Padre Robson movimentou R$ 2 bilhões em 10 anos, aponta MP de GO

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Segundo o MP, os valores podem ter sido usados para compras de bens luxuosos, entre eles uma fazenda de R$ 6 milhões e, Abadiânia, em Goiás, e uma casa de praia, no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba, na Bahia (Foto: Reprodução)
Segundo o MP, os valores podem ter sido usados para compras de bens luxuosos, entre eles uma fazenda de R$ 6 milhões e, Abadiânia, em Goiás, e uma casa de praia, no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba, na Bahia (Foto: Reprodução)

Investigação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) aponta que a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), com sede em Trindade, em Goiás, conduzida pelo padre Robson de Oliveira, movimentou R$ 2 bilhões em 10 anos. O padre é acusado de lavagem de dinheiro e, de acordo com a denúncia, parte dos recursos foi empregada na compra de fazendas e de uma casa de praia.

As diligências do órgão mostraram o recebimento de R$ 20 milhões em doações por mês. Segundo o MP, os valores podem ter sido usados para compras de bens luxuosos, entre eles uma fazenda de R$ 6 milhões e, Abadiânia, em Goiás, e uma casa de praia, no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba, na Bahia.

Além disso, parte dos recursos recebidos seria para a construção de uma segunda basílica, obra orçada em R$ 100 milhões, que deveria ficar pronta em 2022, mas foi adiada para 2026.

O padre foi alvo da Operação Vendilhões, que investiga o uso de pelo menos R$ 120 milhões para a compra de artigos de luxo, na semana passada. O MP chegou a pedir a prisão do líder religioso. No entanto, a juíza Placidina Pires, da Vara de Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais, não atendeu ao pedido.

Porém, ela determinou a busca e apreensão em 16 endereços ligados ao padre Robson, inclusive na TV Pai Eterno, que transmite missas lideradas por ele em todo o país.

Durante apuração do caso, o MP descobriu que a Afipe, responsável pela administração do Santuário Basílica de Trindade, negociava com empresas que tinham os mesmos donos e estavam localizadas no mesmo endereço da associação. De acordo com o órgão, em todas as negociações, a entidade ligada à igreja teve prejuízos.

Em setembro de 2019, dois representantes do Vaticano estiveram em Trindade para investigar a Afipe. A movimentação financeira em larga escala chamou atenção da Cúpula da Igreja Católica. De acordo com o jornal Correio Braziliense, a entidade continua em contato com representantes da igreja no Brasil e pode aplicar punições a depender do desfecho do caso, como o afastamento do padre a vida eclesiástica.

‘Sempre carreguei muitas cruzes’

Com quase 4 milhões de seguidores apenas no Facebook, o padre Robson, 46 anos, tem bastante influência entre os católicos nas redes sociais. O religioso nega as acusações de fraude e diz que vai provar sua inocência, porém afastou-se da Afipe após a operação do Ministério Público.

“Sempre estive e continuo à disposição do Ministério Público. Por isso, esse meu pedido de afastamento vai me permitir colaborar com as apurações da melhor forma e com total transparência para que seja confirmado que toda doação que fazemos ao Pai Eterno, como terços rezados, o dinheiro doado, tempo, carinho, trabalho empregado na evangelização, foi toda, repito, toda empregada na própria associação Afipe em favor da evangelização”, disse em um vídeo publicado na internet.

O advogado Pedro Paulo Medeiros, que atua na defesa do padre, afirmou que os imóveis citados na denúncia do MP fazem parte das aplicações da Afipe, em que parte dos lucros foram destinados à construção da nova Basílica, à compra da TV Pai Eterno e de rádios e à construção de igrejas.

Padre Robson, por sua vez, alega que vem passando por uma “provação”. “O meu caminho nessa missão evangelizadora nunca foi fácil. Desde o início, como você bem sabe, sempre carreguei muitas cruzes”.

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