Pacheco reforça chance de reeleição à presidência do Senado com vitória de Lula

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 06.07.2022 - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 06.07.2022 - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Rodrigo Pacheco (PSD-MG) viu neste domingo (30) suas chances de reeleição à presidência do Senado reforçadas com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Palácio do Planalto.

O senador conta com a simpatia do PT e tem feito uma gestão que, em várias ocasiões, representou uma barreira ao avanço das pautas bolsonaristas. Além do mais, em diferentes episódios ele saiu em defesa das instituições e do Judiciário em momentos de arroubos autoritários de Jair Bolsonaro (PL).

Com o suporte de Gilberto Kassab, presidente do PSD, o senador tende a atrair, além do PT, outros partidos de centro e de direta. Isso deve dificultar a intenção de senadores eleitos na onda do bolsonarismo de emplacar no comando da Casa um parlamentar do PL, que será a maior bancada a partir de 2023.

Além do bom trânsito com a atual oposição, que em janeiro chega ao poder com Lula, Pacheco também mantém boa relação com integrantes do centrão, hoje base de apoio de Bolsonaro.

Em sua manifestação neste domingo, o presidente do Senado afirmou esperar que Lula possa governar para todos. Declarou ainda que o petista encontrará o Congresso pronto para analisar, com juízo crítico e independência, projetos importantes para o país.

"O papel dos novos mandatários é seguramente buscarem reunificar o Brasil, buscarem encontrar através da união as soluções que são reclamadas pela sociedade brasileira, dando um basta ao ódio, à intolerância, e ao desrespeito às divergências. Estamos num país plural, diverso", discursou.

O bolsonarismo emplacou vários ex-ministros e aliados no Senado, como Marcos Pontes (PL-SP) e Rogério Marinho (PL-RN). Nessas eleições, foram renovadas 27 das 81 cadeiras da Casa.

Caso Lula consiga atrair para sua base partidos como o MDB de Renan Calheiros (AL) e Renan Filho (AL), além do União Brasil, chegará próximo à metade da Casa.

O PL tem planos de conquistar a presidência do Senado, mesmo com Lula no poder. Querem fazer valer a regra informal de que a maior bancada tem direito à presidência. Com isso, há a possibilidade de uma disputa entre as bases de Lula e Bolsonaro já nessa disputa, que deve ocorrer no início de fevereiro.

Pacheco foi eleito presidente do Senado em 2021 graças ao apoio do então ocupante da cadeira, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador pelo Amapá deve apoiar Pacheco de olho em voltar ao posto na próxima gestão, em 2025.

Pacheco teve o apoio de Bolsonaro em 2021. Em sua gestão, porém, o senador de Minas representou uma importante barreira contra projetos mais alinhados ao núcleo radical do Palácio do Planalto, se descolando do bolsonarismo encabeçado por Arthur Lira (PP-AL) na Câmara.

Nos momentos de maior tensão por causa de declarações golpistas de Bolsonaro e aliados, Pacheco também se colocou como um anteparo, manifestando defesa à democracia brasileira e ao processo eleitoral, além de garantir que os eleitos em outubro deste ano serão empossados.

Em agosto do ano passado, por exemplo, Pacheco rejeitou pedido de impeachment formalizado por Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em meio a uma escalada do discurso golpista no Palácio do Planalto e à série de ataques contra integrantes da corte.

Pacheco também se inclinou para o lado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha. Em Minas, por exemplo, ele engrossou a campanha a governador de Alexandre Kalil, que se colou em Lula, mas acabou derrotado no primeiro turno por Romeu Zema (Novo).

Um dos coordenadores da campanha petista no estado foi o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), um dos principais aliados de Pacheco.