Pai de jovem morta diz que votar em Bolsonaro é ‘falta de caráter’

O vereador Ari Friedenbach. Foto: Douglas Pingituro/Futura Press

O advogado e ex-vereador de São Paulo, Ari Friedenbach concedeu entrevista para a “Ponte Jornalismo”  em que fala sobre como o discurso de Bolsonaro tem irritado sua família. Ele é pai da jovem Liana Friedenbach que foi estuprado e morta na Grande São Paulo, em 2003, quando acampava com o namorado, Felipe Caffé que também foi assassinado.

Bolsonaro e seus apoiadores não param de citar o caso para justificar as agressões verbais do candidato para a deputada Maria do Rosário que supostamente estava defendendo o criminoso Champinha que matou Liana e o Namorado. “Bolsonaro destampou o que há de pior nas pessoas”, comenta.

Além de conviver com a dor de perder a filha, Ari é atacado por fãs de Bolsonaro nas redes sociais. “Ari, tua filha morreu na mão da marginália que o PT, PCdoB, PSOL e PDT apoiam. Tu é uma vergonha para o mundo”, escreveu um Bolsonariano em uma mensagem privada no Facebook. “Eu me sinto triste, usado. Usaram a história da minha filha e eu não admito, ainda mais como fazem: distorcendo como argumento de forma burra”, diz. Liana também aparece em montagens de péssimo gosto no WhatsApp.

Ari diz ter verdadeira ojeriza da campanha de Bolsonaro. “Quem vota no Bolsonaro não merece meu respeito. É falta de caráter. Eu até tenho raiva do Bolsonaro, mas eu tenho mais raiva de quem vota nele. Quem vota no Bolsonaro mostra falta de caráter, falta de cultura, falta de conhecimento. Falta, no mínimo, de leitura de história. Sabe, eu não sou um judeu religioso, mas, por exemplo, essa mistura que tem acontecido de política com fé. No final das contas, quando o cara vai na igreja de domingo, na mesquita, na sinagoga, no terreiro, qualquer coisa que o valha, no fundo todo mundo está buscando a mesma coisa por caminhos diferentes. É um Deus, uma força maior, mas o destino é o mesmo. É uma coisa de respeito ao próximo, ética, o objetivo é o mesmo. Agora, eu acho inadmissível que a pessoa vá na igreja, coma a hóstia e, quando sai, dali pra frente, da porta para fora, é um filho da puta. É uma coisa antagônica. E faço essa comparação porque no fundo é isso. O cara quer ter essa pureza evangélica, judaica, ou seja lá o que for, e é um canalha. Porque para mim quem vota no Bolsonaro é como ele: canalha”, resume. Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.