Paciente da Baixada infectado por variante do novo coronavírus estava internado desde janeiro e morreu no início deste mês

Cíntia Cruz, Felipe Grinberg e Lucas Altino
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Um morador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, morreu no início desse mês em decorrência de complicações da Covid-19. Ele foi contaminado pela variante brasileira do novo coronavírus, que foi identificada pela primeira vez em Manaus (AM), e estava internado desde janeiro. É o primeiro óbito confirmado no estado de paciente infectado por uma mutação do Sars-CoV-2.

O paciente de 55 anos foi internado inicialmente em Nova Iguaçu, na Baixada. Em 1º de fevereiro, ele foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, e morreu no dia 6.

A Prefeitura de Belford Roxo informou que o paciente sofria de cirrose hepática e cardiopatia crônica, doenças que agravam o quadro da Covid-19. A Secretaria municipal de Saúde disse que faz o acompanhamento da família da vítima e que até agora ninguém teve sintomas da doença.

A descoberta de cinco pessoas contaminadas por variantes do coronavírus — quatro pela cepa descoberta em Manaus (P1) e uma pela que foi identificada pela primeira vez no Reino Unido (B.1.1.7) — expôs falhas no sistema de controle epidemiológico no Rio. Nesta quarta-feira, o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, disse em entrevista coletiva que tomou conhecimento dos casos pela mídia e não oficialmente pelo Ministério da Saúde. O EXTRA apurou que só anteontem, dez dias após a morte do paciente da Baixada, o caso chegou à Secretaria de Saúde de Belford Roxo, onde ele morava.

— A notificação (dos cinco casos de infeção por mutações) foi via mídia. O certo seria uma nota técnica, achei deselegante. Não me preocupa quem vazou, mas as coisas precisam ser feitas dentro das normas. Por isso convoquei essa coletiva. Saúde é coisa séria, e esse tipo de coisa não suporto. Acho que está faltando coordenação do Ministério da Saúde — afirmou Chaves. — É a minha opinião. Se você está sabendo e eu não estou sabendo, há uma descoordenação.

Segundo a Secretaria de Saúde de Belford Roxo, após a pasta ser informada pelo estado, agentes de saúde foram até a residência do morador vítima da variante de Manaus. A preocupação dos especialistas é que mutações do vírus podem ser mais transmissíveis e letais, o que ainda está em estudo. Não foi informado em que data foi descoberto o contágio dele e se ele viajou recentemente para o Amazonas ou teve contado com alguém que veio daquele estado.