Pais, avó e namorado de Kathlen, grávida morta no Lins, prestam depoimentos na Delegacia de Homicídios

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Os pais da designer de interiores Kathlen de Oliveira Romeu, a grávida de 24 anos morta no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, na última terça-feira, chegaram por volta das 10h11, nesta sexta, na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para prestar depoimentos. O personal trainer Luciano Gonçalves, de 43 anos e a administradora Jackeline de Oliveira Lopes, de 40 anos, além do namorado da jovem, o designer gráfico Marcelo Ramos, e a avó, a aposentada Saionara Fátima Queiroz de Oliveira, não quiseram falar com a imprensa.

Desde terça, nove dos 12 policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Lins prestaram depoimentos. Um cabo alegou que atirou cinco vezes. Já o Ministério Público do Rio MPRJ) instaurou um procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar as circunstâncias do homicídio da designer de interiores, e quer saber “se houve crime militar”.

Dois agentes da Corregedoria Interna da PM estão na DHC para falarem com o delegado responsável pela investigação do caso Kathlen. Os agentes foram à especializada buscar os depoimentos dos nove PMs da UPP Lins e convidarem os parentes da jovem à prestarem esclarecimentos no órgão interno da PM que apura conduta de policiais. Os agentes informaram que todos os 12 agentes envolvidos na ação terão que prestar novos esclarecimentos, ainda sem previsão de data. O IPM contra os militares será aberto ainda hoje.

A investigação vai acontecer na 1ª DPJM Delegacia de Polícia Judiciária Militar, do Méier

— Primeiro (queremos) saber o que a Delegacia já tem de provas para a gente juntar no nosso inquérito. Essa é uma vinda preliminar. No próximo momento vamos convidar a família a prestar esclarecimentos— disse um agente da corregedoria.

Nesta quinta, quatro PMs estiveram na DHC. Todos eles na condição de testemunhas. A investigação ficará a cargo da 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio. No entanto, como PMs da UPP do Lins trocaram tiros com traficantes no momento em que a vítima foi baleada, a promotoria de justiça que atua junto à Auditoria Militar também irá apurar o caso. Serão duas investigações do MP ao mesmo tempo.

Essa promotoria que atua nos processos da Auditoria de Justiça Militar também abriu um PIC, desta vez para investigar se houve um "eventual crime militar relacionado ao caso". Para isso, o promotor já pediu à Corregedoria da Polícia Militar do Rio que instaure um inquérito policial militar (IPM) para apurar a conduta dos policiais militares na ação que resultou na morte de Kathlen.

No começo da tarde de quinta, a PM informou que “em paralelo às investigações da Polícia Civil, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) instaurou um procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias do fato”. A pasta garantiu que “o local foi preservado e a perícia foi acionada”. A instituição ainda não começou a decisão do MP.

Uma equipe da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vai acompanhar a família durante o depoimento na DH. O grupo vai assistir os parentes psicologicamente e cobrar dos órgãos oficiais o andamento das investigações. O núcleo é formado por agentes da Comissão de Direitos Humanos da Ordens dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a Comissão de Direitos Humanos da Alerj, a Comissão de Direitos Humanos da Defensoria Pública do estado, a Ouvidoria da Defensoria e o Movimento Mães do Rio.

Na tarde de quinta, o deputado Alexandre Gomes Knoploch dos Santos (PSL), com um forte aparato de segurança, usando um colete a provas de balas e portando um fuzil, esteve no local onde Kathlen foi morta.

O parlamentar disse ao EXTRA/O GLOBO que estava lá para fazer um relatório que seria apresentado a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). A reportagem flagrou o momento em que o aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estava na favela. Ele não quis falar com a reportagem.

A visita surpresa de Knoploch ao local – que mobilizou toda a equipe da UPP Lins para fazer sua segurança – foi vista por parentes de Kathlen como “uma afronta, um desrespeito a memoria da jovem e uma ação política”.

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