De padre a turista: conheça quem está indo do Brasil para a Europa em meio à epidemia

Ana Letícia Leão e Célia Costa
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87439809_SO Guarulhos SP 09-03-2020 CORONAVIRUS - Movimentação de passageiros indo para a Europa n.jpg

O padre Wilson Lazaroto embarcou em Guarulhos para Roma, onde fará um doutorado: 'Qualquer um pode morrer a qualquer momento. Temos apenas que seguir as precauções'

SÃO PAULO E RIO — "A minha família brasileira tem muito medo, mas fazer o quê? Nós temos que trabalhar, pagar as contas. Temos nossos afazeres, não temos como não voltar".

Foi com esse pensamento que a brasileira Lucelena Costa, de 52 anos, natural de Campo Grande (MS), mas moradora da província de Schiavi di Abruzzo, na Itália, deixou o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na tarde desta terça-feira, rumo à Roma.

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Após quatro meses no Brasil, ela e o marido italiano, Troiano Enrico, de 65 anos, decidiram retornar à Itália, epicentro do coronavírus na Europa, com mais de 10 mil infectados e 631 mortos, até a tarde de terça.

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Apesar da curva crescente no número de casos, a brasileira se diz "tranquila", já que a família do marido, que também mora na Itália, disse que a situação está sob controle.— Estou doida para voltar para casa porque a família nos passou tranquilidade. Um pouco é exagero. Em Roma, cidade mais próxima de onde eu moro, não está assim.Por causa da quarentena, explica, a empresa do marido foi fechada nesta semana e só poderá ser reaberta em 3 de abril, segundo orientações do governo italiano.

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Até lá, ficarão na casa de campo em que moram, no povoado de Schiavi di Abruzzo, a 220 km de Roma.Com um doutorado em metafísica e filosofia em Roma programado há quase um ano, o padre Wilson Lazarotto, de 38 anos, deixou o aeroporto de Guarulhos com destino à capital italiana, onde deve passar os próximos dois anos.

Professor do seminário Maria Mater Ecclesiae, em Itapecerica da Serra (SP), o religioso diz não estar preocupado com foco da doença na Itália.

— O que a gente pode fazer, a gente faz, mas, mais do que isso? Qualquer um pode morrer a qualquer momento. Temos apenas que seguir as precauções — afirma.

Viagem dos sonhos

O alerta mundial de coronavírus também não foi suficiente para fazer com que o casal Rayane Melo, de 29 anos, e Everton Cristian, de 37, desistissem da viagem dos sonhos a Paris.Moradores de Suzano, na Grande São Paulo, eles vão passar os próximos seis dias na capital da França, o segundo país com mais casos confirmados da doença dentro da União Europeia, com mais de 1.120 registros e 15 mortes.— Ficamos meio preocupados, mas não pensamos em desistir. É um sonho que estamos realizando, e proteção é o que nos cabe — diz Rayane, referindo-se ao uso de máscaras e álcool em gel que fará durante os dias fora do Brasil.Segundo ela, o voo de volta ao Brasil estava previsto para fazer uma escala de um dia inteiro em Roma, mas a companhia aérea acabou cancelando o tempo de permancência em função do vírus.— Até achei que foi bom. Acabaram diminuindo o tempo, e só ficaremos uma hora dentro do aeroporto de Roma para não irmos para a rua — explica.

De partida definitiva para a Europa, a professora Thaís Moraes, de 33 anos, agilizou os preparativos da mudança para Barcelona, na Espanha, por causa do surto de coronavírus. Com passagem só de ida, com escala em Lisboa, Thaís vai morar com o marido Bruno Moraes, que vive em Barcelona desde fevereiro deste ano.

Além da bagagem, leva o cachorro Blue, principal motivo da sua corrida com os preparativos.

— Já tinha avisado que sem ele eu não iria. Demorei seis meses para conseguir a autorização para levá-lo. Adiar poderia dar problema. E se a situação piora (em relação ao coronavírus) e eu não consigo ir por causa de aeroportos fechados? A gente vai na cara e na coragem, não temos como desistir.

No Rio, filas e mudanças de plano

Um dia após o governo italiano restringir a circulação de pessoas por toda o país europeu para conter o avanço do coronavírus, uma longa se formou no balcão da Alitalia no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) desde o começo da tarde de terça-feira.Brasileiros em férias, na maioria, tentavam remarcar a viagem ou cancelar o voo.

