Pai do astro Mel Gibson e católico ultraconservador, Hutton Gibson morre aos 101 anos

Hutton e Mel Gibson, no aniversário de 99 anos do pai, em 2017

RIO — Pai de Mel Gibson e católico tradicionalista, Hutton Gibson morreu aos 101 anos, no Centro Médico Los Robles, em Thousand Oaks, Califórnia. A morte, ocorrida em 11 de maio, não foi divulgada na época e só foi confirmada nesta quinta-feira, por uma pesquisa em um banco de dados de registros da Califórnia.

Hutton fazia parte de um grupo dissidente de católicos que rejeitam as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965) e procuram preservar a ortodoxia secular, especialmente a missa em latim. Ele chegou a ingressar em um seminário na juventude e, entre outras opiniões polêmicas, negou a legitimidade de João Paulo II como papa e disse que o Concílio Vaticano II foi "uma conspiração maçônica apoiada pelos judeus".

Após ser expulso de um grupo conservador na Austrália (terra natal de sua mãe, para onde se mudou em1968, para voltar aos EUA anos depois), Gibson formou sua própria Aliança pela Tradição Católica. A partir de 1977, ele divulgou suas visões ultraortodoxas em livros publicados por conta própria, como "O Papa é católico?" (1978) e "O inimigo está aqui!" (1994).

Suas posições anti-semitas ganharam destaque depois que Mel Gibson dirigiu o filme "A Paixão de Cristo" (2004). Em entrevistas polêmicas na época do lançamento, ele questionou o número de mortos do Holocausto, o que causou problemas para a imagem pública do filho.