Pacheco recebe apoio do PDT para reeleição na presidência do Senado

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), recebeu nesta segunda-feira, 23, o apoio do PDT para sua tentativa de reeleição ao comando da Casa. A decisão foi anunciada após uma reunião de Pacheco com os senadores pedetistas Weverton Rocha (MA), Leila Barros (DF) e o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda.

Marinho: Apoiadores de Rogério Marinho usam estratégia do “gabinete do ódio” na eleição para presidência do Senado.

Golpistas: Pacheco entrega a Aras representação contra 38 golpistas presos no Congresso e pede empenho para puni-los

O senador do PSD fez elogios ao partido, que foi o primeiro a anunciar publicamente o apoio à sua reeleição, e destacou as causas sociais defendidas pela legenda. O presidente do Senado declarou que o PDT é uma "grande referência" na defesa dos trabalhadores.

– Esse apoio do PDT é de fato algo que legitima aquilo que nós fizemos em conjunto, a presidência do Senado com o apoio do PDT, mas também é um compromisso de futuro, compromisso de que o Senado continuará nessa linha da defesa social, também da responsabilidade fiscal, das reformas que interessam ao povo brasileiro, sem inventar crise, sem criar divergência – disse.

O ministro da Previdência declarou que fez questão de participar do anúncio mesmo afastado do comando do PDT. Como assumiu um cargo no primeiro escalão do governo federal, Lupi vai transferir o comando do partido para o deputado André Figueiredo (CE), vice-presidente da sigla.

– Eu fiz uma questão pessoal de publicamente externar o respeito, a nossa admiração e a nossa gratidão no papel que o senhor tem desempenhado à frente do Senado a favor da democracia. Nossa declaração formal e oficial de apoio nada mais é do que do que ser justo, ser correto com quem sempre foi correto e justo com o povo brasileiro– declarou.

O PDT tem três senadores. Além de Leila e Weverton, o senador Cid Gomes (CE) compõe a bancada. Cid não conseguiu chegar a Brasília a tempo da reunião e não esteve presente no anúncio.

O clima de conflito institucional estimulado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também foi tema do discurso de Pacheco. Sem citar nomes, o senador afirmou que o país perde tempo com "problemas irreais e crises inventadas" e disse que é preciso um esforço da Casa Legislativa para fazer uma "reunificação e reconciliação nacional".

– Ninguém merece viver em uma sociedade dividida, em uma sociedade que tenha tantos problemas sociais e que se perca tanto tempo com problemas irreais e com crises inventadas. Nós temos muitos problemas reais que precisamos enfrentar e enfrentaremos com bastante dedicação -- disse.

O parlamentar do PSD deixou claro ainda que os senadores precisam se unir para defender a democracia brasileira. Desde quando Bolsonaro perdeu o segundo turno da eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro, diversos apoiadores do ex-presidente tem pregado um golpe militar contra o petista. No último dia 8 de janeiro, bolsonaristas promoveram uma série de ataques contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Mais de 900 pessoas foram presas após as depredações.

– Agora mais do que nunca precisamos muito da força e da união do Senado Federal nesse sentido, que é a defesa da democracia brasileira, é a defesa do Estado de Direito do Brasil, das liberdades públicas, das garantias individuais, dos direitos fundamentais, da separação dos Poderes, da harmonia entre os Poderes, do combate legitimo contra a intolerância, contra o ódio – disse o presidente do Senado.

O senador tem como concorrentes o senador eleito Rogério Marinho (PL-RN), candidato apoiado por bolsonaristas, e o senador Eduardo Girão (Podemos-CE). O presidente do Senado é hoje o favorito para permanecer no cargo e deve ter o apoio do MDB e União Brasil, além de seu próprio partido, o PSD.

Pacheco foi eleito em 2021 com o apoio tanto de bolsonaristas, quanto de petistas, mas se distanciou do ex-presidente ao longo de seu mandato no comando da Casa justamente por conta dos ataques às instituições feitos por Bolsonaro. Em seu discurso após receber o apoio do PDT, o senador tentou adotar um tom conciliatório.

– Esse é um trabalho que nós temos que fazer na política de uma reconstrução, de uma reunificação e reconciliação nacional, que eu tenho certeza que nós vamos conseguir fazer com o trabalho conjunto de partidos políticos, de membros do Senado, da sociedade em geral – afirmou o senador do PSD.