"Padilha fazia jus ao pagamento de 1%", diz ex-vice da Odebrecht

Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha 07/07/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-diretor-presidente da Odebrecht Benedito Barbosa da Silva Junior afirmou, em acordo de delação premiada, que o hoje ministro da Casa Civil e homem forte do governo do presidente Michel Temer, Eliseu Padilha, cobrou o pagamento de propina no valor de 1 por cento do contrato de uma linha de trem no interior do Rio Grande do Sul, cujo contrato, nas mãos da empreiteira, era estimado em 323 milhões de reais.

Benedito Barbosa afirmou ter aceitado o pedido de Padilha como uma "imposição" muito mais em razão pela figura proeminente do PMDB.

Segundo ele, um ex-diretor-superintendente da empreiteira no Sul, Valter Lana, disse ter sido procurado por volta de 2008 pelo então deputado federal Eliseu Padilha (PMDB-RS) para o repasse de recursos.

A alegação era que Padilha teria ajudado no contrato da linha de trem, assinado originalmente no ano de 2001, mas que passou por atrasos em razão de questionamentos do Tribunal de Contas da União.

"Ele (Padilha) fazia jus ao pagamento de 1 por cento", disse Benedito. "O Valter me procurou e a gente aceitou a fazer o pagamento", completou.

As declarações fazem parte da íntegra dos vídeos dos depoimentos prestados pelos executivos da Odebrecht e divulgados nesta quarta-feira pelo gabinete do ministro Edson Fachin, após a abertura de 76 inquéritos contra autoridades no Supremo Tribunal Federal, 74 deles com fim de sigilo.

Benedito afirmou que os pagamentos a Padilha foram realizados pelo sistema de caixa dois do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como departamento de propina. Ocorreram em espécie, disse, entre 2009 e 2010.

"Ele (Padilha) alegou que tinha ajudado na licitação", disse Benedito, ao destacar que a empresa não checou se ele efetivamente ajudou a Odebrecht a vencer a concorrência.

Por esses fatos, Padilha vai ser alvo de inquérito por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. O ministro da Casa Civil informou que só vai se manifestar nos autos. 

(Reportagem de Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu)