Paes diz que se for eleito não fará lockdown; candidato não se compromete em climatizar toda frota até o fim do governo

Luíz Ernesto Magalhães
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Hermes de Paula / Agência O Globo

RIO - O candidato a prefeito, Eduardo Paes (Democratas), disse na manhã dessa quarta-feira que não vê cenários para que a cidade entre em lockdown como forma de conter o avanço da pandemia do coronavírus. Paes disse que se vencer a eleição no próximo domingo (29) pretende investir em testagem e recuperar a infraestrutura das clínicas da família para vacinações em massa. As declarações foram dadas em uma entrevista ao programa CBN Rio, da rádio CBN. Adversário de Paes, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), candidato à reeleição, que havia sido convidado a participar do programa na terça-feira, desmarcou em cima da hora alegando problemas de agenda:

— A população dificilmente cumpre (medidas muito restritivas), precisamos de regras factíveis. Não vejo caminho para lock down. Vou investir na testagem, sem entrar nesse debate entre manter a economia e a vida. E na tomada de decisões, não vai ter confronto entre medidas decididas pelo governador e o prefeito. Vi decretos do atual governo municipal, por exemplo, sobre volta às aulas que divergiam do estado — disse Eduardo Paes.

Na condução da pandemia, Paes voltou a atacar Crivella, alegando que proporcionalmente, o Rio teria tido o dobro de mortes que São Paulo, o que teria custado seis mil vidas a mais na capital fluminense. E que em lugar do hospital de campanha do Riocentro teria reaberto 1,5 mil vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) fechadas em várias unidades da cidade para atender a vítimas da pandemia mais precocemente.

Ele voltou a afirmar que se for eleito, pretende que seu ex-secretário de Saúde, Daniel Soranz volte a ocupar o cargo. Soranz é alvo de uma ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, que questiona a renovação de contrato com uma Organização Social quando foi prefeito:

— A reabertura dos leitos no mínimo deixaria um legado. O hospital de campanha da prefeitura para 500 pacientes, montado no Riocentro, só ficou pronto quando a pandemia estava no máximo. Com isso, o número de pacientes atendidos (simultaneamente) ali não passaram de 200. Poderíamos com políticas mais eficientes ter salvo seis mil vidas — alegou o candidato do DEM.

Paes defendeu Soranz e disse que se trata de um quadro extremamente técnico. E defendeu que todos devem ser vacinados:

— Eu sou totalmente a favor da vacina, seja russa, chinesa, japonesa, não importa. Nosso papel é preparar as clínicas da família abandonadas pelo Crivella. Vamos aguardar as orientações da Avisa, Fiocruz, Ministério da Saúde. Nessa área vou colocar o quadro mais qualificado. Tenho integral confiança em Daniel Soranz. Ele é muito qualificado, preparado. E não foi condenado a nada. Na prefeitura, montou um sistema de atendimento do qual me orgulho muito. Defendo o nome dele com tranquilidade — acrescentou o candidato na CBN.

O candidato, porém, não se comprometeu em concluir a climatização integral da frota de ônibus da cidade até o fim do mandato. O processo de instalação de ar-condicionado nos coletivos se arrasta há quase dez anos. Paes, que não havia previsto todos os ônibus com ar, quando o sistema foi licenciado (2010), chegou a prometer que entregaria toda a frota nessa situação até 2016, o que não aconteceu. Crivella prometeu modernizar integralmente o sistema até esse ano, mas suspendeu o cronograma por causa da pandemia. Agora, Eduardo Paes fala em 80% dos coletivos até o fim do mandato, se for eleito:

— Meu compromisso é chegar a 80%. E vamos voltar com o processo de reorganização das linhas. Mas ouvindo mais a população, podendo restabelecer serviços. Foi um erro, de fato. No processo que fiz no meu governo, ouvi mais os técnicos. Mas não errei por omissão. Hoje, as empresas retiram os ônibus e não acontece nada. Existe um contrato que deve ser cumprido — disse Eduardo Paes, alfinetando o adversário.

O candidato disse que caso eleito pretende ajudar às escolas de samba, mas não com R$ 2 milhões de subvenção por agremiação como fez no último governo, e desenvolver mecanismos urbanísticos para estimular a conversão de prédios comerciais em moradias no Centro do Rio e prometeu conceder reajustes anuais para o funcionalismo público. Também prometeu rever os critérios de cobrança do pedágio da Linha Amarela, mas que para isso depende de ter dados técnicos em mãos. E rever os reajustes de IPTU concedidos por Crivella em 2017 nas zonas Norte e Oeste.

Paes também disse que não pretende fazer um choque de ordem para lidar com ambulantes e sim reorganizar os camelôs em mercados populares nos bairros. A promessa já havia sido feita numa visita do candidato ao camelódromo da Rua Uruguaiana (Centro) ainda antes do primeiro turno.

— O que não pode é deixar a cidade desorganizada como está com Crivella. Até os ambulantes reclamam da concorrência. O que eles querem eu sempre fiz: conceder alvará, organizar. Há uma crise econômica. Vou tratar a todos com respeito. Não haverá choque de ordem contra ambulantes — prometeu o candidato.

Eduardo Paes também voltou a acusar Crivella de divulgar fake news a seu respeito, como a que chamaria o PSOL para integrar o seu governo. E que o eleitor, mais do que escolher em votar nele - Paes - teria que se manifestar nas urnas dizendo não ao atual prefeito:

— Votar no 25 é um não rotundo e contundente ao pior prefeito que o Rio já teve. O Crivella é um prefeito tão ruim que diversos partidos estão se manifestando é contra ele. E é o Pai da Mentira — acrescentou