Paes, Crivella, Martha e Benedita votam no Rio com críticas a adversários e pesquisas, e esperança de segundo turno

David Barbosa, Fernanda Alves, Livia Neder e Rayanderson Souza Guerra
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Foto: O GLOBO
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Os quatro principais candidatos para a prefeitura do Rio de Janeiro saíram cedo para votar neste domingo. O prefeito Marcelo Crivella (PR) votou na escola municipal Sérgio Buarque de Holanda, na Barra, às 8h50. Benedita da Silva (PT) votou na Escola Municipal São Tomás de Aquino, no bairro do Leme. Eduardo Paes (DEM) chegou para votar no Gávea Golf Club por volta das 10h30 e a candidata do PDT à Prefeitura do Rio, Martha Rocha, compareceu a uma escola municipal da Tijuca, Zona Norte da cidade. Com críticas a adversários e desconfianças nas pesquisas, os quatro têm esperança de chegar ao segundo turno.

— O povo do Rio de Janeiro precisa exercer sua cidadania. O presidente mora em Brasília e veio ao Rio para votar no Crivella. Tenho muita confiança no meu trabalho e na minha luta. Não foi ideal porque peguei a prefeitura com muitas dúvidas, mas vamos estar no segundo turno. As pesquisas já erraram muito. Ilude-se o candidato que vai para o segundo turno na frente achando que já ganhou. Fui com o Pezão com 15 pontos na frente e perdi — lembrou o prefeito.

Durante a votação, Crivella recebeu apoio de alguns eleitores e foi hostilizado por outros em sua seção eleitoral, que gritaram "fora Crivella".

Já o candidato Eduardo Paes (DEM) não poupou críticas ao atual prefeito, Marcelo Crivella, que tem o apoio do presidente.

— O Rio não pode mais arriscar, não pode mais errar. Infelizmente, a cidade escolheu um prefeito nos últimos anos que destruiu a nossa cidade, então a gente precisa ir com muita consciência para as urnas. Eu peço isso: que a população não arrisque mais, que a gente não permita que pessoas despreparadas ou farsantes governem a nossa cidade — disse o ex-prefeito.

Para Paes, os piores problemas do Rio hoje são a saúde, a mobilidade urbana e a educação:

— É angustiante o que está acontecendo na saúde. As clínicas da família deixaram de funcionar, os hospitais estão muito precários. O BRT é uma demanda permanente. Destruíram o BRT. As pessoas estão tendo muita dificuldade na mobilidade. E tem uma angústia de todo pai e toda mãe com o futuro dos filhos. Um ano inteiro sem aulas. Nosso compromisso é para que esse ano não seja perdido, que seja recuperado no ano que vem.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, com 35% segundo o Ibope e 33% de acordo com o Datafolha, o ex-prefeito se disse otimista com os números, mas não quis cantar vitória antes do tempo.

— É óbvio que a pesquisa à beira da véspera da eleição aponta um sinal positivo. Vamos aguardar. A gente só vai falar de eventual segundo turno se houver segundo turno, se eu estiver no segundo turno — disse.

Benedita, que estava acompanhada da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), indagada sobre a pesquisa do Ibope divulgada na neste sábado, em que aparece em terceiro lugar nas intenções de votos, falou em tranquilidade.

— Recebi o resultado com muita serenidade e esperança de chegar realmente ao segudo turno e poder trabalhar mais um pouco — disse.

A candidata confessou estar emocionada com a campanha:

— Depois de alguns anos, eu volto a ser candidata à prefeitura do Rio de Janeiro. Não deixa de ser um momento emocionante. Foi uma campanha muito bonita, muito alegre, conversando com as pessoas. Não foi uma campanha de baixaria. Apresentamos o que queremos fazer para a cidade — avaliou.

A candidata do PDT à Prefeitura do Rio, Martha Rocha, minimizou o resultado da pesquisa Ibope, que mostrou, pela primeira vez, a delegada atrás de Benedita da Silva (PT) na disputa. Ao chegar à seção de votação na manhã deste domingo, a pedetista afirmou que estava confiante de que irá para o segundo turno.

— Recebi uma aceitação nas ruas. Por isso, as expectativas são as maiores e melhores de que vamos para o segundo turno. Há uma indefinição e uma profunda rejeição ao atual prefeito — afirmou.

A delegada chegou a empatar numericamente com Crivella no fim de outubro, momento em que a pedetista figurava entre as menores taxas de rejeição do eleitorado, segundo as pesquisas. O crescimento, contudo, acabou estancado em meio a ataques de Paes, de Crivella e também a uma resistência de parte da esquerda ao voto útil na delegada. Martha vai acompanhar a apuração dos votos na sede do PDT no Rio, na Praça Tiradentes, no Centro da capital.