Pai do CEO da FTX pede desculpas por ações do filho em falência

Ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried: desorganização fiscal foi descrita como sem precedentes pelo novo CEO (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images)
Ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried: desorganização fiscal foi descrita como sem precedentes pelo novo CEO (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images)
  • FTX havia feito promessas filantrópicas que não puderam ser cumpridas após a falência;

  • Cofres da correta estavam cheios com o token criado pela própria empresa;

  • "A classe bilionária costuma usar o trauma e as desigualdades nas comunidades negras para construir poder e influência", disse fundador da Equity and Transformation.

A FTX, empresa em total colapso que até mês passado era a terceira maior corretora de criptomoedas do mundo, prometeu US$ 600 mil (R$3,1 milhões) a uma organização sem fins lucrativos de Chicago que busca combater o racismo. No entanto, esse dinheiro nunca chegou a aparecer nas contas bancárias da ONG.

Em poucas semanas a FTX viu seu valor de mercado inteiro desaparecer após um relatório apontar uma grande insolvência na empresa. Especialistas apontam que, como a empresa estava envolvida com muitas outras dentro do ecossistema criptográfico, as perdas podem chegar a US$ 100 bilhões (R$ 531 bilhões).

A corretora se envolveu também com doações a muitas organizações e políticos durante seus tempos de bonança, fazendo inúmeras promessas. Uma delas foi à ONG Equity and Transformation (EAT), que tem como objetivo acabar com o racismo e dar voz a ex-presidiários e trabalhadores informais que lutam por seus direitos.

O pai de Sam Bankman-Fried, fundador e CEO da FTX, Joseph Bankman prometeu US$ 600 mil à organização. A iniciativa foi comunicada pela própria FTX após uma equipe de consultoria de marketing recomendar esses anúncios de filantropia.

No entanto, após o pedido de falência da FTX em 11 de novembro, Joseph Bankman escreveu para Richard Wallace, fundador da EAT, expressando tristeza pelo dinheiro não ter chegado. Segundo ele, o braço de caridades da corretora, FTX Foundation, não tinha fundos e todos os funcionários se demitiram.

Bankman é um professor de direito na renomada Universidade de Stanford. Em seu e-mail ele afirmou a Wallace que ele mesmo teria dado metade da quantia prometida se a FTX pudesse se comprometer com a outra metade. Segundo ele, não haveria como arcar com todos os gastos pois: "Vou gastar substancialmente todos os meus recursos na defesa de Sam."

Segundo a Reuters, os pais de Bankman-Fried são donos de uma casa de luxo com acesso à praia em um condomínio fechado nas Bahamas, cujos documentos legais afirmam ser "uma casa de férias", que teria sido comprada com recursos dos clientes da FTX. Um porta-voz afirmou que eles estão tentando devolver a propriedade a FTX para ajudar no processo de falência.

Depois que a notícia veio a público, Richard Wallace tuitou: "A classe bilionária costuma usar o trauma e as desigualdades nas comunidades negras para construir poder e influência, alavancando seus recursos na forma de subsídios e doações".

“Essas concessões e doações nunca são grandes o suficiente para abordar as causas reais das desigualdades, mas as concessões dão a elas o capital social”, acrescentou.