Entre as histórias de sonhos desfeitos está a do casal Ana Carolina Rocha, de 26 anos, grávida de quatro meses, e o programador Tiago Rocha, 25, que mudaram os planos e seguirão para Londres.

— Era um sonho conhecer a Itália. Minha paixão é tamanha que cheguei a fazer faculdade de italiano. Começamos a planejar a viagem há seis meses, antes de eu engravidar — disse Ana Carolina. — Fizemos todo o roteiro, que incluía Roma e Milão, com o maior carinho. Nossa preocupação era perder tudo o que investimos nesta viagem.

O casal planejou ficar quatro dias em Roma, seguir para Londres e voltar para a Itália, mais especificamente, Milão. A última etapa da viagem já tinha sido cancelada. Nesta segunda-feira, após a decisão do governo italiano, desistiram também de Roma.

— Não conseguiríamos fazer nada, está tudo fechado. Viemos para o aeroporto para resolver essa etapa. Na hora do check-in, eles (a Alitalia) foram bastante receptivos — relatou Ana.

O casal acabou embarcando para Londres, com uma conexão em Roma.

Mas nem todos desistiram de viajar. O analista de sistemas Michel Marlon Serrano de Lima, 26, que mora em Pompeia — a cidade do interior de São Paulo, não a célebre italiana —, manteve a programação das férias na Europa.

Serão três dias em Roma. Depois, segue para Paris e Alemanha. Na bagagem, muito álcool em gel e máscaras. Seu maior medo, no entanto, não é contrair o Sars-CoV-2:

— Minha preocupação é que ocorra alguma coisa e eu não consiga sair de Roma. Já pensou ter que ficar em quarentena durante as férias?

O mesmo temor da fisioterapeuta Ana Paula Miguel, que veio de Curitiba com o namorado para embarcar no mesmo voo para Roma.

Os locais escolhidos para os passeios na Itália (Veneza, Milão e Florença) estão com os pontos turísticos fechados. A opção do casal é mudar a viagem para a França:

— Não tenho medo do coronavírus. Minha preocupação em manter a viagem é não poder visitar pontos turísticos e até que ficar em quarentena.

A aposentada Celina Ligeiro reclamou de ter ficado meses planejando todo o romântico roteiro de viagem com o marido e agora ser obrigada a mudar de planos.

Em poucas horas, foi obrigada a refazer todas as reservas. O passeio por França e Itália, que incluía quatro voos entre cidades italianas, ficou restrito. O casal ficará apenas na França, fazendo roteiro que inclui Paris e o Vale do Loire.

— Ainda bem que consegui todo o reembolso. O que eu levei meses para marcar, fui obrigada a mudar em poucas horas. Vou para a Europa sem medo do coronavírus. Só cancelei a Itália, porque não teria o que fazer na viagem. Está tudo fechado — constatou Celina Ligeiro.

