Paes negocia a compra de pelo menos mais dois tipos de vacinas para Covid, além da Coronavac

Carolina Callegari, Leticia Lopes e Henrique Gomes Batista
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Foto: Guito Moreto / Extra

Depois de anunciar acordo com São Paulo para aquisição da vacina Coronavac, o prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes, sinalizou que abriu outras frentes de negociação para comprar pelo menos mais dois tipos de imunizantes contra a Covid-19: o da farmacêutica AstraZeneca com a Universidade de Oxford e que será produzido pela Fiocruz no Brasil e o da fabricante americana Moderna.

Paes adiantou que terá nesta segunda-feira uma reunião com Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, para discutir a vacinação. O prefeito eleito destacou que vai trabalhar “com todas as alternativas disponíveis”

“Amanhã pela manhã terei uma reunião com a Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, maior centro de pesquisa e de produção de vacinas de toda a América Latina — orgulho brasileiro — para discutir nosso plano de vacinação da Covid-19. O Rio vai trabalhar pelo Plano Nacional de imunização com todas as alternativas disponíveis. E novos encontros acontecerão ainda essa semana”, escreveu numa publicação em rede social.

No domingo, o prefeito eleito disse estar em contato com outros fabricantes de vacinas contra a Covid-19. Pela manhã, um internauta questionou sobre a farmacêutica Moderna. Eduardo Paes respondeu: “Já em contato”.

De madrugada, o prefeito eleito anunciou, em suas redes sociais, a assinatura de um termo de cooperação com o Instituto Butantan para a aquisição da vacina contra o novo coronavírus. Paes se reuniu, na noite deste sábado, com o governador de São Paulo, João Doria. Ontem de manhã, Doria postou em suas redes sociais um vídeo ao lado de Paes, que disse esperar começar a vacinação no Rio no fim de janeiro.

Paes afirmou que o ideal é que haver um plano nacional de imunização, mas destacou que está fazendo ações para preparar a rede de saúde do Rio para “atender os cariocas com a maior brevidade possível e sem riscos”. Segundo ele, o plano de enfrentamento à pandemia será apresentado em detalhes no dia 28 deste mês.

O protocolo de intenção de compra da Coronavac assinado pela Prefeitura do Rio com o Instituto Butantan não estabelece quantidade, prazo ou preço pelas doses. Só em nova negociação, o comprador informará a quantidade desejada, e o Instituto Butantan avaliará sua capacidade de produção e de entrega. Antes do acordo, Daniel Soranz, futuro secretário de Saúde do Rio, esteve na semana passada no Instituto Butantan e foi recebido por sua diretoria.

O acordo entre Paes e o governo paulista estabelece que os detalhes serão negociados após Paes assumir a prefeitura, em 1º de janeiro. Porém informações públicas do Butantan dão algumas pistas de um provável acordo de compra. O preço a ser pago pela Prefeitura do Rio deverá ficar próximo do valor pedido pelo Butantan ao governo federal: US$ 10,30 a dose, ou cerca de R$ 53.

A questão da quantidade é mais complexa. Dimas Covas, presidente do instituto, já disse que o Butantan tem capacidade para produzir até 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021, porém parte delas deverá ser usada pelo governo paulista, que prometeu iniciar a vacinação em 25 de janeiro, e outra parte foi ofertada ao governo federal. O instituto também fez acordos com outros governos locais e negocia com países da América Latina. Como há são necessárias duas doses para imunizar cada pessoa, a demanda é alta.

O Butantan é o responsável pela produção nacional da vacina Coronavac, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Na sexta-feira, Paes havia afirmado confiar no Plano Nacional de Imunização, apresentado pelo governo federal dois dias antes, e que não trataria do tema no encontro marcado com Doria, no fim de semana no Rio. A declaração foi dada por Paes ao sair da sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio após receber seu certificado da Justiça eleitoral.

— Não é a pauta principal o Coronavac. Nós vamos seguir o plano nacional, que inclui o Coronavac, inclui o Butantan — afirmara na sexta-feira.

Ontem, após anunciar o acordo com Doria e o início da vacinação no fim de janeiro, salientou a necessidade de cuidados:

— Até lá, vamos seguir as regras: algum isolamento, máscaras, pessoas mais velhas em casa — disse, antes de encerrar agradecendo ao governador paulista pela parceria.