Pacheco defende pacificação e reitera que mal-estar com Forças Armadas está encerrado

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Pacheco durante entrevista em Brasília

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reiterou nesta sexta-feira que o mal-estar do Senado com as Forças Armadas e o Ministério da Defesa por conta de declarações do presidente da CPI da Covid na Casa, Omar Aziz (PSD-AM), foi esclarecido e está encerrado, e alertou que quem tentar reavivar o episódio estará prestando um desserviço.

Ainda assim, Pacheco, que já havia conversado na véspera com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e com o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, afirmou que irá procurar os comandantes da Marinha e da Aeronáutica, com quem ainda não falou sobre a questão.

A iniciativa foi tomada após entrevista do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, ao jornal O Globo, sobre o episódio, em que o brigadeiro afirma que "homem armado não ameaça".

"O meu papel nesse episódio foi um papel de esclarecimento para os dois lados", disse o senador sobre o diálogo que teve com o ministro da Defesa e o comandante do Exército.

"E ambos, Senado e Forças Armadas, compreenderam esse esclarecimento, e deram o assunto por encerrado. De modo que todo aquele, com exceção da imprensa, que é o dever o direito de vocês repercutirem fatos, mas todo aquele que queira reavivar esse episódio específico, acaba praticando um desserviço, porque esse assunto está por ambas as partes encerrado e devidamente esclarecido", afirmou o senador a jornalistas.

Pacheco explicou que a reação da Defesa e dos comandantes das Forças em nota oficial partiu do "princípio equivocado" de que as declarações de Aziz ofereciam uma agressão generalizada a eles. Ao mesmo tempo, lembrou que o próprio presidente da CPI e demais senadores classificaram a fala como pontual e afastaram a possibilidade de se dirigir à instituição de maneira geral.

O parlamentar disse que ao procurar os comandantes da Aeronáutica e da Marinha irá seguir a "mesma linha com o que foi com o comandante do Exército".

"Acho importante isso, que nós temos que buscar pacificar. Com a firmeza necessária de afirmar as nossas posições, mas sempre permitir lugar ao diálogo", declarou.

O presidente do Legislativo rebateu, ainda, críticas de senadores, incluindo o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), que cobraram um posicionamento mais assertivo em defesa da instituição e do exercício das atividades parlamentares.

Ao fazer uma defesa do respeito aos princípios democráticos e à separação entre os Poderes, reafirmou a independência do Congresso Nacional, "que não admitirá qualquer atentado a essa sua independência e, sobretudo, às prerrogativas dos parlamentares de palavras, opiniões e votos, que naturalmente devem ser resguardados numa democracia".

As declarações de Aziz ocorreram na quarta-feira, durante o depoimento do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, acusado de participação em suposto esquema de propina na compra de vacinas contra a Covid-19, que teria o envolvimento de integrantes das Forças Armadas.

Na ocasião, o presidente da CPI afirmou que "as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo".

Em resposta quase imediata, o ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas repudiaram em nota as declarações por considerarem que desrespeitam os militares e generalizam "esquemas de corrupção".

"Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável", dizia a nota assinada pelo ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas.

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