Pacheco e governadores discutem medidas restritivas e ampliar meta diária de vacinação

Bruno Góes e Daniel Gullino
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BRASÍLIA — Em longa reunião na manhã desta sexta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), debateu com governadores a imposição de meta de vacinação diária no país: um a dois milhões de pessoas imunizadas. Também discutiu a necessidade de isolamento e restrições nas próximas semanas. Pacheco levará as reinvindicações dos governadores para o comitê criado pelo presidente Jair Bolsonaro, que reúne membros do Executivo e Legislativo, para organizar medidas de combate à pandemia de Covid-19.

Na primeira reunião com Pacheco após a criação do comitê, governadores cobraram ainda o acompanhamento da aplicação de doses por Congresso, Fórum de Governadores, municípios, Itamaraty, Casa Civil e Ministério da Economia. Mais tarde, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, será apresentado aos principais pontos sugeridos pelos governadores.

A cobrança pela calendário de importação de insumos e vacinas foi objeto de debate. Neste sentido, foi sugerida uma reunião com o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o português António Guterrez, com a participação da diplomacia brasileira. Segundo fonte próxima ao presidente do Senado, Pacheco já tem um documento pronto para enviar a Guterrez.

O objetivo da iniciativa é abrir um diálogo e antecipar doses contratadas junto ao consórcio Covax Facility. No Senado, parlamentares avaliam que a pauta "antiglobalista" promovida por Ernesto Araújo fechou as portas para o diálogo do Brasil na ONU.

Faz parte do mesmo esforço a tentativa de diálogo, em colaboração com o parlamento do Reino Unido, com a Universidade de Oxford e o laboratório da Astrazeneca. A previsão é tratar de duas pautas: a entrega prevista em contrato com o laboratório do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) pelo Instituto Serum, da Índia. E ainda autorização para a antecipação da transferência tecnológica para antecipar a produção do IFA pela Fiocruz.

Outra sugestão é reforçar o diálogo com o governo dos Estados Unidos para a ajuda com cota de doses excedentes naquele país. Tratar com a China de cota extra de entrega de vacina com Sinopharma. Agendar reunião com o Fundo Soberano Russo, Laboratório União Quimica, Ministério da Economia e Anvisa para acertar condições de autorização e entrega da vacina Sputinik.

Também está em discussão uma ampla campanha nacional pelos meios de comunicação. Governadores querem incentivar a vacinação, o uso da máscara, distanciamento, higienização. Além disso, pedem restrições mais fortes até o próximo domingo de Páscoa para conter a disseminação do vírus.

Governador do Piauí e representante do Fórum de governadores, Wellington Dias (PT) disse ainda que há uma demanda por mais espaço no Orçamento na área da Saúde. Segundo ele, a proposta que chegou ao parlamento tem R$ 43 bilhões a menos para o setor.

Dias disse, porém, que o ponto mais importante é o esforço conjunto pela vacinação.

— Acertamos uma pauta importante: vacina como ponto estratégico para ajudar o Brasil neste instante. Estamos pedindo uma agenda com a ONU, a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), Ministério da Saúde, diálogo com Reino Unido, Índia, a China, com a Rússia, acompanhando a todos, com o Congresso junto — afirmou o governador.

Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) disse que é preciso ter uma "articulação" para que o distanciamento social seja uma prática bem sucedida no país.

"Destaquei, ainda, pontos que considero fundamentais a serem trabalhados neste comitê. Entre eles, a articulação internacional para que o Brasil seja priorizado na vacinação e o financiamento de leitos e medicamentos fundamentais do kit entubação, que é a crise iminente que temos", escreveu nas redes sociais.