Padre descobre roubos e bugigangas ao desmontar Presépio da Glória

Élcio Braga
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A desmontagem do presépio do Largo da Glória, em frente à estação do metrô, na Zona Sul do Rio, trouxe uma surpresa para os fiéis: produtos de roubos e furtos que ocorriam pelas ruas do bairro e muitas bugigangas estavam escondidas na estrutura. O próprio desmonte da representação natalina ocorreu na segunda-feira, 4 de janeiro, dois dias antes da Festa de Reis, conforme estava programado, justamente por falta de segurança.

— O presépio estava completamente jogado e sem proteção. Os fios e refletores foram três vezes roubados. O pessoal estava guardando os produtos de furtos lá. Sem nenhum policiamento. Achei melhor desmontar (o presépio) na segunda-feira — disse o padre e artista plástico Wanderson José Guedes, o pároco do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, responsável pela montagem da representação natalina.

O padre lamentou o fato de o presépio ter passado a virada do ano apagado.

— Desde quando coloquei o presépio na praça, o pessoal que vive na rua ia lá roubava tudo. Comprei todo material por mais duas vezes. Na terceira vez, deixei sem iluminação. Passou a virada de ano no escuro — contou o pároco.

Sobre as peças roubadas, o padre não soube descrever o que foi encontrado. A maior parte estava debaixo das plataformas.

— Não quis ir lá. Fiquei muito magoado: ‘O que os olhos não veem o coração não sente’. Deixamos as coisas e objetos lá no local. Eu não sei se a Comlurb recolheu. Acredito que não havia muita coisa de valor. Eram bobagens que seriam vendidas, talvez para a aquisição de drogas — disse ele.

Na página Moradores do Flamengo, Catete, Laranjeiras e Botafogo, no Facebook, o assunto mereceu muitas reclamações sobre a falta de segurança. “Sem PM e sem guardas, os bandidos se apropriaram do presépio. Hoje (segunda-feira, 4), após o desmonte, passei lá para testemunhar a retirada das porcarias que saíram de dentro do monumento a Jesus. Lastimável. De partir o coração!”, escreveu um morador, revoltado. Na postagem, são apresentadas fotos dos objetos e roupas espalhadas pelo chão, no Largo da Glória.

A desmontagem antecipada ocorreu para preservar as peças. Estão agora guardadas no ateliê do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, a alguns metros da praça. A previsão inicial era desarmar a estrutura nesta quarta-feira, 6 de janeiro.

— Costumamos desmontar o presépio depois da Folia de Reis. Mas, desta vez, devido ao descaso das autoridades públicas, achei melhor e mais seguro desmontar o presépio antes — justificou o sacerdote.

O dia correto de se desmontar o presépio, porém, segundo o religioso, seria outro.

— Segundo a tradição, o presépio deveria ser desmontado somente depois do dia 2 de fevereiro, Dia de Nossa Senhora da Luz ou Nossa Senhora das Candeias. De acordo com a tradição, é o dia em que Nossa Senhora passa com a sua luz abençoando os presépios. Isso é da cultura popular. Não tem nenhuma relação com a teologia. Segundo a liturgia da Igreja, o dia correto seria depois da festa do Batismo do Senhor, que será no próximo domingo, 10 de janeiro. Porém, devido às questões hodiernas (atuais), se tomou como práxis (prática) desmontar o presépio e os enfeites natalinos depois da Festa da Epifania (Festa dos Santos Reis) — observou.