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    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia se prepara para fazer o primeiro teste operacional de seu "torpedo do Juízo Final", o drone submarino Poseidon. A arma vem sendo desenvolvida desde 2015 e agora está em fase final de ensaios no mar, devendo ter um lançamento a partir de submarino feito entre setembro e dezembro. A informação começou a circular na imprensa russa na semana passada, e não há comentário oficial ainda do Ministério da Defesa, mas analistas dizem que ela é real. Segundo Ivan Barabanov, especialista em sistemas navais em Moscou, o Poseidon já passou pelos testes mais críticos de seu sistema de propulsão nuclear. O cronograma não foi afetado pela pandemia do novo coronavírus, que tem na Rússia o terceiro maior foco de casos no mundo. Na forma de um grande torpedo de 24 metros de comprimento, o Poseidon é uma das "armas invencíveis" anunciadas pelo presidente Vladimir Putin em 2018. Ele é movido por um pequeno reator nuclear e, segundo o próprio Putin disse, teria alcance de 10 mil km. A arma tem uma velocidade máxima especulada de cerca de 70 nós (130 km/h), o dobro do que submarinos nucleares desenvolvem. Poderia se deslocar mais devagar perto do alvo, para reduzir a assinatura acústica para sonares inimigos. Mas é sua carga e modo de emprego que preocupam observadores militares. O Poseidon é desenhado para poder levar silenciosamente uma ogiva nuclear de 2 megatons, algo que poucos mísseis fazem hoje. Mais: Barabanov e outros analistas acham que ele poderia levar inacreditáveis 100 megatons para, digamos, Nova York. A bomba mais potente já testada pelo homem foi explodida pelos soviéticos em 1961 e tinha 50 megatons. Além da destruição em si num ataque direto, se uma detonação dessas ocorresse a alguns quilômetros da costa, geraria um tsunami que simuladores estimam com dezenas de metros de altura. E, viajando silenciosamente debaixo d'água, a arma é de detecção e interceptação bastante mais difíceis do que as de um míssil convencional. A existência do Poseidon foi conhecida no Ocidente quando o russo permitiu um vazamento proposital da imagem de um croqui da arma pelo canal de TV estatal NTV, há cinco anos. No ano passado, foi divulgado um vídeo simplório sobre seu funcionamento, além de imagens de sua produção. Os torpedos são tão grandes, 30 vezes maiores do que modelos pesados atuais, que precisam ser levados no dorso de enormes submarinos adaptados. Dois estão em uso, o Belgorod e o Khabarovsk. Eles operam no mar Branco, um braço do do mar de Barents, de águas territoriais russas, que deverá ser o local do teste do Poseidon, para tentar evitar espionagem. O programa de armas de Putin foi ridicularizado como propaganda, mas aos poucos tomou forma. Duas armas hipersônicas estão operacionais. O míssil Kinjal e o planador Avangard, que é transportado por um míssil intercontinental. Ambas as armas podem carregar ogivas nucleares ou convencionais. O míssil intercontinental pesado Sarmat está em testes e, supostamente, entra em serviço em 2021. Já o míssil de cruzeiro com propulsão nuclear Burevestnik tem uma carreira mais complicada. Após vários testes relatados na mídia especializada como fracassados, um motor dele explodiu em junho do ano passado. A Rússia tentou esconder a informação, mas morreram cinco técnicos da agência de energia nuclear e foi detectado um pico de radiação na região do teste, a mesma onde o Poseidon será testado. A Rússia vem trabalhando em novas armas estratégicas desde os anos 2000, quando os EUA divulgaram seus planos para criar um escudo antimíssil na Europa. O processo foi acelerado desde que Donald Trump chegou ao poder, em 2017. No ano seguinte, os americanos revisaram sua política de emprego da bomba atômica, na prática facilitando o uso de artefatos menos potentes. Um deles entrou em operação neste ano, gerando a ameaça do Kremlin de que qualquer lançamento de míssil por submarino americano seria visto como o começo de uma guerra nuclear. Paralelamente, Washington abandonou mecanismos de controle de armas. Saiu de um tratado simbólico sobre mísseis na Europa e do programa de voos mútuos de reconhecimento com a Rússia e outros países. Trump e Putin têm até o ano que vem para negociar uma renovação do principal acordo de controle de ogivas nucleares, o Novo Start, mas o americano já deu indicações de que deverá deixá-lo caducar, elevando assim o risco de uma corrida armamentista atômica. Trump quer que a China faça parte de novas negociações, o que é rejeitado por Pequim -a rival asiática tem 320 ogivas nucleares operacionais, ante 1.750 dos EUA e 1.572 da Rússia. O Kremlin, por sua vez, estabelece um morde-e-assopra. Nas águas do Ártico, irá fazer, no fim da semana, um exercício militar com 30 navios e 20 aviões ao longo da costa norueguesa, uma resposta à primeira incursão de navios da Otan (aliança militar liderada pelos EUA) desde os anos 1980 no mar de Barents. Por outro lado, querendo evidenciar que a Otan age de forma agressiva com simulações perto de suas fronteiras e voos de bombardeiros junto a seu espaço aéreo, o Estado-Maior russo informou nesta terça (2) que não fará mais exercícios perto da Europa neste ano. O grande treinamento do ano, o Kavkaz-2020 (Cáucaso-2020), será "empurrado" para áreas mais centrais do país, na esperança de demover os ocidentais de fazerem os seus próximos ao território russo.

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