Paciente que teve pênis amputado por erro médico na França pede indenização maior: 'vale mais do que 61 mil euros'

Um paciente que teve o pênis completamente amputado aos 33 anos após o erro médico de um urologista na França recorreu da decisão judicial para pedir uma indenização maior. De acordo com o jornal Le Figaro, o tribunal administrativo de Nantes determinou que o Hospital Universiário da cidade pagasse ao homem 61 mil euros (R$ 341 mil). No entanto, o pedido dele é para receber 976 mil euros (R$ 5,4 milhões). Para o advogado da vítima, o ocorrido rebaixou sua dignidade humana. A condenação por “infracções culposas susceptíveis de comprometer a responsabilidade” do estabelecimento de saúde foi proferida no último dia 21.

— Os magistrados administrativos consideraram que o pênis de um homem de 33 anos não vale mais do que 61 mil euros e que o seu sofrimento físico e psicológico só deve ser compensado num quadro estrito — disse o advogado Georges Parastatis, referindo-se à "morte social" de seu cliente. — Este homem sofreu uma primeira morte psicológica por negligência médica e uma segunda hoje por este julgamento depreciativo da dignidade humana.

O valor da indenização determinada pela Justiça foi calculando mediante uma determinada quantia para cada dano sofrido, incluindo cerca de 12 mil euros pelo "sofrimento", mais de 16 mil euros pelo "défice funcional permanente" e 31,5 mil euros pelo "dano sexual".

— Não permitirei que me humilhem — disse o homem ao advogado.

Em 2014, quando o paciente tinha 30 anos, ele descobriu que tinha câncer de pele no pênis. Uma intervenção médica no Hospital Universitário de Nantes retirou o tumor tentando limitar ao máximo a remoção do pênis. No entanto, o carcinoma teria continuado a se espalhar, causando fortes dores, até que, em junho de 2017, um médico removeu o órgão sexual dele totalmente.

O problema foi que, de acordo com um relatório médico, o urologista de Nantes cometeu um erro naquela cirurgia de 2014 ao não ter removido todas as células cancerígenas durante a curetagem. Consta na sentença que, por causa disso, o paciente perdeu "70% de chance de evitar a recorrência", precisando passar depois pela remoção total do pênis.