Pacientes transplantados e os da fila de cirurgia do HFB serão atendidos nos hospitais da Lagoa e dos Servidores

Rafael Nascimento de Souza
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Bombeiros ainda trabalhavam no HFB nesta quarta-feira, um dia depois do incêndio
Bombeiros ainda trabalhavam no HFB nesta quarta-feira, um dia depois do incêndio

Todos os pacientes que estavam internados no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) já foram retirados do local, que sofreu um incêndio na manhã de terça-feira: 192 foram transferidos para outras unidades de saúde e 37 receberam alta, além dos três que morreram no dia da tragédia por não resistirem à remoção. Agora, a direção da unidade planeja a continuidade do atendimento a quem estava internado no HFB. Segundo Júlio Noronha, diretor do corpo clínica da unidade, aqueles que fizeram transplantes recentemente e os que estão na fila para cirurgias receberão cuidados nos hospitais federais da Lagoa e dos Servidores, no Centro.

Em nota divulgada no fim da noite desta quarta-feira (28), o Ministério da Saúde informou que “a prioridade, no momento, é garantir o atendimento em segurança da população, uma vez que as consultas e exames laboratoriais no complexo estão temporariamente suspensos. Para isso, a pasta disponibilizará toda a estrutura de saúde da rede federal do Rio de Janeiro, de forma que não haja prejuízo na assistência”.

A direção do HFB se reuniu com o corpo clínico na tarde desta quarta-feira. O hospital deverá permanecer fechado até que uma análise sobre sua situação seja elaborada pelo Ministério da Saúde. Não há prazo para reabertura. Por conta da precariedade das instalações elétricas, identificada por técnicos da própria pasta do governo federal em um relatório apresentado no ano passado, existe risco de incêndio em outros setores da unidade.

Vinte e quatro horas após o incêndio, ainda havia muita fumaça saindo do prédio 1 do HFB. Com dificuldade, técnicos começaram a avaliar a estrutura externa do edifício, que, assim como as instalações vizinhas, tem um longo histórico de problemas de manutenção.

Os funcionários deverão entrar em férias coletivas, com exceção de 22 médicos dos setores de nefrologia e transplante, que serão transferidos para o Hospital Federal da Lagoa. A unidade de Bonsucesso conta com 3.500 profissionais de saúde, entre servidores e estatutários. O número de terceirizados passa de 2 mil, a situação desse grupo ficará a cargo das empresas contratantes.

Noronha destacou que, desde a fundação do hospital, em 1948, nunca houve uma reforma em suas instalações elétricas. Ele citou um relatório da Defensoria Pública da União, elaborado em 2019, que apontava risco iminente de incêndio. Também lembrou que o então diretor-geral do HFB, Paulo Roberto Cotrim, pediu providências ao Ministério da Saúde. A unidade funcionava sem Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros.

— O relatório mostrou que estávamos sentados num barril de pólvora, pois os transformadores poderiam explodir. Naquela época, o diretor-geral pediu a reforma e a modernização da parte elétrica e do subsolo, justamente onde o fogo começou — afirmou Noronha, acrescentando: — Um incêndio já era esperado. Só não sabíamos que aconteceria tão rápido. A questão de o Ministério da Saúde saber o que estava acontecendo e não fazer nada causou muita revolta.