Padrasto apontado como autor de incêndio em Paraty é transferido para Volta Redonda sob protestos

Diego Amorim
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A transferência do acusado, Fernando (camisa preta), foi tumultuada

O homem apontado pela Polícia Civil como autor do incêndio que matou três crianças num casarão em Paraty, na Costa Verde, foi transferido para a Cadeia Pública Franz de Castro, em Volta Redonda, no início da tarde deste sábado. Lá, na cidade do Sul Fluminense, ele participará da audiência de custódia na próxima segunda-feira. Na saída, cerca de 50 pessoas estavam na porta da 167ª DP (Paraty) e protestaram. Houve spray de gás de pimenta para evitar que o homem fosse agredido. Apesar da confusão, não houve feridos ou presos.

— Queremos justiça. Ele tem que pagar pelo que fez com as nossas crianças, que nunca mais voltarão para casa. Ele é um monstro — gritou uma mulher, que seria uma das tias das três crianças mortas. — Assassino! Ele é um assassino maldito.

 

Identificado apenas como Fernando, ele foi autuado por três homicídios qualificados por emprego de fogo e ampliados pelo fato das vítimas terem menos de 14 anos; tentativa de feminicidio contra a mãe das crianças, hospitalizada, com dolo eventual; e pelo crime de incêndio em local habitado — penas que somam mais de 100 anos. Fernando foi preso após a polícia ouvir os depoimentos de testemunhas e identificar contradições nas falas dadas à polícia.

— Nós ouvimos o depoimento de sete testemunhas, incluindo a avó e a babá das crianças. O acusado havia criado a história de que um dos filhos seria o autor do fogo nos colchões do quarto, por ele ser muito levado. Ele planejava se livrar das crianças, que já demonstravam grande temor do padrasto, para viver só com a mulher. Mas contradições no depoimento desvendaram a autoria do crime — explica o titular da 167ª DP, delegado Marcelo Russo.

 

O laudo técnico pericial realizado na casa descartou incêndio por acidente, segundo o delegado, e apontou "ação humana".

Na saída da delegacia, por volta das 13h deste sábado, dez agentes de segurança atuaram para conter a população. Homens da Guarda Municipal, das polícias Militar e Civil participaram da transferência.

O sepultamento dos irmãos Marya Alice de Almeida Santos da Conceição, de 4 anos, Cauã de Almeida Santos da Conceição, de 5, e Marya Clara de Almeida Santos, de 7, reuniu cerca de 200 pessoas no Cemitério Municipal de Paraty. O pai das crianças, identificado apenas como Vanderlei, ex-marido de Dara de Souza, estava bastante abalado. A mãe das vítimas está internada no Hospital Praia Brava, em Angra dos Reis, e ainda não sabe da morte dos filhos.