Padre denuncia agressões e ameaças de PMs contra moradores de rua

Denúncia das ameaças contra Pe. Júlio Lancelotti foi feita junto à Corregedoria da PM. (Foto: Reprodução/Twitter)

O coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, padre Júlio Lancellotti, denunciou que policiais militares espancaram e ameaçaram moradores de rua, na capital paulista. Durante as agressões, ocorridas na semana passada, os PMs teriam enviado um “recado” a Lancelotti: “avisa que a hora do padre está chegando”.

O Yahoo! Notícias conversou com Júlio Lancellotti, que afirmou que levou a denúncia à Corregedoria da PM (Polícia Militar). Segundo ele, as agressões ocorreram durante uma abordagem aos moradores de rua na região da Mooca.

“Os PMs agridem, batem, torturam e ameaçam os moradores de rua. Durante as agressões, eles brincam: ‘vai lá chamar o padre para te defender’. E depois dizem ‘avisa para o padre que a hora dele vai chegar’”, detalhou o coordenador da pastoral.

As agressões seriam motivadas justamente pelas ações de assistência social protagonizadas pela Pastoral do Povo de Rua.

“Isso (agressões contra moradores de rua) não é uma coisa nova. Eu sinto por agridem eles para me atingir, e querem me atingir justamente para atingir depois os moradores de rua. Querem ser autoritários contra os moradores de rua sem que ninguém os defenda”, afirmou o padre.

Os moradores de rua agredidos compareceram, juntamente com Lancellotti, à Corregedoria da PM para formalizar a denúncia. “Fizemos o reconhecimento fotográfico dos policiais militares, colheram os depoimentos deles. Levamos a denúncia e está tudo registrado. Ontem (quarta-feira), recebi uma ligação do corregedor e disse que estão apurando”, completou.

Segundo o padre, os moradores de rua foram ameaçados para atingi-lo por conta de sua atuação na defesa dos direitos humanos. (Foto: Reprodução/Twitter)

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) apenas confirmou que recebeu a denúncia via Corregedoria da PM, na última segunda-feira (3), e que apura os fatos.

Lancellotti usou também as redes sociais para denunciar as ameaças recebidas, que repercutiu entre políticos e defensores dos direitos humanos.