Paes retoma campanha na Zona Oeste, e Crivella muda estratéria e vai pela primeira vez ao Centro

Felipe Grinberg e Luiz Ernesto Magalhães
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RIO — Os candidatos à Prefeitura do Rio Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) retomaram nesta terça-feira a campanha nas ruas com estratégias opostas. Enquanto Paes escolheu a Zona Oeste, região onde teve o melhor desempenho no primeiro turno, Crivella foi a Saara, no Centro, fazendo pela primeira vez uma agenda pública em local que não é sua base eleitoral.

Paes visitou Guaratiba, bairro onde fez obras quando foi prefeito entre 2009 e 2016 na primeira agenda de campanha no segundo turno. O bairro pertence a 25ª Zona Eleitoral (Guaratiba, Nova Sepetiba, Pedra de Guaratiba, Sepetiba e parte de Santa Cruz). Entre as zonas eleitorais da região, essa foi a que Paes obteve proporcionalmente mais votos no primeiro turno: 46,38% (21.656 votos) contra 21,46% o prefeito Marcelo Crivella (10.020), que tenta a reeleição.

— A Zona Oeste foi prioridade no meu governo e é a região mais abandonada pelo Crivella. Fizemos o BRT Transoeste, clínicas da família. E Crivella não deu continuidade — disse Paes, durante agenda no Retiro dos Motoristas.

Aliados de Paes se mostraram preocupados em tentar conter o avanço de Crivella pela região. A deputada estadual Lucinha (PSDB) — que com um pé machucado participou do corpo a corpo caminhado com dificuldades — fazia planos para continuar a pedir votos à tarde para Paes em Santa Cruz. Em uma conversa com aliados após Paes ir embora, comentou.

— Temos que atuar firme. Tem muito vereador da Zona Oeste que foi reeleito com a ajuda do prefeito e estão pedindo voto para ele: Crivella tem Dr. Gilberto (PTC), Zico (Republicanos), Renato Moura (Patriota) — disse Lucinha

Paes disse que pretende intensificar a agenda também nas Zonas Eleitorais que Crivella venceu. E que para isso vai "se apresentar"’ ao eleitor desses bairros:

— Ganhou muito apertado, Vou pedir voto, nos apresentar. Apontar os erros dele (Crivella). A população sabe. Tem um processo natural. Quem não votou no Crivella já o rejeita. Crivella destruiu a cidade.

Já Crivella esteve na Saara, onde concedeu uma entrevista para a rádio local em que defendeu que população, comerciantes e ambulantes regularizados ajudassem na fiscalização dos camelôs sem autorização da prefeitura para trabalhar nas ruas. A ida do prefeito ao centro no Rio não foi escolhida por acaso e marcou uma mudança de estratégia. No primeiro turno, a preferência do prefeito foi ir a locais onde ele possui mais votos e participar de reuniões com candidatos a vereador da base, para evitar se expor. A Zona Oeste foi a única em que Crivella fez caminhadas e corpo a corpo. O prefeito, porém, acabou perdendo para o candidato do DEM na região.

Para o segundo turno, ele deve novamente apostar na Zona Oeste, que na sua avaliação possui o maior público evangélico da cidade, mas também em outras zonas populares da cidade, a fim de tentar reverter partes dos votos de Paes.

— Sempre tive mais votos na área popular e espero retomar — comentou Crivella, que venceu em cinco zonas: quatro na Zona Oeste, e em Bonsucesso, na Zona Norte, mas com margens apertadas em relação a Paes.

Na entrevista para a rádio Saara, Crivella defendeu a fiscalização de ambulantes sem autorização. Segundo Crivella, junto à Guarda Municipal, os mais de 10 mil ambulantes legalizados são seu exército nesta fiscalização. Porém, minutos depois, na saída da rádio, enquanto era cumprimentado por apoiadores e posava para fotos, Crivella foi interpelado por um camelô, que o cumprimentou e agradeceu o apoio do prefeito por “deixa-los” trabalhar. Ao ouvir todo o agradecimento do homem, Crivella disse: "Tamos junto".

— Eu chamei 10 mil ambulantes legais na cidade, dei o crachá para cada um deles e disse “vocês vão me ajudar a não deixar nenhum ambulante ilegal. Vocês estão vendendo coisas com nota fiscal e não podem fazer nenhum tipo de concorrência injusta e ilegal com os comerciantes que são grandes empregadores e pagadores de impostos”. Esses 10 mil eram meu exército junto os homens da Guarda Municipal. Também disse à eles: “se virem qualquer ambulante ilegal denunciem”. A população e o dono da loja podem verificar se o ambulante tá vendendo um produto autorizado pelo "QR code" do crachá. É a maneira que eu tento organizar — comentou Crivella durante a entrevista.

Já no caminho para o carro, o prefeito foi parado por um homem que se identificou como irregular e dizia estar ali representando os camelôs do Centro.

— Sou autônomo, e esse período de pandemia que nós passamos graças a Deus e ao senhor está nos abraçando nos deixando trabalhar. Deixando a gente levar o pão nosso de cada dia para casa. Eu sei que nós trabalhamos de uma forma irregular, mas se não fosse o senhor dando essa oportunidade pra gente trabalhar seria mais difícil ainda. Queria agradecer — completou o ambulante.

— Tamos junto — respondeu o prefeito apertando a mão do homem e sendo aplaudido pelos populares.