Pacheco afirma em posse que Lula tem nova chance de fazer 'mais e melhor'

***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  06-07-2022, O presidente do senado federal, Rodrigo Pacheco, chega ao senado e abre a sessão plenária de hoje. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, BRASIL, 06-07-2022, O presidente do senado federal, Rodrigo Pacheco, chega ao senado e abre a sessão plenária de hoje. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou ao dar posse a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o presidente da República terá uma nova chance de "fazer mais" e "fazer melhor", e que talvez essas tenham sido as eleições mais importantes da história.

"Nas eleições de 2022, a democracia brasileira foi testada e saiu-se vitoriosa. É possível que tenha sido o processo eleitoral mais importante de nossa história após a redemocratização. O tempo dirá", disse.

Pacheco afirmou que "a hora é de pacificação" e que Lula terá a difícil tarefa de unir o país, de desencorajar o revanchismo, coibir atos de violência, reestabelecer a verdade, fortalecer a liberdade de imprensa, honrar a Constituição Federal e venerar a democracia.

Disse também que o novo governo chega com desafios "complexos", como garantir de compromissos sociais e administrar com responsabilidade fiscal.

Em seu discurso, o senador defendeu a aprovação da reforma tributária e afirmou que o Parlamento atual é reformista e progressista —e demonstra preocupação com as mulheres, o combate ao racismo, e as causas ambientais.

Com a assinatura do termo de posse, Lula se torna oficialmente presidente do Brasil pela terceira vez, o primeiro a conquistar o feito, e retorna ao comando do Palácio do Planalto após oito anos.

O petista também é o primeiro brasileiro a derrotar um presidente que concorria à reeleição.

Pacheco foi eleito para comandar o Senado com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e passou o primeiro ano à frente do cargo se equilibrando entre petistas e bolsonaristas.

Na cerimônia de posse, o senador elogiou Lula e o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Afirmou que os dois são "homens públicos experientes, capazes e habilidosos" e que, por isso, "há um sentimento de renovada confiança".

Disse ainda que a união de dois antigos rivais, que se enfrentaram nas eleições de 2006, é um sinal claro de que os interesses do país estão "além e acima" de questões partidárias, e de que é preciso "é preciso unir forças pelo Brasil".

O presidente do Congresso destacou que o petista volta ao Palácio do Planalto com a experiência de oito anos de mandato, "que se destacaram pela inclusão social, pelo crescimento econômico, pelo respeito às instituições".

O senador decidiu ficar neutro nas eleições, mas se aproximou de Lula durante a campanha e deve contar com a base do petista para derrotar o senador eleito Rogério Marinho (PL-RN).

Aliados do mineiro afirmam que ele foi decisivo para frear as investidas de Bolsonaro contra a democracia e apaziguar a relação entre o Palácio do Planalto e o STF (Supremo Tribunal Federal).

O presidente do Senado rejeitou, por exemplo, o pedido de impeachment apresentado por Bolsonaro contra o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF Alexandre de Moraes —o que irritou bolsonaristas.

Pacheco lembrou a pandemia de Covid-19, elogiou profissionais de saúde e disse que a crise sanitária deixou "perdas irreparáveis nos lares Brasil afora", além de marcas sociais e econômicas de longo alcance.

"Não posso fazer esse pronunciamento, para honrar a memória das vítimas da pandemia e seus familiares, sem fazer o registro aos profissionais da saúde, que demonstraram a essência da solidariedade dos brasileiros e brasileiras", afirmou.

Pacheco elogiou a Justiça Eleitoral por meio de Moraes, um dos principais alvos dos ataques de Bolsonaro e de seus apoiadores.

"As instituições foram capazes de garantir a vontade da soberania popular, que se manifestou por meio dos votos no processo eleitoral, e resultou na escolha majoritária da frente ampla defendida pela chapa vitoriosa", completou o parlamentar.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), usou uma rede social para comentar a posse.

"A Casa do Povo e da Democracia escreveu hoje mais um capítulo de nossa História", escreveu Lira. "É hora de celebrarmos a estabilidade de nossas instituições e torcer pelo futuro do Brasil e dos brasileiros."