Paes reconhece problemas na cidade seis meses após início de gestão e anuncia programa de metas

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RIO — O prefeito Eduardo Paes (PSD) anunciou, nesta quarta, que irá lançar um plano estratégico no mês que vem, com metas a serem cumpridas pela prefeitura. Em almoço organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), no Hotel Fairmont, o prefeito fez um balanço dos seus primeiros seis meses de mandato, e reconheceu que a realidade do Rio ainda é de dificuldades e problemas fiscais e de serviços públicos.

Além de críticas ao antecessor Marcelo Crivella, Paes fez diversas menções ao cenário de crise nacional, principalmente com foco nas gestões de Dilma Roussef e de Jair Bolsonaro. Já sobre Lula, quem ele irá encontrar em agenda nesta semana, Paes fez diversos elogios.

Eduardo Paes fez um longo discurso, de uma hora, somando o tempo final para responder perguntas dos empresários. No início, descreveu o cenário que encontrou na prefeitura, durante a transição, com destaque às dificuldades fiscais e "desestruturação da máquina pública". Apesar de afirmar que não desejaria culpar seu antecessor, na prática, o prefeito culpou Crivella por grande parte dos problemas da Cidade.

— Encontramos uma situação fiscal muito grave, com déficit de cerca de R$10 bilhões, duas folhas salariais atrasadas, o que era inédito no Rio, custeio muito baixo e sem investimentos. Ainda vemos isso no dia a dia, lâmpadas quebradas, buracos na rua, na falta de cuidado, manutenção, sinal torto, mato que cresce . Reconheço que ainda é a realidade da cidade. O abandono dos últimos quatro anos ainda não conseguimos resolver — explicou Paes, que também destacou a importância da crise econômica nacional para os problemas atuais da cidade.

Os focos iniciais da gestão, segundo o prefeito, eram resolver a situação fiscal e reativar o funcionamento da máquina pública. Como programas, Paes defendeu, em alguns momentos, o programa Reviver Centro, que pretende incentivar moradias na região central. Paes ainda prometeu um resultado de superávit nas contas, no final do ano, e o lançamento de um programa estratégico em julho.

— Vamos voltar a trabalhar com acordos de resultado — resumiu Paes, que não deu mais detalhes sobre o planejamento. — Hoje temos dinheiro, não para dar aumento para os servidores, mas para pagar salários em dia e fazer a máquina andar. Não tem ninguém ingênuo ou delirante para dizer que vivemos milagre ou felicidade plena. Mas equipe está azeitando, vamos acelerar a vacinação para ter reveillon e carnaval.

Um dos acordos de resultados que entrou no programa de metas da prefeitura foi revelado pelo GLOBO há um mês e causou polêmica, pois prevê pagamento de bônus a servidores caso a meta de arrecadação com cobranças de multas de trânsito na cidade seja atingida.

Apesar de frequentemente recusar o papel de "analista político", em entrevistas, Eduardo Paes não se furtou em comentar o cenário nacional. O prefeito, após se filiar ao PSD, de Gilberto Kassab, vem sendo cortejado por lideranças da esquerda, inclusive por Lula, num possível palanque em 2022. Sobre o ex-presidente, Paes dedicou diversos elogios, como sua capacidade de fazer política e boa diplomacia no exterior. Por outro lado, Paes fez diversas críticas à condução econômica do governo Dilma Roussef e também lançou indiretas a Jair Bolsonaro, especialmente na falta de auxílios do do governo federal para estimular a retomada da economia durante a crise atual.

Ao ser questionado sobre medidas que a prefeitura poderia adotar para ajudar o comércio, o prefeito disse que a responsabilidade maior seria do governo federal.

— Ajuda para retomada do comércio depende do governo central. É quem tem condição para isso. Abrimos linha de crédito, mas sabemos que é tímido diante do tamanho da crise. Ano passado o governo federal tomou medidas interessantes, mas pensou que a crise havia se encerrado em dezembro, só que não acabou — afirmou Paes, que não fugiu das piadas. — Não sou comunista antes que os bolsonaristas me xinguem.

Outra piada que também marcou o evento foi feito logo na abertura da reunião, e teve o governador de São Paulo, João Dória, como alvo. Paes começou o discurso elogiando o Hotel Fairmont, que sediou o almoço, e disse que o hotel é tão bom que até "paulistas, quando querem fugir dos problemas de São Paulo, vêm para o hotel". Dória foi flagrado, no último final de semana, tomando banho de sol na piscina do hotel. Mas, em seguida à piada, Paes elogiou o governador e puxou até palmas em homenagem a ele, que é fundador do grupo LIDE .

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