Paes rebate Bolsonaro após ser chamado de ditador: “Não dialogo com a morte”

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The candidate for Governor of Rio de Janeiro for the Democratic Party (DEM), former Rio de Janeiro Mayor Eduardo Paes, speaks during a televised debate in Rio de Janeiro, Brazil on September 19, 2018. (Photo by Mauro Pimentel / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)
Eduardo Paes garantiu continuidade da vacinação de jovens de 12 a 17 anos na cidade do Rio de Janeiro (Foto: Mauro Pimentel/AFP/Getty Images)
  • Eduardo Paes rebateu críticas feitas por Jair Bolsonaro e disse que não dialoga com a morte

  • Bolsonaro chamou Paes de ditador por prefeito do Rio exigir vacinação de servidores públicos

  • Cidade do Rio de Janeiro vai manter vacinação de jovens de 12 a 17 anos

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciou que a cidade vai dar continuidade a vacinação contra a covid-19 em adolescentes de 12 a 17 anos. Na coletiva de imprensa dada nesta sexta-feira (17), Paes aproveitou para rebater Jair Bolsonaro (sem partido), após ser chamado de ditador pelo presidente.

Ontem, na live que faz às quintas-feiras, Bolsonaro criticou Eduardo Paes pela obrigatoriedade de servidores municipais se vacinarem e chamou o prefeito do Rio de “ditador”. Hoje, Paes respondeu e afirmou que não dialoga com a morte.

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“Ontem, o ministro da Saúde e o presidente da República, em uma dessas livres do presidente, introduziram esse tema da vacinação de adolescentes. E obviamente, o que é uma característica do nosso presidente da República, com agressões a gestores públicos, eleitos, no nível municipal e estadual, e objetivamente me citou, em dado momento. Tenho tentado desde o início da pandemia não politizar a covid por uma série de razões. E tentarei continuando não fazê-lo, mas não posso deixar de comentar a fala do presidente ontem”, declarou Paes.

“A prefeitura vai ter que ter uma posição clara em relação a algumas medidas, e aí é a minha posição política, com base no que leio na imprensa e da própria Anvisa. O que respondo ao presidente com muito respeito e formalidade ao presidente da República é que não dialogo com a morte. O que tem nos movido aqui permanentemente é o amor à vida. O que me move aqui é a solidariedade com todas as famílias enlutadas do país. Não sei se o presidente tem capacidade de se sensibilizar com isso.”

Paes ainda afirmou que o que o move na pandemia é o respeito com os servidores e a paixão pela vida. O prefeito ressaltou que a vacinação de jovens a partir de 12 anos vai continuar. “Vamos, sim, continuar aplicando a segunda dose nos adolescentes que já tomaram a primeira dose. Vamos, sim, continuar dando dose de reforço para idosos. E vamos, sim, se necessário, continuar aplicando vacina no ano que vem”, afirmou.

Ministério da Saúde recomendou suspensão de vacinação de adolescentes

Na noite de quarta-feira (15), o Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica recomendando a suspensão da vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos sem comorbidades em todo o país.

Segundo a pasta, houve uma “recomendação para a imunização” deste grupo, feita pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 – mesmo com a aprovação pela Anvisa do uso da Pfizer para esta faixa etária.

Segundo a pasta, devem continuar a ser imunizados jovens entre 12 e 17 anos com comorbidades, com deficiência permanente ou jovens provados de liberdade.

“A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na Nota Técnica nº 40/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS, revisou a recomendação para imunização contra COVID-19 em adolescentes de 12 a 17 anos, restringindo o seu emprego somente aos adolescentes de 12 a 17 anos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech)”, diz o Ministério da Saúde.

O documento foi assinado por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid.

A nota lista seis motivos para a revisão dessa vacinação. Veja abaixo os motivos litados pelo Ministério da Saúde:

  • A Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades;

  • A maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela COVID-19 apresentam evolução benigna, apresentando-se assintomáticos ou oligossintomáticos;

  • Somente um imunizante foi avaliado em ECR;

  • Os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos;

  • Apesar dos eventos adversos graves decorrentes da vacinação serem raros, sobretudo a ocorrência de miocardite (16 casos a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses da vacina);

  • Redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

O que diz a Organização Mundial da Saúde

A primeira justificativa do Ministério da Saúde é que a OMS não recomenda a imunização de crianças e adolescentes, seja com ou sem comorbidades. No entanto, a indicação da organização é diferente.

Em nota publicada em 14 de julho de 2021, a Organização Mundial da Saúde afirmou que o Grupo de Especialistas de Aconselhamento Estratégico concluiu que a vacina da Pfizer é indicada para a vacinação de pessoas a partir dos 12 anos.

“Crianças de idade entre 12 e 15 anos que tem alto rico devem receber a vacina ao mesmo tempo que outros grupos prioritários para a vacinação”, diz a OMS. “Testes de vacinas em crianças estão em andamento e a OMS vai atualizar suas recomendações quando as evidências ou a situação epidemiológica requererem mudanças.” A organização cita jovens até 15 anos, porque a bula da Pfizer indica que a vacina já era permitida a partir dos 16 anos desde os primeiros estudos.

A Organização Mundial da Saúde afirma que crianças e adolescentes tendem a ter efeitos menos graves da covid-19 e, por isso, a menos que sejam parte de grupos de risco, é menos urgente vacina-los em relação a pessoas mais velhas.

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