Pai de brasileiro que tentou atirar em Cristina Kirchner tem ao menos 9 passagens pela polícia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pai do brasileiro preso por tentar atirar na vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na noite desta quinta (1º), é um chileno com extensa ficha criminal no estado de São Paulo. Fernando Ernesto Montiel Araya, 64, possui ao menos nove passagens na polícia desde os anos 1980, que resultaram em seis condenações e duas absolvições na Justiça --um caso foi arquivado.

O filho dele, Fernando Andrés Sabag Montiel, 35, foi preso logo após puxar o gatilho de uma pistola Bersa calibre 32 contra o rosto de Cristina Kirchner quando ela chegava em casa, no bairro nobre da Recoleta, em Buenos Aires.

A reportagem teve acesso a documento que mostra os indiciamentos e prisões de Araya, além de sua movimentação no sistema prisional paulista. A listagem não aponta quem foram os advogados nos processos nem o que o suspeito argumentou em sua defesa.

Conforme o sistema da SSP (Secretaria da Segurança Pública paulista), a primeira investigação aberta contra Araya foi em junho de 1987, pela suspeita de suprimir ou deslocar tapume, marco ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia. O inquérito ficou a cargo do 16º Distrito Policial (Vila Clementino), zona sul da capital, e foi arquivado em agosto do mesmo ano.

O homem foi preso em flagrante em julho de 1988. Dessa vez por tentativa de furto em uma unidade da Drogaria São Paulo. Ele foi conduzido ao 4º DP (Consolação). Julgado, ele foi absolvido.

Araya foi alvo de outro inquérito aberto em agosto de 1990. No dia 26 daquele mês, o 6º DP (Cambuci) abriu apuração por ele supostamente ter ofendido a integridade corporal ou a saúde de outra pessoa, além de apropriação indébita, ou seja, se apossar de algo que não é seu. Nesse caso, ele foi condenado a um ano em regime aberto.

A ficha policial ganhou mais um capítulo em janeiro de 1991, quando o 15º DP (Itaim Bibi) abriu investigação contra ele por suspeita de dirigir sem habilitação, o que é considerado uma contravenção penal. Araya foi absolvido no caso.

O chileno foi preso em flagrante em janeiro de 1992 por policiais do Denarc (departamento de narcóticos) sob suspeita de transportar droga. Nesse caso, foi condenado a quatro anos em regime fechado.

Voltou para a cadeia nove anos depois, quando foi preso em flagrante sob acusação de estelionato, sendo conduzido ao 5º DP (Aclimação). Pelo crime, foi condenado a um ano em regime fechado.

Em sua ficha ainda constam uma passagem por furto pelo 3° DP (Campos Elíseos), em fevereiro de 2007, em que foi condenado a dois anos de detenção, e pelo 4º DP, também por furto e por falsificação de documento público, em 2010. Nesse último, sentenciado a quatro anos.

A ocorrência mais recente registrada pela polícia paulista envolvendo o chileno ocorreu em 25 de outubro de 2014, quando foi detido em flagrante por suposta tentativa de furto em uma unidade do supermercado Extra, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Pela ação, foi sentenciado a oito meses em regime aberto.

Araya chegou a ficar preso em diversas unidades do estado, como o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na zona oeste da capital, e na penitenciária de Itaí, no interior.

Consta em sua ficha que ele deixou a prisão pela última vez em 20 de outubro de 2015, após receber livramento condicional.

O autor da tentativa de ataque contra Cristina Kirchner é filho do chileno com uma argentina. Ele também possui passagem na polícia argentina, datada de março de 2021. De acordo com o jornal Clarín, Sabag foi interceptado por dirigir sem a placa traseira do carro no bairro de La Paternal, onde supostamente morava à época.

Na ocasião, ele afirmou às autoridades que a placa havia caído dias antes por causa de um acidente.