Paes e Castro: semelhança de estilo só nos sapatos no Carnaval

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Martinho da Vila encerrou com festa — e com direito a invasão do público à pista da Sapucaí — os desfiles do carnaval deste ano, na manhã deste domingo. Responsável por inovações musicais que revolucionaram a folia, o bamba de 84 anos mostrou que seu fôlego está longe de ser devagar, devagarinho. Homenageado pela Vila Isabel, ele cruzou a Avenida por duas vezes: esteve na comissão de frente, numa estrutura em que surgia de dentro do corpo de um guerreiro africano, uma representação da ancestralidade do artista; depois, pintou e bordou com os pés no chão, numa confraternização sem regras ao lado do povo.

A dupla aparição envolveu um esquema especial. Após cumprir a primeira maratona na pista, Martinho tomou um carrinho elétrico e voltou para o fim do desfile. O retorno do sambista à Avenida foi o tempero que faltava e é o que pode levar a escola a brigar pelo título. Com um sorriso no rosto, o compositor provocou uma enorme comoção. Os foliões cantavam o samba-enredo a plenos pulmões, e as pessoas que estavam nos camarotes e frisas pularam para a pista para seguir a festa.

A partir desse momento, a verdade é que o desfile se tornou uma grande farra em homenagem a um dos maiores nomes da história do samba. Integrantes das alas técnicas, da diretoria e da última ala abraçavam Martinho, que não negava nenhuma abordagem ou pedido de selfie. O bamba ainda saudava o público e dava as mãos a quem esticava os dedos, na esperança de tocar o ídolo. Os foliões diziam, entre si, que acontecia a "volta da alegria".

Ao fim do desfile, o homenageado se posicionou na linha que demarca o encerramento do carnaval e ali ficou, demonstrando que não queria parar de festejar. Difícil acreditar que, inicialmente, o bamba ficou receoso de participar de um desfile que falasse sobre ele mesmo. "Pô, vou entrar na avenida pra cantar eu mesmo?", ele questionou para os filhos, quando recebeu a proposta da Vila Isabel.

— Meu pai nunca gostou de aparecer muito, não — justifica Mart'nalia, que desfilou fantasiada de sargento do Exército, profissão que o pai exerceu. — De início, ele realmente achou esquisito desfilar para homenagear a si mesmo. Ele achava que quem é homenageado tem que ver a coisa "de fora". Mas aí a gente sentou com os carnavalescos e com a direção da escola e convenceu ele a vir.


Antes do desfile, Martinho circulou pela concentração da escola, na Avenida Presidente Vargas, de chinelo e bermuda e cumprimentou os demais componentes da escola. Na ocasião, a assessora que o acompanhava indicou que ele seguisse pelo caminho mais vazio da via, mas o bamba descumpriu o conselho. E foi cercado por foliões que o festejavam com gritos e pedidos de selfie. O artista gostou. E espalhou abraços entre os integrantes.

— Confesso que o coração está batendo mais forte. Eu e minha família estávamos comemorando o fato de eu ser enredo desde que isso foi anunciado — celebrou, aos risos, o bamba, que desfilou de chinelo, calçado que ele não larga do pé. — É assim que eu gosto de andar. Queria mesmo usar o meu chinelo de dedo, mas falaram que esse outro fica mais bonito. Nas horas anteriores, fiquei descansado em casa, pra aguentar desfilar com o pé no chão. Pedi isso: eu queria desfilar andando, além da comissão de frente. Já recebi muitas homenagens... Mas uma homenagem igual a essa nunca tinha visto. É uma celebração em vida e feita pela própria escola. Não tem jeito melhor. }

Os próximos passos do sambista? Uma turnê pela Europa, a partir de maio.

— Agora, enfim, comecei o ano. E com o pé direito.

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