Paes vai tentar comprar vacinas para 560,2 mil crianças de 5 a 11 anos

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RIO — O prefeito Eduardo Paes disse, nesta terça-feira, que vai tentar comprar diretamente do laboratório Pfizer doses da vacina Comirnaty, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para crianças entre 5 e 11 anos. Nesta quarta-feira, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, vai iniciar as tratativas diretamente com o laboratório. Paes disse que tomou a decisão após uma reunião do comitê científico na noite de segunda-feira, dia 20, em que a entidade ''recomenda fortemente à SMS que todas as medidas sejam adotadas para implementar a campanha de vacinação em crianças, avaliando, inclusive, a eventual necessidade de compra direta dos fornecedores.''

Na mesma reunião, o Comitê Científico aprovou a realização de eventos de carnaval sem qualquer restrições em blocos ou nos desfiles das escolas de samba.

Segundo Soranz, o Rio tem hoje 560.227 crianças na faixa etária entre 5 e 11 anos, que seriam alvos da campanha de vacinação. A prefeitura já tem inclusive um plano pré-definido de como seria a campanha. Assim como aconteceu com os adultos e adolescentes, as crianças seriam divididas por faixa etária. Os primeiros a ser imunizados seriam os mais velhos. No fim da fila, ficariam as crianças de 5 anos.

— A necessidade de vacinar crianças é um consenso entre a comunidade científica. Estados Unidos, Canadá e vários países da Europa já iniciaram campanhas. Quanto mais tempo demorar o início da vacinação por aqui, maior o risco para esse público — disse Soranz.

Essa não é a primeira vez que o Rio tenta comprar vacinas diretamente de fornecedores. Em março, a prefeitura e o governo do estado chegaram a anunciar um acordo com um consórcio de governadores do Nordeste para adquirir diretamente 37 milhões de doses da Sputnik V, fabricada na Rússia. A compra acabou sendo cancelada em agosto em meio a entraves jurídicos e sanitários para ela ser usada no Brasil.

A estimativa da prefeitura é que o Rio de Janeiro precisaria de cerca de 1,2 milhão de doses. Nessa conta, estariam vacinas para a aplicação de duas doses (como recomendado pelo laboratório) e uma reserva técnica. Hoje, a população mais jovem da cidade está concentrada na Zona Norte, que concentra 217 mil crianças entre 5 e 11 anos.

— Ordens do comitê, eu cumpro — disse Paes.

Na semana passada, o governador de São Paulo, João Dória, também procurou a Pfizer. Nesta segunda-feira, em entrevista à Globonews, o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que, se a Pfizer não liberar doses, pretende judicializar a questão e acionar o Supremo Tribunal Federal (STF). O entendimento é que o estado possui autonomia para conter a epidemia.

Procurada, a Pfizer divulgou uma nota com conteúdo idêntico ao qual já se manifestara em relação aos pedidos do governo de São Paulo. O texto não cita em momento algum se abriria negociações com estados e municípios, mas que sempre trabalhou em cooperação com os níveis centrais de governos. A nota informa que os três contratos que firmou com o Brasil no fim de novembro foi para fornecer doses para o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Ao todo, está previsto o fornecimento de 100 milhões de doses para todas as faixas etárias ao longo do ano que vem. Um desses contratos, diz o laboratório, já prevê a oferta de doses infantis:

''Entendemos que a vacina da Pfizer/BioNTech contra a COVID-19 é um bem que deve ser oferecido à população em geral, por isso sempre estivemos comprometidos a trabalhar em colaboração com os governos em todo o mundo para que a ComiRNaty seja uma opção na luta contra a pandemia, como parte dos programas nacionais de imunização'', diz um trecho da nota.

A questão do início da campanha para crianças está no centro de uma polêmica com o presidente Jair Bolsonaro, que nas redes sociais na quinta-fera, mostrou contrariedade à decisão da Anvisa de liberar vacinas para os mais jovens.

Ele disse que queria divulgar os nomes dos integrantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que aprovaram a utilização da vacina da Pfizer para crianças a partir de 5 anos. O Ministério da Saúde ainda não confirmou quando e se haverá campanha para esse público.

Em transmissão nas suas redes sociais, Bolsonaro disse que pediu a lista de forma "extraoficial" para que "todos tomem conhecimento" dos nomes dos técnicos responsáveis pela aprovação. Técnicos da Anvisa vêm sofrendo ameaças por conta da iniciativa.

— Quero deixar bem claro isso, não interfiro lá. Pedi extraoficialmente o nome das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de 5 anos. Nós queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento quem são essas pessoas e forme o seu juízo.

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