Pacheco faz apelo a candidatos em meio a reiterados ataques de Bolsonaro às urnas: 'Que o tom eleitoral seja baseado em verdades'

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro voltar a questionar o sistema eleitoral e atacar ministros do Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fez um pronunciamento em defesa das urnas eletrônicas e pediu moderação aos candidatos na eleição deste ano. O senador pediu para que os postulantes no pleito deste ano façam um debate político "baseado em verdade" e com um "tom eleitoral sério".

— Reitero o apelo de pacificação e de contenção de ânimos, e dirijo-o especialmente aos agentes do Estado e aos candidatos nas eleições que se aproximam. O que faz uma nação é um conjunto de valores e ideias que nos unem — disse Pacheco, que afirmou: — Que o debate político tenha o escopo de garantir dignidade para a nossa população. Que o tom eleitoral seja sério, baseado em verdades e boas propostas.

Pacheco não fez menções diretas ao presidente durante o discurso, mas defendeu o sistema eleitoral brasileiro e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem sido alvos frequentes de ataques de Bolsonaro. O chefe do Executivo questiona a lisura das eleições brasileiros e alega que o pleito é passível de fraude, embora especialistas afirmem que não registro de nenhuma fraude no processo eleitoral desde a implementação das urnas eletrônicas, há 25 anos.

Na terça-feira, Bolsonaro voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a questionar o sistema eleitoral brasileiro. O presidente afirmou que o presidente do STF, Luiz Fux, está "equivocado" e que deveria ser investigado no inquérito das fake news por ter defendido as urnas eletrônicas.

No discurso, Pacheco afirmou que tem "plena confiança no processo eleitoral brasileiro, na Justiça Eleitoral e nas urnas eletrônicas". O presidente do Senado completou dizendo que essa é a posição majoritária tanto na Casa quanto no Congresso.

— Como tenho repetido em minhas falas nesta Casa e fora dela, eu tenho plena confiança no processo eleitoral brasileiro, na Justiça Eleitoral e nas urnas eletrônicas, por meio das quais temos apurado os votos desde 1996. Sei que essa posição é amplamente majoritária tanto no Senado quanto no Congresso Nacional — afirmou.

O senador garantiu ainda que, como presidente do Congresso, dará posse ao candidato à Presidência que for eleito "pelas urnas eletrônicas":

— No dia 1º de janeiro de 2023 aqui estaremos no Congresso Nacional a dar posse ao presidente da República eleito pelas urnas eletrônicas do nosso país seja qual for o eleito. É essa a afirmação da democracia e é isso que é a expressão da vontade soberana do Congresso Nacional.

Na mesma ocasião que criticou Fux, Bolsonaro também atacou outros dois ministros da Corte, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. O primeiro foi chamado de "criminoso" pelo chefe do Executivo por ter articulado, no ano passado, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que instituía o voto impresso. Sobre o segundo, Bolsonaro disse que o inquéritos de Moraes seriam "mentiras, enganações".

O magistrado é relator de alguns inquéritos na Corte que envolvem o presidente e aliados, como o das fake news e o de suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Carta em defesa do sistema eleitoral

Antes do pronunciamento, Pacheco se reuniu com representantes da Coalizão em Defesa do Sistema Eleitoral, formado por centrais sindicais, associações e entidades da sociedade civil. No encontro, recebeu uma carta do grupo que também critica as ameaças de Bolsonaro em relação ao pleito eleitoral.

"Não aceitamos a condição de reféns de chantagens e ameaças de ruptura institucional, após pouco mais de três décadas em que a normalidade democrática foi restabelecida em nosso país, com o custo de muitas vidas, sofrimentos, privações e lutas", diz o texto.

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