Pacientes com diabetes tiveram piora no controle da doença durante pandemia da Covid-19

Raphaela Ramos
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RIO — Com a pandemia da Covid-19 e as recomendações de isolamento social, grande parte das consultas médicas de rotina foram adiadas e muitos hábitos alterados, como a redução das atividades físicas e mudanças na alimentação. Esses fatores trouxeram consequências para as pessoas que vivem com diabetes no Brasil. As informações são de um estudo publicado no periódico científico "Diabetes Research and Clinical Practice", da "Elsevier".

A pesquisa foi realizada com 1701 pacientes com diabetes entre 22 de abril e 4 maio, e mostrou que 59% relataram variação na glicemia, indicador importante para o controle da diabetes, durante o período de quarentena.

— Isso traz consequências a longo prazo para as complicações crônicas relacionadas à diabetes, sejam cardiovasculares, renais ou oftalmológicas. Essa pessoa fica exposta a um maior risco consequente a essa falta de controle — explica a endocrinologista Erika Miyamoto Fortes, gerente do grupo médico da Novo Nordisk.

O estudo também apontou que 59,5% das pessoas com a doença reduziram a prática de atividades físicas na pandemia e cerca de 30% relataram aumento na ingestão de alimentos. Entre os entrevistados, 38% adiaram consultas ou exames e 40% não haviam marcado novas idas ao médico desde o início da pandemia do novo coronavírus.

— Manter o acompanhamento médico é super importante para conseguir um melhor controle da doença. E não necessariamente é preciso ir no consultório, porque temos a regulamentação das teleconsultas — afirma Fortes, e acrescenta: — O resultado da pesquisa foi interessante porque envolveu pacientes com diabetes, mas não é o único estudo que mostra piora no acompanhamento de doenças crônicas. Elas foram bastante impactadas na pandemia.

Essa piora também causa preocupação em relação à Covid-19, uma vez que pacientes diabéticos têm maior risco de desenvolver complicações caso sejam infectados pelo coronavírus.

— A diabetes, e principalmente o descontrole da glicemia, é fator de risco para formas graves da Covid-19. Se estou mantendo a glicemia controlada, estou evitando esse risco maior — diz a endocrinologista.

Campanha 'Diabetes na Rotina'

Para alertar as pessoas diabéticas e seus familiares sobre a importância de manter os cuidados e o tratamento durante a pandemia, foi criada a campanha "Diabetes na Rotina" pela empresa de saúde Novo Nordisk com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

O ator Babu Santana, diagnosticado com diabetes tipo 2, é embaixador da iniciativa. A ação conta com um site com informações gerais sobre diabetes e recomendações de cuidados e acompanhamento da doença.

Entenda a doença

Diabetes é uma condição crônica caracterizada pela produção insuficiente ou resistência à ação da insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. Os dois tipos de diabetes mais comuns são o tipo 1 e tipo 2.

Tipo 1: Ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente, o que exige um tratamento com uso de insulina ou outros medicamentos para controlar a glicose no sangue. É mais comum ser diagnosticado em crianças e adolescentes. Sintomas podem incluir fome e sede frequentes, vontade de urinar constante, fraqueza, perda de peso, fadiga, náusea e vômito.

Tipo 2: Ocorre quando a insulina produzida não funciona adequadamente ou o corpo não produz insulina suficiente. Acomete com mais frequência os adultos e está comumente associado ao sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos inadequados. Sintomas podem incluir fome e sede frequentes, constante vontade de urinar, formigamento nas mãos e pés, visão embaçada e demora na cicatrização de feridas. Muitas vezes pode ser assintomático.

Como se cuidar:

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