Pai de santo é investigado por suposto golpe de R$ 272 mil em aposentada

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Female hand holding brazilian money (Real/Reais)
Foto: Getty Images
  • Mulher havia perdido marido e pais quando foi se consultar

  • Foram feitas quatro transferências em um mês

  • Homem afirma que nunca prometeu milagres

O pai de santo Flávio Pedro Fernandes está sendo acusado pelo Ministério Público de São Paulo de aplicar um golpe na aposentada V.Z.B., de 62 anos, por ter cobrado R$ 272 mil por trabalhos espirituais.

Segundo a acusação, após o falecimento dos pais e do marido em um curto período de tempo, a mulher estava emocionalmente desestabilizada. Por conta disso, sua sobrinha a levou ao pai de santo em 2018.

A princípio os atendimentos eram realizados de forma gratuita, o que, de acordo com o MP, servia para conquistar a confiança da aposentada. Após um certo tempo, começou a dizer para a vítima que seu filho e seus amigos corriam o risco de morrer de câncer ou em um acidente, mas que ele poderia salvá-los.

No entanto, esse serviço custaria dinheiro. "O pai de santo somente pedia dinheiro quando estava incorporado", disse o promotor José Eduardo Pimentel à Justiça. "Uma dessas entidades, o 'Zebu', dava-lhe muito medo."

A aposentada fez um total de quatro depósitos para o pai de santo, todos em julho de 2018, transferindo-lhe um total de R$ 272 mil.

Ela notou, com o passar do tempo, que não houveram melhoras significativas em sua vida e começou a suspeitar que havia caído em um golpe.Com isso, se afastou do pai de santo. "Fui iludida", declarou.

O Tribunal de Justiça de São Paulo ainda irá analisar o processo. O pai de santo foi condenado em primeira instância por conta dessa acusação no mês de abril, mas recorreu da decisão.

Em seu depoimento, ele negou ter cometido um golpe e afirmou que nunca prometeu resultados práticos em troca das consultas espirituais. Além disso, afirmou que nunca a ameaçou.

Além disso, Fernandes explicou que a sua religião permite a cobrança pelo atendimento espiritual e que informou previamente a aposentada que o valor seria alto e que ela, "em sã consciência", se dispôs a fazer os pagamentos.

Seu advogado, Marcelo Borrasco, reafirmou que Fernandes não prometeu qualquer tipo de "bem concreto" à mulher e que ele não fez ameaças. Pontuou também que a aposentada reclamou à polícia apenas quatro meses após o fim do tratamento espiritual.

"Ora, uma pessoa que se diz enganada e que teria tido um prejuízo de mais de R$ 200.000,00 não demoraria tanto. Isso denota que, talvez, ela tenha tido um mero arrependimento por ter contratado os serviços", afirmou ao portal UOL.

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