Paciente relembra cárcere privado em hospital após cirurgia plástica mal sucedida

Depois de ter complicações por uma cirurgia de abdominoplastia mal sucedida feita pelo médico Bolivar Guerrero Silva, Daiana Chaves Cavalcanti, de 35 anos, já respira aliviada. Transferida do Hospital Santa Branca, onde foi mantida em cárcere privado por 50 dias, para o Hospital Federal de Bonsucesso na última quinta-feira, dia 21, ela falou pela primeira vez sobre a recuperação.

— Juntei o meu dinheirinho que eu tinha, e aí acabei querendo tentar realizar o meu sonho, que realmente “deu ruim” com esse homem aí. Eu quero que as meninas que iriam fazer cirurgia com ele (Bolivar) que procurem outro cirurgião, pesquisem, não façam como fiz. Quando eu estava lá (no Hospital Santa Branca), eu não estava nem aguentando falar e, hoje, eu estou falando, estou aqui na graça de Deus, tentando me recuperar — disse Daiana, ao “Fantástico”.

Daiana passou por uma cirurgia para retirar o tecido necrosado, fez uma lavagem dos ferimentos e colocou curativos à vácuo. Ela vinha sofrendo com pontos infeccionados desde que recorreu a uma abdominoplastia e colocou próteses de silicone nos seios com o cirurgião plástico equatoriano. Os familiares alegavam que o médico dificultou a transferência da carioca para outro hospital.

O cirurgião está preso desde a última segunda-feira, dia 18. O “Fantástico” visitou o Hospital Santa Branca, que Bolívar Guerrero Silva diz ser um dos sócios. Na unidade, a diretora geral evitou opinar se o caso de Daiana foi erro médico, mas defendeu o profissional de saúde das acusações de cárcere privado.

— Não sou médica. Como posso te dizer se houve erro médico? A pergunta precisa ser feita direto para a equipe que está assistindo Daiana, ou para o doutor Bolívar, que está preso. Intercorrência acontece e está sendo tratada. Sabe qual foi o erro do doutor? Não ter deixado Daiana ir. Ele foi zeloso. (Ela não foi transferida) porque o hospital do outro lado tem que dar a vaga. E quem está dando vaga para ela? — disse Edmea Verçosa, diretora geral do Hospital Santa Branca.

Em depoimento à polícia, Bolívar disse que não houve erro médico no procedimento de Daiana e que em momento algum a paciente era mantida em cárcere privado, tanto é que ela estava com um acompanhante.

— Ela tinha direito a acompanhante, mas não tinha direito a sair do hospital. O cárcere ocorre quando é impedida sua liberdade de locomoção — explicou a delegada Fernanda Fernandes.

Bolívar já tinha sido preso em 2010, acusado de aplicar em pacientes um medicamento para preenchimento facial sem registro na Anvisa e também de usar medicamentos falsificados. O processo continua tramitando na Justiça, mas ninguém foi condenado até hoje.

Procurada, a defesa do cirurgião plástico não quis se manifestar. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica disse, em nota, que está acompanhando as denúncias. Já o Conselho Regional de Medicina abriu uma sindicância para apurar o caso de Daiana. O Cremerj disse ainda que Bolívar Guerrero já foi suspenso em outra ocasião, e que ele responde a um processo ético e uma outra sindicância.

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