Padre é acusado e detido na França por participar de genocídio em Ruanda

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Fotos de vítimas do genocídio de 1994 em Ruanda no Memorial do Genocídio em Kigali, em 7 de abril de 2021

Um padre ruandês, refugiado na França desde o fim dos anos 1990, foi acusado e detido na quarta-feira por ter "dado provisões aos milicianos" que massacraram civis da etnia tutsi em sua igreja em Ruanda, informou nesta sexta-feira (16) à AFP a promotoria francesa.

Marcel Hitayezu, nascido em 1956 e que obteve a nacionalidade francesa, foi acusado de crimes de "genocídio" e "cumplicidade com crimes contra a humanidade" por um juiz de instrução do tribunal de Paris, segundo a promotoria nacional antiterrorista, que também se ocupa de crimes contra a humanidade.

"Padre da paróquia de Mubuga (sul), em Ruanda, Marcel H. é acusado de ter", em abril de 1994, "privado de víveres e água os tutsis que se refugiaram em sua igreja" e de ter dado "provisões aos milicianos que atacaram os tutsis que se refugiaram" no templo, informou a promotoria em um comunicado.

"Marcel H. respondeu aos fatos durante seu interrogatório em seu primeiro comparecimento perante o juiz de instrução", acrescentou.

Como ocorreu com todos os suspeitos de participar do genocídio reivindicados por autoridades ruandesas, o padre tinha sido alvo de uma ação de extradição a Ruanda, mas a justiça francesa a negou definitivamente em outubro de 2016.

Mais de 800.000 pessoas foram assassinadas, a maioria delas da etnia tutsi, entre abril e julho de 1994 em Ruanda, segundo dados das Nações Unidas.

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