Aos 67 anos, 'Padre do balão' russo tem nova missão: atingir estratosfera

O padre já quebrou um recorde em 2016, com o voo mais rápido ao redor do mundo em um balão (Foto: Pavel Vanichkin\TASS via Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Altitude a que ele quer chegar é o dobro da altura em que aviões comerciais geralmente voam

  • Por conta do tamanho, o balão será completamente inflado pela primeira vez no dia do voo

O padre russo Fedor Konyukhov é conhecido por suas aventuras: já foi até os polos norte e sul, escalou o Monte Everest duas vezes, remou pelos oceanos Atlântico e Pacífico e deu a volta ao mundo navegando quatro vezes. Agora, aos 67 anos, se prepara para uma nova empreitada: quer alcançar a estratosfera em um balão de ar quente.

Partindo de um local no oeste da Austrália até o final desta semana, tentará alcançar 25 km de altitude, ou 82 mil pés – mais que o dobro da altura em que geralmente voam aviões comerciais. Caso tenha sucesso, Konyukhov será o novo dententor do recorde mundial de altitude viajando nesse meio de transporte.

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Atualmente, esse título pertence ao indiano Vijaypat Singhania, que em 2005 subiu 21 km em um balão. Os dois usam equipamentos projetados e construídos pela empresa inglesa Cameron Balloons, que em 201 ofereceu ao padre o balão em que ele viajou ao redor do mundo em tempo recorde.

Konyukhov originalmente planejava fazer a viagem no início deste ano, mas não conseguiu porque demorou mais que o previsto para completar a primeira etapa dos 12 mil km de uma viagem solo ao redor do hemisfério sul em um barco a remo.

O padre admite que a viagem é arriscada, mas quer “ultrapassar os limites da resistência humana”. Seu objetivo neste voo é "voar alto o suficiente para ver a curvatura da Terra e observar a escuridão do cosmos".

Por causa da altitude, o balão conta com uma cabine pressurizada, como uma nave espacial. Essa é a principal diferença em relação à viagem que o aventureiro fez em 2016:

"[Em 2016] a cabine não era pressurizada. Eu podia abrir a escotilha e subir em cima da cápsula, limpar o gelo dos queimadores e verificar as mangueiras do tanque de combustível usando uma máscara de oxigênio, para ter muito mais controle da situação."

A Cameron precisou construir o maior balão da história, com uma parte inflável de 100 mil metros cúbicos de volume. A parte inflável de um balão esportivo costuma ter cerca de 2.500 metros cúbicos de volume. De acordo com o executivo-chefe da Cameron Balloons, Don Cameron, isso foi um obstáculo para a equipe:

"Nós o levamos a um grande hangar de aeronaves em Bristol, onde eu trabalhava anos atrás, e o inspecionamos minuciosamente, mas não conseguimos inflá-lo completamente. Só será inflado completamente no dia em que voar."