Padilha diz que vai conversar com base de Bolsonaro e que centrão é conceito que não existe

****ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP,  BRASIL - 07.10.2022 - Entrevista com o deputado federal Alexandre Padilha do PT na quadra do sindicato dos bancários. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
****ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL - 07.10.2022 - Entrevista com o deputado federal Alexandre Padilha do PT na quadra do sindicato dos bancários. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O futuro ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou neste domingo (1º) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai procurar partidos que integraram a base de Jair Bolsonaro (PL) no Congresso e disse que centrão é um conceito que "não existe".

Padilha falou ao chegar no Congresso para a cerimônia de posse de Lula. Ao ser questionado sobre como o governo do petista lidaria com o centrão e com as emendas de relator, usadas durante o governo de Jair Bolsonaro como moeda de negociação política, o ministro rejeitou a expressão.

"Esse conceito [de centrão] para mim não existe. O centrão é um apelido, um conceito que, para mim, não existe", afirmou. "O que existe são partidos políticos que têm posições políticas e que nós temos a melhor relação possível. Vários desses partidos políticos são chamados de centrão, que é um conceito para mim que não existe."

O futuro ministro disse que alguns partidos do campo de centro já estão conversando com o governo e indicaram quadros para ministérios, "nesse primeiro passo de composição."

"E vamos continuar dialogando com esses partidos. Vamos conversar com os partidos que eram da base do Bolsonaro e que, em um primeiro momento, podem sinalizar que são da oposição. Vamos conversar com esses partidos e com esses parlamentares", complementou.

"O Congresso Nacional deu uma demonstração no final do ano que não existe nem o direitão, nem o esquerdão nem o centrão. O que existiu foi o compromisso do Congresso Nacional para desmontar uma bomba orçamentária e social que o Bolsonaro tinha feito."

Padilha disse que Lula quer recriar um conselho político de coalizão que reúne presidentes de partidos e lideranças no Congresso para debater sobre o país. "E vamos conversar também com a oposição. Vamos conversar com os partidos que eventualmente possam se declarar oposição neste momento. Vamos ter uma relação institucional republicana com governadores e prefeitos, independentemente dos partidos políticos."

O futuro ministro também foi perguntado sobre qual espaço de partidos como PV, Avante e Solidariedade, que apoiaram o petista nas eleições, terão no governo. Ele disse estar conversando com os presidentes das legendas e defendeu que eles tenham participação no Executivo de Lula.

Esses partidos têm demonstrado insatisfação com a falta de espaço em Lula 3. O deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) afirmou que houve uma reunião com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e disse que há uma expectativa de participar para influenciar no governo. "Até porque vai ser um governo difícil de base no Congresso. É preciso formar essa base. E também pelos desafios que o Brasil vai enfrentar agora, especialmente com um Parlamento diferente, que é o Parlamento eleito, o Parlamento de mercado."

Padilha também comentou a relação que Lula terá com outros Poderes, como o Judiciário, e sobre quais critérios serão usados para indicação de futuros ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Ele já falou claramente que ele não quer indicar para as instituições o critério de ser o melhor amigo, da religião. Não é o critério do presidente Lula. O critério do presidente Lula sempre será de competência, de capacidade e responsabilidade", ressaltou. "O STF será respeitado por este governo. Acabou a era de ataques ao STF e a todas as instituições feitas por Bolsonaro."