas comandadas pelo norte americano Frank Beal. Ele improvisou quadras nos parques nova-iorquinos. Época que foi batizado de padel-tênis.

Em hotel, no México, e depois com o príncipe espanhol Afonso de Hoenlohen expandiu-se o esporte na Europa. Apesar de o padel ter sido mais difundido entre os países de língua espanhola, foi trazido ao Brasil pelas mãos dos uruguaios e argentinos. Em 1988, a primeira quadra foi construída na cidade gaúcha de Jaguarão.

Pablo Lima durante torneio de Padel. Foto: Carlos Palma/NurPhoto via Getty Images

A seguir, a conversa com o canhoto Pablo Lima, agora parceiro do destro e madrileno Alejandro Galán.

Yahoo - Você teve influência europeia, dos argentinos ou gaúchos?

Pablo Lima - Pelo fato de ser gaúcho foi lá meu contato com o padel.

Yahoo - Qual sua sensação com o novo parceiro e o diferencial com o anterior?

Pablo Lima - Estou muito motivado e contente de poder jogar com o Alejandro. Ele tem jogo muito mais ofensivo que meu parceiro anterior. Além do quesito idade que ajuda, pois Galán tem 26 anos e eu 32. (Eles estrearam a parceria ganhando o Aberto de Valencia), vencendo Agustin Silingo e Tito Allemandi.

Yahoo - Qual é o País que melhor joga este esporte?

Pablo Lima - Vários: Argentina, Espanha e Brasil. No Brasil, os melhores são os gaúchos,

Yahoo - Há possibilidade de crescimento nacional?

Pablo - Sem dúvida, é questão de tempo.

Yahoo - O que acha deste evento no Brasil agora?

Pablo - A possibilidade de o Brasil apresentar um torneio destes é demais. O padel brasileiro deve agradecer aos promotores. Sei o quanto é complicado organizar uma etapa do WPT (World Padel Tour)

Yahoo – Este evento motiva, mas há necessidade de novas ações de marketing?

Pablo Lima - Sim, para o esporte ser mais conhecido. Reunir todos: confederação, jogadores, empresários e clubes.

Yahoo - Você tem um história de ter chegado com cinco euros na Espanha para depois disputar o esporte? Pode descrevê-la.

Pablo Lima - Cheguei com muito pouco recurso econômico, mas com muita vontade. Gastei grana na passagem e somente me sobrou cinco euros. Encarei. Com 18 anos a gente é mais valente e vai com tudo.

Yahoo - Como você se mantém, digo: o Padel lhe permite?

Pablo Lima – Com o padel aqui na Espanha e graças ao WPT tem cada vez mais jogadores que são 100% profissionais. Sou um deles. Apoiado por patrocinadores,

Yahoo - Ser canhoto, como você, privilegia o desempenho?

Pablo Lima – Sim, porque tu tens os dois jogadores com a mão boa no meio da quadra.

Yahoo - Qual seu ídolo no esporte ou outra modalidade?

Pablo Lima - Gosto muito do Guga e do Senna.

Yahoo – Como é sua rotina na Espanha?

Pablo Lima - Treino de segunda a sábado cerca de quatro horas por dia. Nas semanas que não sigo isto, viajo para aos torneios.

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