Paciente de anestesista preso por estupro relata cesárea: 'só me recordo da voz dele'

Médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante por estupro - Foto: Reprodução
Médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante por estupro - Foto: Reprodução
  • Giovanni Bezerra foi seu médico em junho, no nascimento do terceiro filho

  • Mulher conta diferenças que notou durante o procedimento de cesárea

  • Anestesista acusado de estupro deve passar por audiência de custódia nesta terça

Uma outra possível vítima do médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, preso na segunda-feira (11) por estupro, conta que estranhou a conduta do homem durante sua cesárea, no dia 5 de junho.

"Não sei se aconteceu alguma coisa comigo, estava sedada, mas quando vi na TV fiquei desesperada. A única coisa que me recordo da cirurgia é da voz dele. Ele ficava falando baixinho ao meu ouvido, isso me incomodava. Ele perguntava se eu estava bem", disse Naiane Guedes, 30 anos, que teve seu terceiro filho este ano.

Naiane, que é técnica de enfermagem, relatou que foi "completamente sedada", o que não havia acontecido nos procedimentos dos dois primeiros filhos. "Estranhei porque fui completamente sedada, com anestesia geral. Essa é minha terceira cesárea e nunca aconteceu isso das outras vezes".

"Depois fiz uma laqueadura e lembro de ter ficado com dor na nuca, fiquei lerda e não achei normal que a dor na cabeça não passava. Não posso garantir se aconteceu alguma coisa, estava inconsciente, mas não notei nada diferente no meu corpo", disse.

Ela foi à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de São João de Meriti (Deam), na Baixada Fluminense, onde o caso é investigado, para prestar depoimento nesta terça-feira (21).

"Isso que ele fez é uma violência com a gente e com a família. A gente não tem segurança no momento mais feliz da nossa vida. Deus queira que ele seja o único [estuprador], porque ele já foi preso e a Justiça já foi feita. Mas é importante que outras mulheres venham à delegacia para denunciar essa violência", declarou.

Seu marido, Rafael, conta que precisou sair da sala de parto após o nascimento, e que não pode ficar com a esposa até o final do procedimento, como já havia acontecido nas duas ocasiões anteriores. "Depois que eu saí, ela foi sedada. Tudo isso é revoltante", disse.

Além de Naiane, outras duas mulheres que foram pacientes de Giovanni foram à delegacia nesta terça. As três possíveis vítimas estavam com seus bebês no colo.

O médico passará por uma audiência de custódia na tarde desta terça-feira. Neste momento, ele está no presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

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