Paes anuncia que prefeitura assumirá o BRT até que seja feita nova licitação e diz que passageiros hoje são tratados 'como gado'

Luiz Ernesto Magalhães
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O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou, na tarde desta quarta-feira, que a prefeitura irá assumir a administração do BRT. De acordo com Paes, o município irá gerir o serviço enquanto busca realizar uma licitação para que uma nova empresa administre o transporte, hoje administrado pelo consórcio BRT. Ele disse que, atualmente, os passageiros são tratados "como gado".

— Essa não é uma decisão permanente. É para licitar, e não para devolver depois, como fez o Crivella (com a intervenção). É um meio para depois licitarmos. Eles tratam a população como gado. Não é uma encampação. Não queremos uma CTC no BRT — disse o prefeito.

Paes afirmou, também, que, quando inaugurado, o sistema do BRT contava com 400 ônibus. Hoje, ele alega que são 200 em circulação, a metade. O prefeito também citou a situação das estações fechadas, e afirmou que já comunicou o consórcio sobre a decisão da prefeitura.

— Eu disse que faríamos de qualquer jeito. Ou de forma pacífica, ou mais dura. Já há uma percepção do sistema da incapacidade de manter o BRT adequado. A conversa foi boa. Não votamos alternativas — contou Eduardo Paes.

O prefeito acrescentou que já conversou como Ministério Público estadual sobre o tema, e disse que será feito um aditivo ao contrato. Segundo ele, ainda não há uma data para o início do processo de gestão pela prefeitura, mas há expectativa por parte do município de que a transição aconteça em até quatro semanas.

— É uma proposta inegociável por parte da prefeitura. Transição sem sofrimento ao usuário — disse Paes. — Botar o BRT para funcionar será a minha olimpíada neste mandato — concluiu.

Paes, no entanto, não explicou ou deu detalhes sobre como será esse processo de transição. Procurados pelo EXTRA, Rio Ônibus e o BRT decidiram não se manifestar sobre o assunto.

Em fevereiro de 2019, o ex-prefeito Marcelo Crivella também resolveu intervir no sistema. O processo durou seis meses. A gestão pelo município, no entanto, falhou em resolver o problema das estações depredadas e coletivos circulando superlotados e em péssimo estado de conservação.

Naquela ocasião, o consórcio BRT apenas operava o sistema. Há cerca de um ano, o cenário mudou: o grupo se transformou numa empresa independente, responsável, inclusive, por manter a frota e pagar os salários dos rodoviários.