Pai de jovem preso por ter sido confundido com filho de traficante desabafa: 'Ele ainda tem que lutar para limpar seu nome'

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O jovem Vinicius Matheus Barreto Teixeira, de 21 anos, estava trabalhando como assistente de logística em Macaé quando foi preso na última segunda-feira. A confusão se deu porque o seu pai tem exatamente o mesmo nome e sobrenome do traficante Messias Gomes Teixeira, conhecido como Feio, de 42 anos, que já está preso. O filho do verdadeiro traficante é acusado de recolher o lucro obtido com a venda de drogas do tráfico do Morro do Palácio, no Ingá, em Niterói, e levar armas e munições para a comunidade.

Na tarde deste sábado, os pais de Vinicius conseguiram o direito a uma visita extraordinária, pedida pela sua defesa.

— Ele se emocionou e ficou alegre. Meu filho nunca ficou longe da gente. Está bem na medida do possível, vi que ele está limpinho, comendo e bem cuidado. Tivemos um pouco de alívio — conta a mãe Paula Barreto, de 40 anos.

O encontro emocionado também deu um pouco de alento ao pai de Vinicius, o motorista Messias, de 46 anos. Mas ele continua indignado, especialmente porque o feriado fez com que o menino só possa ter uma resposta sobre o seu pedido de liberdade na quarta-feira.

— Teria que ter desembargador de plantão. Tem gente inocente lá dentro. Isso era para ter sido rápido. O que eles precisam saber mais? Ele ainda vai ter que lutar para limpar o seu nome. Para um concurso ou o que ele quiser fazer. Meu filho está tendo que pagar por um erro deles. Muita gente que faz besteira aí responde em liberdade e ele inocente ainda está lá. Que Justiça é essa? A gente paga impostos para ter um tratamento desses? — desabafa Messias, que também conseguiu levar roupas para o filho: — Os presos deram um chinelo lá para ele, um ajuda o outro lá. Pedi para ele se manter forte e tranquilo, porque não é autor de nada. Para ele é mais difícil, porque não tem amigos e parentes lá dentro.

Esse apoio foi levado pelos amigos de igreja do rapaz, que saíram de manhã de Macaé e chegaram às 11h na frente do Presídio José Frederico Marques, em Benfica. Vinicius também é músico e toca contrabaixo, teclado e bateria nos cultos da Comunidade Evangélica Shalom, onde seu pai é diácono e líder do grupo de adolescentes.. Ele disse que conseguiu ouvir os amigos cantando na porta da igreja lá de dentro da sua cela, em ato organizado por eles.

— Esta foi uma iniciativa dos jovens da igreja e da banda que se mobilizaram e alugaram o ônibus para estarem aqui. A ideia é trazer um pouco de afago e carinho para perto dele, além de protestar contra essa injustiça em uma manifestação pacífica — explicou o pastor Wandson Vieira.

Fichas diferentes

O mandado de prisão estava realmente no nome de Vinicius, já que a ficha que foi puxada era a de seu pai, e não a do seu homônimo, o traficante acusado de chefiar o tráfico no Morro do Urubu, em Pilares, e ser "arrendatário" do tráfico no Morro do Palácio.

O advogado da família Daniel Augusto Sampaio de Carvalho explica os próximos passos que a defesa irá tomar.

— Estou preparando um pedido de liberdade que vou despachar direto com a juíza da 4ª Vara Criminal para ver se a gente consegue por lá também — explica o advogado, que já tem o habeas corpus para ser analisado pela desembargadora Kátia Maria, na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio.

No habeas corpus, o advogado mostra os documentos de identidade dos dois Messias e alega que o Ministério Público se baseou somente no depoimento de um dos presos na operação "Bozo Niterói", de 2018, que relata que o filho do traficante “Feio” teria a responsabilidade de recolher o lucro da venda de drogas no Morro de Palácio. Naquele ano foi expedido então o mandado de prisão contra Vinicius.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) informou que, enquanto aguarda a manifestação da Justiça sobre o caso de Vinícius Matheus Barreto Teixeira, atendeu à solicitação dos familiares e providenciou uma visita deles, ainda na tarde deste sábado (09/10), na unidade onde Vinicius está.

Em nota, a Polícia Civil informou que "foi cumprido o mandado de prisão expedido pela Justiça por um fato ocorrido em 2017, quando a corporação estava subordinada à então Secretaria de Segurança" e que o caso está com a Justiça. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não disse o porquê de Vinicius não ter sido citado no processo.

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