Pai de atirador de Aracruz nega ter ensinado filho a usar armas: 'Mentira descabida'

Ataque em Aracruz: até o momento, atentado fez quatro vítimas fatais e deixou outras 12 pessoas feridas (Foto: Reprodução)
Ataque em Aracruz: até o momento, atentado fez quatro vítimas fatais e deixou outras 12 pessoas feridas (Foto: Reprodução)
  • Pai do atirador de Aracruz nega ter ensinado o filho a usar armas;

  • Ele também afirma que não o presenteou com o livro escrito pelo ditador nazista Adolf Hitler;

  • O homem relata que está recebendo muitas ameaças pelas redes sociais.

O pai do atirador que matou quatro pessoas e feriu outras 12 em Aracruz, no Espírito Santo, disse nesta segunda-feira (28) que não ensinou o filho de 16 anos a usar armas e relatou estar recebendo muitas ameaças pelas redes sociais.

Em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band TV, o homem afirmou que está acompanhado de um sentimento de tristeza profunda.

"Pelas perdas, pela atitude do meu filho. O ato que ele cometeu foi um ato terrível, mas o desejo é que chegue até as famílias que foram atingidas, que estão sofrendo, o meu pedido de perdão e de desculpas em nome do meu filho".

Na última sexta-feira (25), o adolescente invadiu a Escola Estadual Primo Bitti e o colégio particular Centro Educacional Praia de Coqueiral com uma pistola.

Ele fugiu em um carro, mas foi encontrado pela polícia no mesmo dia. Cinco vítimas ainda estão internadas, sendo que uma delas – de 14 anos – evoluiu de estado grave para muito grave.

Segundo o pai, que é policial militar, as armas que ficavam na casa deles eram guardadas em local seguro, trancado com cadeado. "Mas a chave não ficava comigo o tempo todo. Ele descobriu onde estava essa chave e fez uso da arma".

Ele também nega ter ensinado o adolescente a atirar e afirma que essas notícias são “mentiras descabidas” que estão abalando emocionalmente a família e prejudicando sua imagem.

“Fiquei sabendo que ele havia manuseado antes as armas porque ele disse ao delegado. Ele nunca demonstrou interesse algum, nunca perguntou nada. Foi uma surpresa enorme”, alega.

O homem complementa dizendo que “é um absurdo” a hipótese dele ter dado “alguma instrução sobre o uso de armas” ao filho. “Como policial militar com mais de 25 anos na carreira, como eu vou fazer uma coisa dessas para um filho meu?", questionou o PM. "Temos recebido muitas ameaças por redes sociais, isso está abalando demais a minha esposa, a mim também. Mas é vida que segue".

Símbolo nazista

Nas imagens capturadas por câmeras de segurança, é possível ver que o atirador usava uma suástica – símbolo nazista – no momento dos ataques. De acordo com informações da Polícia Militar, o pai do criminoso havia o presenteado com o livro “Minha Luta”, escrito pelo ditador nazista Adolf Hitler.

O genitor, no entanto, afirma que a obra foi uma aquisição dele porque, como psicanalista, gosta de estudar a mente e o comportamento humano. Dessa forma, o filho não teria “como aprender” com o que estava escrito.

"Esse livro foi uma aquisição minha para entender um pouco sobre a questão da mente do autor. Mas vi que ele foge um pouco das ideias e vem muito para a biografia. Então nem continuei a leitura do livro, li menos da metade, abandonei porque não é o que eu esperava para o meu trabalho de desenvolvimento, dos meus estudos do comportamento e da mente humana", afirmou. "Se quem leu o livro fui eu, ele não tinha como aprender o adquirir algum conhecimento com a minha leitura”.

O livro foi escrito por Hitler em 1923 e é proibido em algumas cidades brasileiras por divulgar ideias antissemitas.

Linha do tempo do ataque à escola em Aracruz: